Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Zé Pretinho

Praia do Canto - anos 60, região do triângulo das bermudas

Fica ali, exatamente na esquina da Aleixo Neto com a José Teixeira. Do lado de Santa Lúcia. Não tem placa que o identifique. Mas há quarenta anos toda a redondeza cohece o Zé Pretinho. Ele, o proprietário e seu estabelecimento, com quem divide o nome.

O Zé Pretinho, negro, carapinha branca, tem sempre um olhar severo e uma voz dura, irritadiça, de poucos amigos. Pura impressão. Não há quem não goste dele e da sua conversa. E ele fala com graça e saudosismo das muitas décadas que ele viu passar, sempre espiando e conversando ali detrás do balcão de madeira, com vigias de vidro fino e barato a devassar os mais interessantes produtos para consumidores pouco exigentes. São pequenos canivetes, cachimbos de barro, pedras de isqueiro, baralho de mico preto, coisas que já não se encontram mais por aí. Vende também bombinhas de festas juninas. E gaba-se de ser um dos poucos legalmente autorizados a fazer este tipo de comércio.

Mas, afinal, o Zé Pretinho é então uma venda, como já não existem mais? Exatamente. E como toda venda respeitável, tem um bar. Numa parte do balcão, meio ali perto de um rolo de fumo, pode-se beber em pé a especialidade da casa. E com certeza, única na cidade: uma batidinha de coco. Da pontinha da orelha. Do balcão dá pra ver os dois ou três grandes garrafões onde dormem, em infusão numa cachaça de primeira, pedaços de coco. Embaixo de cada vidro, uma torneirinha. E em cima do balcão a regra da casa: uma placa presa por um barbante decreta secamente: Pidiu pagou. Ruim o português, delícia a batidinha.

Mas esta não é a única imposição do Zé Pretinho. Existe outra mais severa, inegociável e não está escrita em lugar algum. É um mandamento que cada novo freguês fica sabendo pela boca dos outros, ou se estiver sozinho, do próprio dono: a casa não serve mais do que três doses da batida para cada um. Não adianta insistir. - Eu não gosto de gente bêbada! - sentencia Zé Pretinho.

Mas uma pequena tábua com um cortadinho queijo de Minas curado, você pode pedir quantas vezes quiser. Primeiro porque a legislação do estabelecimento permite. Segundo porque é uma delícia.

 

Fonte: Escritos de Vitória - 8 - Bares Botequins, etc. - 1995
Autor: Marcos Alencar
Compilação: Walter de Aguiar Filho

Matérias Especiais

Boate Papagaio

Boate Papagaio

No dia 5 de abril de 1979, a noite capixaba mudou. Em meio à efervescência da Era Disco, a boate Papagaio chegava a Vitória

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

A Cidade em outros tempos

Bondes, lanchas, manguezais e catraeiros nos remetem há uma época que creio não retornará. Vou citar alguns fatos e nomes de alguns personagens

Ver Artigo
Mercados e Feiras

Entreposto de vida nas cidades. Os mercados e feiras fazem a ligação, do campo para a cidade, do pão nosso de cada dia. É onde a cidade vai buscar o seu alimento...

Ver Artigo
Vitória da Bossa

O mundo inteiro sabe que o nascimento da Bossa Nova se deu na Zona Sul do Rio, mas poucos se dão conta de que Vitória exerceu papel de coadjuvante na criação do movimento

Ver Artigo
A lenda do judeu pescador

O judeu, natural do Algarve, era católico, e atribuía a sua boa sorte à devoção de São Tiago e Santa Marta, cujas imagens mantinha num oratório

Ver Artigo
Festejos de Natal: Reis

O Reis foi introduzido em Vila Velha pelo Padre Antunes de Sequeira. Filho de Vitória, onde nascera a 3 de fevereiro de 1832

Ver Artigo