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Vitória da Bossa

Maysa e o irmão - Fonte: Livro Maysa,Autor: José Roberto Santos Neves, 2008 - 2ª Edição

O mundo inteiro sabe que o nascimento da Bossa Nova se deu na Zona Sul do Rio, mas poucos se dão conta de que Vitória exerceu papel de coadjuvante na criação do movimento.

Nara Leão nasceu em Vitória, mas mudou-se com a família para o Rio ainda bebê, com um ano de idade. Também capixaba, a família de Roberto Menescal saiu de Vitória para morar no Rio quando ele tinha três anos. Até os 15, Menescal não perdia uma temporada de férias na cidade por nada deste mundo.

A conexão Vitória-Rio-Bossa Nova incluía ainda o advogado Cariê Lindenberg, filho do governador Carlos Lindenberg e herdeiro do jornal A Gazeta. Antes de assumir os negócios do pai, Cariê sonhava em viver como compositor e, volta e meia, passava longos períodos no Rio, no "olho do furacão" da Bossa Nova. Era um dos poucos que frequentavam o fechado círculo de amigos de Newton Mendonça, o parceiro de Tom Jobim em "Desafinado" e "Samba de Uma Nota Só".

Também nascida por acaso no Rio, Maysa sempre fez questão de manter o vínculo com Vitória. Mesmo no período de maior exposição na mídia, ela arrumava tempo para visitar seus primos capixabas, dentre eles Taís Figueira Santos Neves, Jayme Figueira e Sérgio Sarkis. Os pais de Maysa, por sua vez, traziam o neto Jayminho para passar férias ca casa de Solika Sarkis, na Rua Sete de Setembro. Para Maysa, Vitória devia ser sinônimo de paz, alegria, descontração. Talvez por isso ela tenha convencido os meninos do Tamba Trio e Ronaldo Bôscoli a estenderem a temporada no Espírito Santo.

Apesar da presença maciça do público, o show de estreia da turnê, no dia 26 de agosto de 1961, no Praia Tênis Clube, teve cobertura tímida da imprensa. Motivo: no dia anterior Jânio Quadros renunciara à Presidência. No país, não se falava em outra coisa.

Feliz de quem esteve no Praia naquela noite. Três dias após o show, o colunista Eleisson de Almeida destacou em A Gazeta que a apresentação de Maysa tinha sido um dos maiores acontecimentos culturais do ano. O que ele não sabia - ou melhor, ninguém sabia - é que Maysa tinha outros planos em mente. No sábado seguinte, ela e os meninos repetiram o espetáculo no Praia Tênis. E foram ficando na cidade, até alugar uma casa na Praia de Santa Helena, na Rua Dukla de Aguiar, onde viveram em um esquema de sociedade alternativa, com muita música e bebida, por, pelo menos, cinco meses.

Maysa e Cia viraram a vida cultural de Vitóra de cabeça para baixo. Imaginem o prestígio que significava para cidade ter alguns dos artífices da Bossa Nova circulando por aqui no momento em que o movimento se desenvolvia no Rio.

A vida noturna de Vitória girava em torno dos clubes sociais, que tinham colunas nos jornais e promoviam as noitadas mais bacanas para a "juventude bossa nova". Os apelidos dos clubes eram uma atração à parte: O Praia Tênis Clube era o "Mais simpático"; O Clube Vitória, o "Aristocrático"; o Saldanha da Gama, o "Colosso do Forte"; e o Álvares Cabral, o "Gigante da Costa Pereira". Havia ainda o Iate Clube e o Lions Clube.

 

Autor: José Roberto Santos Neves, 2008 - 2ª Edição
Livro: Maysa
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2012 

 

 



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