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Vitória, meu amor apaixonado - Por Wanda Alckmin

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Vim de Minas

em um barco de sonhos

que eu mesmo construí.

E nesta ilha tão bela,

fiz versos, fiz vida,

sou a eterna aprendiz.

 

Essa história aconteceu há muito tempo e vive em mim desde então. Resolvi revelá-la agora para vocês...

Apaixonei-me profundamente no momento em que a vi. O acaso fez com que eu me encontrasse com ela. Aí, tudo aconteceu...

O nome dela é Vitória, e o seu sobrenome é Espírito Santo. Se eu lhe contar, você não acreditará, vai dizer que é loucura, mas escute...

Ela tem 457 anos. Duvida? É verdade, e ela é linda! Eu nunca pensei em encontrar tantos encantos numa idade tão madura!

Eu que me cuide, pois quando ela se arruma, naqueles saltos... ai, mais parece uma mocinha querendo estrear seus sonhos.

Os postes de luzes acesas na sua orla, se assemelham a um colar de pérolas, parecendo ser o presente de seu debut. Também lhe deram para ficar mais linda, outras luzes, que foram colocadas nas bases de sua ponte; esta que a liga com a Ilha do Frade. A noite, essas sim, parecem mais sapatinhos de cristal, aqueles que um dia tomaram vida nos pés de Cinderela. Ah... se eu não me declarar logo, pode outro aparecer e me roubar Vitória! Mas seria capaz de alguém vir a amá-la mais do que eu?

Todas as manhãs, eu fujo para o prédio mais alto e fico a admirá-la lá de cima. Vejo-a acordar de mansinho, apagar as luzes e sair para a sua caminhada na areia da praia. E assim lá vai ela, pés descalços e cabelos soltos, brincando com as conchas e jogando flores para Iemanjá. E é nessa hora que escrevo versos para ela. Eles me vêm de repente, fluindo num piscar de olhos. Tudo isso ela faz comigo, e sabe muito bem como buscá-los dentro de mim...

Quando estou no alto, vendo-a de cima, adoro admirar os seus recortes e me fascinam os seus recifes. Dali, a acho mais bonita e me dá uma vontade enorme de percorrer todos os seus recantos e a programação urge marcando datas: hoje subirei ao Mestre Álvaro, depois irei à Ilha do Boi, ao Palácio Anchieta, passarei na Catedral, irei ao Teatro Carlos Gomes; chegarei até ao Museu Ferroviário, e ainda irei à Pedra da Cebola, depois ah... quantos lugares... a vista do Hotel Senac, é linda, não posso deixar de vê-la! Depois...vou ficar só admirando a sua baía. Fico assim sonhando e esse desejo não acaba nunca. Conhecê-la, como disse antes, é o que mais me fascina.

Ah, essa Vitória me deixa louco! Existem dias que me dá uma vontade de vê-la de vez, tudinho!

Mas eu sei que é melhor percorrê-la bem devagarzinho, para ir conhecendo lugares nunca antes visitados. Ir também ao morro da TV, e poder vê-la lá embaixo, toda iluminada é tão lindo!

Não lhe falei ainda das cinco pontes? É maravilhoso, passar por elas! Agora me diga, existe coisa mais fascinante, que estar em uma delas e avistar a outra, alta, redonda, cercada de água com enormes navios passando e fazendo barulho de apitos? Barcos a vela ou mesmo pescadores vindo e indo? As gaivotas e garças sempre por perto, é tudo muito bonito...

Você que está aí, só me escutando falar dela, não está sentindo vontade de vê-la, ao menos para confirmar o que eu digo?

Vitória, não carece de poucas linhas para escrever o que ela é. Vitória merece um livro inteiro e dos grandes, com fotografias e tudo. Ela é misteriosa e muito linda!

Falo demasiado dela, não? Venha então! Reserve um tempo na sua vida e apareça por aqui, para conhecê-la. Eu digo a verdade, venha confirmar o que digo.Não deixe apenas minhas palavras fazendo história, ela merece tudo!

Se você for homem de coragem, faça isso! Mas desde já, eu lhe previno: após conhecê-la, você não volta mais para casa. Ou se volta, você não a esquece, não a tira da cabeça: Vitória tem esse poder.

Não nasci dela, não sou seu filho. Sou é o seu amor! Ela prendeu-me em suas águas, sem amarrar-me com suas algas...

Estou aqui com ela há trinta e seis anos. Não lhe falei que é um caso antigo? Desde 1972 estamos juntos, não sei como tudo aconteceu. Ela apenas fez barulho de mar em meus ouvidos...

Mas agora me explique, o que é isso, é paixão, é amor, é o que me diga?

Ah... sabe de uma coisa.... não quero explicações!

Ela chamou-me como sereia. Não consegui conter-me. Fiquei com ela em mim tatuada, estou deveras apaixonado.

Estou parado no Porto dela e ponto final.

 

Fonte: Vitória, Cidade Sol – Escritos de Vitória nº 25, Academia Espírito-Santense de Letras e Secretaria Municipal de Cultura, 2008
Autor: Wanda Alckmin
Nasceu em Belo Horizonte, MG, em 1952. Cursou Artes e Inglês nos EUA. Poeta. Pertence à AFEL.
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2020

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