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Vitória Cidade Presépio – Por Ester Abreu

Vista de Vitória - Foto Victor Frond 1860

Presépio, manjedoura, representação do nascimento de Cristo. Lembra visitas de reis e pastores, povo e um deus-homem. Herodes e uma estrela guia.

No Presépio há uma história de vida familiar, de solidariedade de grandes e pequenos, de arbitrariedade e tirania. Logo, nele pode existir povo, cidade e tudo o que haja mister para a realização do sonho do artista. Por isso, nas representações do estábulo de Belém, que se organizam em dezembro, há junto com a Santa Família: pontes, patos, peixes, lagos, rodas, vida e vidas. Há morros e planícies, igrejas e fiéis, seres celestes junto com humanos, toda uma miniatura do universo.

Presépio lembra ainda Natal, reuniões festivas, cantos, magia nos presentes infantis, luzes nos frontispícios e no interior das casas, nas árvores, nos topos dos morros e nos reflexos das águas. Reflexos das águas que contornam o maciço da ilha de Vitória.

Natal, fantasia das árvores, quando o verde desaparece num pirilampear de cores...

Presépio, lembra Vitória noturna com cintilantes pontes, ruas, faróis e casa ou diurna, com exibições de sua rochosa topografia, prolongação da Serra do Mar no Atlântico, num abraço que proporciona a construção de casas amontoadas nas encostas, de escadarias que lembram o sonho de Jacó, num barraco moderno, de ladeira quase a tocar as nuvens, de avenidas no contorno dos oiteiros e da beira-mar.

A multiplicidade de linhas e cores dão à cidade beleza e harmonia. Deixam, diante dos olhos do observador, um mágico e alegre encanto da vida que ali palpita nas variedades social, filosófica, política e religiosa. E isso faz da ilha uma outra Belém, tão atrativa como a da Estrela Guia.

Na oscilação dia-noite, a paisagem, na vulcânica e prodigiosa ilha, é grandiosa.

Quando desperta

Alvorada vitoriosa. Vitória.

Vitória de luzes.

O astro rei penetra na rubra cabeleira

E a lua,

Acompanhada da Estrela d’ Alva

Sorri palidamente.

(Eterno retorno

No redil celeste)

No lusco-fusco da manhã,

A curvilínea ponte

Engaste de luz insular-continental

Acelera a vida.

As excelsas luzes se mesclam à da Escelsa.

O ouro grita nos contornos da ilha.

O luxo pisca pelas desvalidas

Vertentes

Pelos ventos

Afligidas

Sobrepujança de cores

Fere a alma.

 

Escritos de Vitória – Uma publicação da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Vitória-ES, 1997

Prefeito Municipal: Paulo Hartung

Vice-Prefeita Municipal: Luzia Alves Toledo

Secretária Municipal de Cultura: Cláudia Cabral

Sub-secretária Municipal de Cultura: Verônica Gomes

Diretor do Departamento de Cultura: Joca Simonetti

Adm da Biblioteca de Adelpho Poli Monjardim: Lígia Maria Mello Nagato

Bibliotecárias: Elizete Terezinha Caser Rocha, Lourdes Badke Ferreira

Conselho Editorial: Álvaro José Silva, José Valporto Tatagiba, Maria Helena Hees Alves, Renato Pacheco

Revisão: Gilson Soares

Capa: Ângela Cristina Xavier

Editoração: FCAA

Impressão: Gráfica ITA

 

Fonte: Escritos de Vitória, nº 18 – Cidade Presépio, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo – PMV, 1997

Texto: Ester Abreu Vieira de Oliveira

Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2018

 

Ester Abreu Vieira de Oliveira,

Nascida em Muqui (ES)

Cidadã vitoriense em 1995.

Professora e escritora, membro da Academia Espírito-Santense de Letras, doutora em Letras Neolatinas: Língua Espanhola e Literatura Hispânicas (UFRJ).

Literatura e Crônicas

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