Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Hic et nunc – Por Nena B.

Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853)

Aqui e agora. Maldição ou profecia? O naturalista francês August de Saint Hilaire, durante bordejos tropicais no século XIX, escreveu que "talento e instrução só chegarão à província do Espírito Santo com extrema vagareza". Passados mais de cento e cinqüenta anos, o que vemos? A cultura intelectual continua na província. Incapaz de criar situações além do previsível. Falta invenção. Falta ousadia. Vivemos de acompanhar a história, muito longe de interferências radicais. A dança continua careta. A música insossa - ou é mpburra, ou é jazz comportadinho, ou é subproduto de rock. O teatro... ah! o teatro. É verdade que as artes plásticas e a literatura saíram da ignorância e deram um pequeno passo além da normalidade. Mas ainda é pouco.

Numa retrospectiva poderíamos identificar apenas dois momentos em que a cultura de ponta" tentou se impor. Primeiro nos anos adjacentes ao hoje já obsoleto ano de 1968. Vitória tinha um eficiente Museu de Arte Moderna. O cinema vivia o seu único ciclo através da produção de mais de dez filmes de ficção realizados com tecnologia precária, porém com conteúdo rico e original. O teatro tinha qualidade e público. A música propunha estéticas novas. A poesia idem. Mais recentemente tivemos uma segunda tentativa. Numa dimensão menor - pois restrito praticamente à Ufes - o fenômeno "Balão Mágico" também mantinha a intenção de ruptura e ousadia criativa. E não restou nada. Ou muito pouco.

Hoje, além do sonho da Fundação Krajcberg, não se consegue identificar sinais de transformação por perto. Talvez uma boa promessa seja o vídeo, pelo seu poder e baixo custo.

Mesmo que ainda timidamente, têm sido realizadas produções que despertam interesse. A amplitude de sua aplicação como meio pode colocar a província em sintonia com o universo na área de cultura intelectual, e, queiram os deuses, longe do conservadorismo das teses pós-modernistas. Lembramos que Mc Luhan, via Shakespeare, já esclareceu que com a televisão "o palco é o mundo". Mundo que vive atualmente o seu momento crucial de contraste entre tecnologia e miséria.

No plano político nacional, os possíveis benefícios sociais dos ares renovados não garantem necessariamente um melhor ambiente para a arte de invenção. Além de possíveis mentiras impregnadas nos discursos, sabemos que historicamente a grande maioria das esquerdas têm medo das revoluções estéticas, como já dizia a vovó Glauber Rocha. A coisa tende a ficar restrita à cultura popular e ao realismo social. Precisamos de um panorama mais amplo.

Aqui na província talvez uma dieta resolva. Deverá incluir entre outras coisas - arroz integral, soja, cerveja e antenas parabólicas. Se liguem. Ou descolem um ticket para o Japão.

O autor é artista multimídia.

 

Fonte: Painel – Informativo Cultural, maio-junho/1989, Departamento Estadual de Cultura – Ano III – nº 05
Autor: Nena B.
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2016

Curiosidades

Ururau (1827) - Por Basílio Daemon

Ururau (1827) - Por Basílio Daemon

Foram cercadas as bocas das ruas da Assembleia, de Pedro Palácios, ladeira de Palácio, rua da Imprensa e ladeira da Misericórdia

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Tropeiros percorrem em 20 dias 650 quilômetros de história

Ao longo de 20 dias, um grupo de 13 capixabas está revivendo parte da história do Brasil Colônia ao refazer os passos de Dom Pedro pelo interior do Estado

Ver Artigo
Pedra da Onça - Por Seu Dedê

Localizada à margem esquerda do canal da Costa, braço sul. De frente ao Shopping Praia da Costa 

Ver Artigo
Ponga de Bonde – Por Edward Athayde D’Alcântara

Existe uma diferença entre carona e ponga

Ver Artigo
Praia da Sereia - A origem do nome

A origem do seu nome remonta aos primeiros anos do século XX, quando chegaram a Vila Velha, vindos do Rio de Janeiro, alguns construtores para construir o Terceiro Batalhão de Caçadores

Ver Artigo
Viajantes Estrangeiros ao ES – Wied, Freyreiss e Sellow

Pouco antes de iniciarem excursão pelas províncias do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, chegou à Corte, em meados de junho de 1815, Maximiliano Alexandre Philipp, Prinz von Wied-Neuwied

Ver Artigo