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Roberto Brochado Abreu

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Augusto Italiano

Em 3.5.1945, Frei Anacleto, ofm (Ordem dos Frades Menores) da Paróquia católica de Nª Sª do Rosário de Vila Velha, abriu livro de atas de 200 páginas, para registro do movimento religioso local, prevendo implantação do cruzeiro, construção da capela e registro gerais tanto da fase da construção como dos ofícios religiosos. Nele constou: “Este livro pertence a Capella de ‘Nossa Senhora dos Navegantes’ que será construída no arraial denominado de Ponta da Fruta."

Das atas iniciais que tive acesso, “pincei” trechos interessantes que transcrevo a seguir. É bom lembrar que na época, a Paróquia com Matriz na Prainha, atuava em todo o território do Município de Vila Velha, sendo que desde 1942 estava nas mãos da Ordem dos Frades Menores, que haviam voltado a atuar na região a pedido do então bispo diocesano D. Luis Scortegagna, inclusive no Convento da Penha, que esteve por algumas décadas sob direção direta do Bispo do Espírito Santo.

A fundação da Capela

Ocorreu em 18.4.1945, quando a convite dos fundadores Panizzardi Augusto (o Augusto Italiano) e o sr. José Rodrigues da Silva, levaram até lá os freis Luis e Anacleto, que celebraram missa campal dedicada a Nossa Senhora dos Navegantes no arraial Ponta da Fruta. Depois da missa com grande acompanhamento de católicos dos arredores, levaram até ao local destinado para a capela no alto de uma colina, um cruzeiro de madeira. A oferta dada pelos fiéis, os frades entregaram para a comissão encarregada para a construção da capela.

A conclusão da obra

Em 7.12.1945, a capela já estava pronta, com 7m por 6m, sendo que o Augusto informou que gastou onze mil cruzeiros com material e mão de obra. Nessa época ele transportou quase tudo em seu caminhãozinho. Augusto, mesmo morando na Prainha, estava enturmado com o pessoal de Ponta da Fruta, e pagava promessa ao ajudar construir a Capela. O outro fundador, sr. José Rodrigues da Silva, mandou encomendar uma imagem de 60 cm de altura de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira da Capela.

A chegada da imagem

Ocorreu em 15.12.1945, quando Frei Anacleto chegou as 10h com acompanhamento vindo de Vila Velha, com a imagem, que marcou a inauguração da capela, com benção e missa. A seguir organizou-se a primeira comissão da capela, composta da seguinte forma:

Presidente: Edgard Sampaio
Tesoureiro: José Rodrigues da Silva
Secretário: Pedro Wenceslau da Silva
Procurador:Jacintho José Teixeira
Zeladoras: Dona Elvira Maria da Roza e Dona Alzerina Abreu dos Santos
Zelador: Benedicto Tiburcio Nunes
Conselheiros: Panizzardi Augusto, e Alexandrino Abreu de França.

Foi bento também na oportunidade o cemitério do lugar. Daí cabe esclarecer se nessa colina já haviam enterramentos, e se continuaram a ocorrer.

A oferta das imagens

Em 21 de dezembro de 1946 registrou-se a oferta para a capela, captadas ao longo de quase um ano:

- a de N.S. dos Navegantes por José Rodrigues da Silva
- a de Nossa Senhora da Conceição e um crucifixo por Izabel Coutinho de Jesus
- a de São Jorge, por Ruth Góis
- dois castiçais de metal e um crucifixo por Dary Araújo e família.

A festa da padroeira

Ocorreu em 2.2.1947 havendo missa e procissão com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes ao redor da capela, sendo oficiante o Vigário frei Anacleto, que explicou os deveres de cada um a respeito da fé católica. Começam as substituições. Já no dia seguinte em acordo com os membros da Comissão, o Presidente nomeou o sr. Juvêncio Coutinho como segundo procurador.

Inventário dos bens da capela Feita em 5.5.1947, constou do seguinte:

- altar “nítido na parede”
- pedra de mármore ornada com a imagem da padroeira
- duas imagens de N.S. da Conceição, uma maior e outra menor
- um Senhor cruxificado
- meia dúzia de castiçais de metal branco
- um crucifixo de metal branco
- dois castiçais de metal amarelo
- duas toalhas de morim
- uma toalha de caqui de cor vermelha
- diversos enfeites de papel crepon
- uma pequena charola
- quatro bancos

Missa promovida pelos pescadores

Em 25 de julho de 1947, a pedido da Colônia de Pesca Z 2 dos pescadores em Ponta da Fruta, foi realizada missa dos pescadores por Frei Anacleto. Nessa época a Diretoria da Z2 era composta da seguinte forma:

Presidente – Américo Bernardes da Silveira
Secretário – Antonio Julio
Tesoureiro – João de Oliveira Santos
Fiscais – Antenor Queiroz, Antonio Nunes, Noel Leão e Edgard dos Santos Sampaio.

Denota influência de dirigentes políticos nas Colônias de Pesca que foram criadas na primeira era de Vargas em toda costa brasileira, que ao longo dos anos foram tomando caráter assistencialista e sindical.

Mais ofertas

Em 15.8.48 houve ladainha de veneração do dia de N S da Assunção. Os fiéis trataram já de reparos na capela e da obra da construção da Sacristia. Na ocasião, o Sr. Ullisse Gomes fez entrega de cem cruzeiros que estava com ele, da antiga capela do Morro da Lagoa, (denotando que já existiu uma capela por lá). Houve ainda doação de:

- dois quadros de NS da Penha pelo sr. Laurentino Mathias
- um quadro de NS da Penha pela Sra. Maria Coutinho
- uma imagem de NS da Conceição por Dona Maria Victoria da Penha
- uma imagem de NS do Parto (deve ser do bom Parto) por Dona Roza Oliveira Santos
- uma pequena mesa por sr. José Rodrigues da Silva reformada pelo sr. Sampaio

Fatos mais recentes

No final dos anos 60 do século XX, o Governo do Estado chegou a idealizar para a região próxima, já adentrando em Guarapari, a Cidade do Sol, daí depois surgir a toponímia Praia do Sol, e a seguir o nome Rodovia do Sol, que batizou assim a estrada aberta e asfaltada em 1976.

Hoje na Praia do Sol há o bairro Nova Ponta da Fruta.

Com a criação do Serviço de Turismo da PMVV no início dos anos 70 a região da Ponta da Fruta capitaneada por sua capela e festa dos navegantes passou a ter maior divulgação.

Nos anos 90 do século XX, estudantes do Centro de Artes da UFES fizeram estudo acadêmico sobre a Capela descrevendo-a como encontraram, com levantamento e propostas de melhorias.

Em nível religioso da administração católica, a Capela da Ponta da Fruta ficou sucessivamente sob a jurisdição da Paróquia do IBES e depois da Barra do Jucú.

No Morro da Lagoa, os franciscanos de Vila Velha adquiriram área nos anos 90 e criaram um centro de treinamento e retiro, sendo que já por volta de 2008 doaram parte do terreno para a Comunidade do Morro da Lagoa para ali construir uma capela própria.

Por: Eng° Civil Roberto Brochado Abreu. Fundador e membro da diretoria Membro da Casa da Memória de Vila Velha. (15/12/2009)
Agradece ajustes, acréscimos e correções a esse texto, que oferece à Comunidade de Ponta da Fruta e do Morro da Lagoa e adjacências, e à memória de Panizardi Augusto.

LINKS RELACIONADOS:

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