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Forte de Piratininga
Nesse
mês de outubro de 2006 as atenções estão
voltadas para Vila Velha devido ao evento de decoração
Casa Cor que está acontecendo no Forte
São Francisco Xavier (localizado no 38º BI). Conheça
mais a história do Forte com as informações
fornecidas pelo internauta Edward d'Alcantara:
A
primeira fortificação da Capitania foi levantada
em Piratininga por Vasco Fernandes Coutinho em 1535 a fim
de garantir a posse da sua donataria.
Ainda no século XVI a nau francesa Grande Roberge ao
se aproximar da barra de Vitória foi repelida a tiros
de canhão procedentes de um fortim (atual forte São
Francisco Xavier).
Forte São Francisco Xavier
Foi o primeiro forte construído em substituição
ao pequeno fortim que existia na barra da Capitania do Espírito
Santo. Foi edificado na forma atual pelo donatário
Francisco Gil Araújo conforme descrição
dos manuscritos datados de julho de 1682, recebendo o nome
de São Francisco Xavier. Possui oitenta palmos de diâmetro
por duzentos e quarenta de circunferência.
Para melhor defender a entrada da baía de Vitória,
o Forte foi reformado e artilhado em 1702 com 10 peças.
A falta de conservação, a precariedade das peças
de artilharia que se desgastaram nos anos seguintes, fez com
que em 1725 o Capitão-mor Dionísio de Carvalho
escrevesse ao Rei D. João V relatando a situação
do Forte e o seu possível uso.
Em julho de 1726, o Capitão-mor Antonio Pires Forsas
informou ao rei D. João V sobre as diligencias feitas
pelo engenheiro obedecendo às ordens do Conde de Sabugosa.
Os manuscritos do Arquivo Histórico Ultramarino informa
que o Conde de Sabugosa propôs no ano seguinte (janeiro
de 1727) ao provedor mor da Capitania Jose Machado, que usasse
os índios para o trabalho de recuperação
da Fortaleza de S. Francisco porque, não havendo quem
o arrematasse, os índios seriam mais convenientes,
e para evitar maiores gastos fosse usado o escrivão
da Fazenda como apontador recebendo dois tostões ao
dia.
Em 1735, após incidente na embaixada do Brasil em Madri,
o Capitão-mor Silvestre Cirne da Veiga sugeriu ao rei
D. João V a construção de uma fortaleza
na ilha da Baleia e outra na Ponta do Tagano.
Em visita ao local sugerido para a construção
da fortaleza da ilha da Baleia, o Capitão-mor Silvestre
Cirne da Veiga mudou seu diagnóstico ao verificar que
em época de seca faltava água na Ilha e apresentou
dois inconvenientes.
Finalmente a idéia de serem construídas as duas
fortalezas, uma na ilha da Baleia e outra na ponta do Tagano,
foi descartada e criticada em 1740 pelo vice-rei e Governador
Geral do Brasil, André de Melo e Castro (Conde de Galveas).
Ele informou ao Rei que a matéria referente à
fortaleza competia à experiência do sargento-mor
Engenheiro, que por várias vezes a pedido do conde
de Sabugosa havia examinado aquelas fortalezas e considerou
as pretensões do Capitão-mor da Capitania do
Espírito Santo em fazer a fortaleza da Barra, supérflua
e inventada pelo gênio caprichoso e extravagante do
mesmo, além dele ser uma pessoa desobediente.
Em 1766 a Fortaleza foi novamente reconstruída, porque
estava bastante danificada.
No
ano de 1800 era governador da Capitania o engenheiro Antonio
Pires da Silva Pontes que escreveu uma carta a D. Rodrigo
Coutinho (conde de Linhares), que se encontrava em Lisboa,
informando sobre o parque de artilharia e as fortificações
existentes na mesma.
A Fortaleza recebeu em 1857 a classificação
de 3ª Classe, passando posteriormente para responsabilidade
da Marinha.
D. Pedro II em visita a Vila Velha em janeiro de 1860, esteve
no forte S. Francisco anotando em sua caderneta que o forte
estava ocupado por praças da Guarda Nacional e cinco
pedestres efetivos.
Em 1862 foi cedido ao Ministério da Marinha, passando
a servir como armazém.
Escola de Aprendizes Marinheiros
No Forte, a Escola de Aprendizes marinheiros funcionou por
duas vezes.
A primeira
Instalada em 1862 a escola era citada pelos presidentes da
Província com o nome de “Companhia de Aprendizes
Marinheiro”.
