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Roberto Brochado Abreu

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A vida de Antônio Athayde

Antônio Francisco de Athayde nasceu no Espírito Santo em 22 de outubro de 1860. Formou-se em engenharia civil no Rio de Janeiro na antiga escola politécnica, em 1884. Em Vitória ES, lecionou Pedagogia na Escola Normal Pedro II, chegando a elaborar apostilas.

Foi professor ainda no Ateneu e no Colégio Nossa Senhora da Penha em Vitória, tanto para turmas masculinas e femininas. Em 1885 foi nomeado Inspetor Geral de Obras do Estado. Em 1887 sob a chefia do engenheiro Pantoja, atuou nos núcleos de colonização Conde d'Eu (Ibiraçu), Antônio Padro e Santa Leopoldina, sendo que em 1889 já era o Chefe da Comissão de Terras e Colonização.

Em 1888 funda o núcleo Acioli Vasconcelos, e mais tarde funda o núcleo Afonso Pena em Baixo Guandu. Em 1894, em pleno período republicano elabora a planta cadastral de Vila Velha, ES.

Em 1895 executa obra de canalização do reguinho da Fonte Grande no Centro de Vitória, usando manilhas de concreto armado, denominadas "união contínua" uma novidade para a época. Em 1909 vai com a família para o Pará trabalhar na estrada de Ferro de Alcobaça, nas corredeiras do Rio Tocantins, e volta no ano seguinte acometido de impaludismo.

Elege-se Prefeito Municipal de Vila Velha (para mandato na época de dois anos), e promove algumas retificações de ruas na Prainha. É reeleito. Bate-se pelo respeito do alinhamento das ruas, e promove várias benfeitorias para o município. Em seu tempo recebe em Vila Velha o meio batalhão de exército vindo transferido da Bahia, hoje o 38 º Batalhão de Infantaria, estabelecido em Piratininga.

Propõe expansão da área da Prainha, para o Morrinho nas fraldas do outeiro da Penha, próximo onde Padre José de Lidwin organizava seu sítio, mas perde a questão por força de decisão da Assembléia Legislativa a pedido do Bispo Diocesano D. Fernando Monteiro.

Cria o Arquivo Histórico e é uma dos poucos antigos prefeitos que deixa relatório conhecido, e impresso para distribuição. Representa o Estado do Espírito Santo nos festejos do centenário da independência em 1922 no Rio de Janeiro. Em 1926 é o Vice Presidente da Comissão organizadora do 8º Congresso de Geografia acontecido em Vitória entre 24 a 30.11.1926, sob a Presidência do General depois Marechal Candido Mariano Rondon. Foi prefeito nomeado de Vitória.

Em Vila Velha desenvolveu loteamento que foi denominado bairro Ataíde. Foi eleito a seguir Deputado Estadual por diversas vezes. Procura combater o aterro de mangues e o desmatamento do Estado. Articulou a mudança do nome de Benevente para Anchieta, e defendeu a autonomia dos municípios, mesmo pequenos.

Em 1930 por ocupar a Presidência da Assembléia Legislativa, com a saída do Governador Aristeu Borges de Aguiar da chefia do executivo estadual por conta da Revolução desse ano, exerceu por breve período o cargo de Governador. No período da Administração do Capitão Bley existindo um Conselho de Estado, chegou ser seu membro e defendeu a implantação da pasteurização do leite em Vitória, como instrumento de combate à disseminação da tuberculose.

Participa em 1916 da fundação do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, organização não governamental em funcionamento até hoje com sede própria no Parque Moscoso em Vitória. Foi Presidente da primeira diretoria eleita entre 1917 e 1919 e reeleita para o período de 1919 até 1921.

Fundador da Casa do Espírito Santo e Presidente do Museu Capixaba. Escreveu vários artigos na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, tais como sobre o túmulo de Anchieta, sobre a vida e obra de Anchieta. Elaborou conferência sobre o Barão de Mauá, Domingos José Martins e a Revolução de 1817, IV Centenário do Povoamento do solo espírito-santense. Faleceu em 15 fevereiro de 1945, aos 85 anos de idade, sendo que o então Interventor Federal Jones dos Santos Neves, concedeu uma pensão estadual a sua viúva, Dona Ana Rabelo de Ataíde.

Seu neto Aníbal Athayde de Lima foi Prefeito nomeado de Mimoso do Sul, e mais tarde chegou a Desembargador, já falecido.

Em Vitória ganhou homenagem com praça com seu nome, e em Vila Velha é homenageado com o nome de uma importante rua do centro da cidade.

Em Vila Velha por força de Lei Municipal, o antigo Prefeito Gil Veloso erigiu na praça duque de Caxias, um monumento a Ataíde, com sua efígie em bronze, e dísticos da municipalidade em agradecimento. Tal obra perdurou até meados dos anos 60 , foi sendo depredada até sua demolição na reforma da praça por volta de 1985.

O Engº Nelson Abel de Almeida profere elogio a Ataíde no Instituto Histórico Geográfico, conforme consta em sua revista de nº 17. A Casa da Memória de Vila Velha vem propondo que toda última semana de outubro ocorra o dia da história de Vila Velha em homenagem a seu patrono Antonio Ataíde, que foi a autoridade que se sabe, que primeiro se interessou na preservação da memória canela verde.

Seu bisneto é o Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Esp. Santo, Aníbal Rezende Athayde de Lima.

Por: Roberto Brochado Abreu. Membro da Casa da Memória de Vila Velha. (21/10/2009)

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