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Crítica aos Donatários
Tomé
de Sousa visitou o Espírito Santo e não gostou
do que viu. Vasco Fernandes Coutinho estava fora. Em carta
ao soberano português, queixa-se da ausência de
donatários e da má administração
das capitanias. Os donatários pedem socorro ao rei,
nos termos de “ruim pra nós, pior pra você”.
O sistema de colonização do Brasil, por meio
das Capitanias Hereditárias, ia de mal a pior. As Capitanias
de Pernambuco e São Vicente progrediam, enviando real
colaboração para a coroa portuguesa.
No Espírito Santo, a plantação de cana-de-açúcar
apresentava bons resultados. Mas, de um modo geral, a situação
era difícil na Colônia de além-mar.
Donatários escreviam para Portugal alertando o rei,
Dom João III: ... “se com tempo e brevidade Vossa
Alteza não socorre a estas Capitanias e costa do Brasil,
ainda que nós percamos as vilas e fazendas, Vossa Alteza
perderá a terra”.
Os estrangeiros continuavam a rodear o litoral brasileiro.
Os índios não davam tréguas. Atacavam
com ferocidade. A idéia de torná-los escravos
para trabalhar na lavoura era cada vez mais remota. Os silvícolas
tinham o seu próprio modo de vida e rejeitavam as imposições
dos invasores. Defendiam, com unhas e dentes, o seu território,
apesar da disparidade de armamento.
Dom João III compreendeu, então, que, se não
socorresse a Colônia, ocupando-a, a perderia pa sempre.
Foi então inaugurado, em 1548, o sistema de centralização
do poder, o governo-geral. Tomé de Sousa foi nomeado
primeiro governador-geral do Brasil. Esse novo sistema não
dava fim às Capitanias Hereditárias. Extinguia
apenas o regime administrativo que elas representavam.
Tomé de Sousa chegou à Bahia em março
de 1549. De sua comitiva faziam parte: os missionários
jesuítas Manuel da Nóbrega, Leonardo Nunes,
Antônio Pires, entre outros; os noviços Vicente
Rodrigues e Diogo Jácome; e uma caravana de mil pessoas
– auxiliares diretos, militares, soldados, oficiais,
inclusive cerca de 400 degredados.
A ordem real era defender a Colônia contra as invasões
estrangeiras, fundar uma povoação capaz de auxiliar
as demais, procurar fazer justiça a índios e
colonos, pôr em prática, enfim, um sistema de
governo que garantisse à coroa de Portugal a posse
efetiva das terras do Brasil.
Ao incrementar a cultura da cana-de-açúcar,
Tomé de Sousa procurou estabelecer um Engenho Real
para auxiliar os que não possuíam uma moenda.
A extração do pau-brasil, porém, continuava
a ser a principal riqueza da terra brasileira. Logo foi enviado
para o reino um carregamento dessa preciosa madeira. Em troca
do produto, chegaram algumas cabeças de gado de Cabo
Verde para auxiliar nas plantações de cana-de-açúcar.
Esse gado foi a origem do rebanho do litoral e do interior
do Leste brasileiro.
Era preciso trabalhar a terra. A agricultura incrementaria
a atividade econômica, alimentaria índios e colonos.
Mas havia a dificuldade da mão-de-obra. Os índios
não se submetiam aos trabalhos da lavoura. Rebelavam-se,
fugiam matagal a dentro. Chegavam a adoecer e a morrer, debaixo
do jugo da escravidão. Além do mais, contavam
com o apoio dos jesuítas, que, na sua missão
de catequese, se insurgiram contra a escravidão dos
nativos.
Em 1552, Tomé de Sousa visitou a Capitania do Espírito
Santo. Depois continuou a viagem até São Vicente
e enviou correspondência ao soberano contando o que
viu e as providências que foram tomadas. Quando ele
chegou ao Espírito Santo, o donatário Vasco
Fernandes Coutinho estava ausente. O governador-geral se refere
à abastança da Capitania. A cana-de-açúcar
era o sustentáculo do desenvolvimento.
Em carta ao soberano, reclama da má administração
encontrada à frente das terras visitadas. Queixa-se
da ausência dos donatários que, afinal de contas,
deveriam estar dirigindo os trabalhos e fazendo prosperar
as suas Capitanias.
Conta que fez cercar taipa todas as vila e povoações
de engenho das costas visitadas. E deu-lhes toda a artilharia
que lhe pareceu necessária. Ordenou a construção
de casas de audiências e de prisão em todas as
vilas.
Também se preocupou em melhorar a situação
de algumas ruas e mandou que tudo se fizesse sem opressão
do povo.
Os termos da carta são bastantes gerais, mas a Capitania
do Espírito Santo deve ter-se beneficiado de todas
essas providências.
O padre Afonso Brás já havia levantado o Colégio
de São Tiago, constituído de grande Casa e Igreja,
onde é hoje o Palácio do Governador do Espírito
Santo.
Tomé de Sousa visitou o Colégio e orou ao lado
do padre Manuel da Nóbrega.
Essas informações são do historiador
Serafim Leite. Ele acrescenta que “a quatro de maio
de 1552 já chamavam Casa de São Tiago e Colégio
dos Meninos”, ao hoje Palácio Anchieta, depois
de passar por inúmeras reformas.
Documentos informam que, na organização da Companhia,
colégio não significava escola, mas a principal
categoria administrativa e geográfica, da qual dependiam
as casas ou residências das aldeias.
Na Casa de São Vicente, em São Paulo, por exemplo,
funcionaram as primeiras aulas, e não em nenhum colégio.
Duarte da Costa, o segundo governador-geral, enfrentaria sérias
crises. E Mem de Sá, o terceiro a ocupar o cargo, encontraria
nos invasores franceses do Rio de Janeiro seu maior problema.
Os governadores seguintes também lutariam com dificuldades
em conta para administrar uma terra tão vasta, mas
o importante era manter a unidade e o crescimento econômico.
Fonte:
A Saga do Espírito Santo – Das Caravelas ao Século
XXI
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