Em 1867, a companhia que previa um efetivo de duzentos alunos,
contava no seu efetivo somente sessenta e cinco e era dirigida
pelo capitão de fragata João Paulo da Costa
Neto e outros oficiais. Na companhia, os meninos tinham um
vasto campo onde se distraiam nas horas vagas.
O presidente da Província Francisco Luiz Bittencourt
Sampaio informou no relatório apresentado à
Assembléia Legislativa em 1868 que a Companhia de Aprendizes
Marinheiros foi criada pelo decreto nº 2890 de 08/02/862
e que funcionava com 44 aprendizes com um déficit de
156, já que a capacidade era para 200, e que o comandante
era o capitão de fragata João Paulo da Costa
Neto.
Na presidência do Dr. Luiz Antonio em 1869, ainda existia
a Companhia.
No governo de 1871 do presidente Francisco Ferreira Correa,
foi confirmada a data da criação da Companhia
de Aprendizes Marinheiros como sendo em 08/02/1862, ressalvando
que, em julho daquele ano foram expedidos para a Corte com
destino ao corpo de Imperiais Marinheiros, 59 aprendizes da
companhia cedidos pelo Ministério da Guerra da Marinha.
A Companhia Aprendizes Marinheiros foi extinta pela Lei 2692
de 20/10/1877 e o comando foi assumido pelo Capitão
do porto.
O forte São Francisco Xavier necessitava de reformas
devido às infiltrações e o Capitão
dos Portos solicitou que fosse posta em hasta pública.
A segunda
Instalada em 1909 e extinta em 1913.
Chegada do Exército Brasileiro
Em 1917 chega a Vila Velha o 50º Batalhão de Caçadores
oriundo da Bahia, ficando acantonado em prédios alugados
na sede do Município. Com o nome de 3º Batalhão
de Caçadores instala-se em Piratininga em 1919. Vindo
a ocupar também o forte, funcionando ali o Comando
(Casa das Ordens). Pela nova organização do
exército, em 1964, deixou de ser o 3º Batalhão
de Caçadores para fazer parte do Trigésimo Oitavo
Batalhão de Infantaria, tropa única sediada
em Vila Velha. Atualmente, transformado em museu militar da
região e hotel de trânsito para oficiais militares.
Forte
de São João
Erguido a partir de 1726 numa ponta da Ilha de Santo Antônio
(atual Vitória), próximo a onde hoje existe
o Clube Náutico Social e Desportivo Saldanha da Gama.
Possuía o formato de um meio hexágono irregular,
artilhado com 11 peças. Em 1841, conservava 10 peças
de diferentes calibres, aumentadas para 25 em 1847.
Reduto de Nossa Senhora da Vitória
Vizinho ao Forte de São João, cuja defesa complementava.
Em posição elevada, erguia-se sobre uma colina,
possuía formato circular e era artilhado com duas peças.
Fortaleza
do Carmo
Também chamada Fortaleza de Nossa Senhora do Monte
do Carmo. Erguida junto à praia, a partir de 1730,
no formato de um polígono estrelado. Era artilhada
com quatro peças e quatro morteiros (ou trabucos).
Encontrava-se em ruínas em 1841, nada mais restando
da mesma atualmente.
Reduto
de Santo Inácio dos Padres da Companhia
Erguido em 1726 na extremidade Sul da Vila de Nossa Senhora
da Vitória, e armado com duas peças. Nada mais
resta dele atualmente.
Forte
de São Tiago
Erguido a partir de 1726 dentro da Vila de Nossa Senhora da
Vitória, sofreu reparos em 1764. Foi abandonado e nada
mais resta do mesmo atualmente.
Forte
da Rainha
Erguido pelos ingleses a Sudoeste da Ilha de Trindade, quando
da sua primeira ocupação, a partir de 1700,
tendo sido artilhado com 20 peças. Abandonado, foi
reocupado pela Marinha britânica a partir de 1895. Com
a definição diplomática sobre a posse
da Ilha, o Forte é desguarnecido e desarmado sendo
a Ilha desocupada (ago). Em 1915, nada mais restava daquela
posição.
Fortim
de São Maurício
Localizado
sobre a praia, próximo ao Reduto de Nossa Senhora da
Vitória. Erguido a partir de 1726 por ordem do Vice-rei
Vasco César Fernandes de Menezes, Conde de Sabugosa
(1720-35), sofreu reparos em 1764. Abandonado, nada mais restava
do mesmo em 1865.
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