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Introdução do Livro Escritos de Vitória - Por Jorge Alencar

Escritos de Vitória - Esportes

Posso dizer que o meu gosto pela prática de esporte começou tardiamente. Fui um moleque que disputava as peladas de rua na Vila Rubim e no areal da Ilha do Príncipe. Como sempre gostei de correr, minha função em campo era correr atrás da bola, literalmente, já que até hoje, não consigo fazer "pezinho" sem perder a bola na quarta embaixada. Sempre era um dos últimos a ser escolhido para participar dos times, quando não ficava na reserva.

Isto é o que se pode chamar de "Curriculum Mortis" de um "esportista". Olha que lá pelas bandas da Vila Rubim existia tradição no remo, futebol de salão e futebol de campo. Mas não teve saída. Cheguei a ir por duas vezes aos treinos de futebol de salão do Náutico Brasil — insucesso total. Cedo descobri que era um grande torcedor, gostava de assistir à molecada conhecida treinando na quadra do Álvares e do Náutico. E de participar das reuniões do time do Clube Americano. Durante muitos anos, fui um torcedor assíduo dos jogos de futebol de salão realizados na quadra do Sesc. Dava gosto ver aquela garotada rolar a bola com total controle.

Educação Física, para mim, era um verdadeiro suplício. Enfrentei as aulas do ginásio da Escola Técnica Federal do Espírito Santo, mas não foi o bastante para me dar o gosto pela ginástica. Nesta época, tinha uma admiração especial por duas figuras peculiares do meu bairro: Paulo Régio e o filho do Clério Falcão, que faziam atletismo. Paulo Régio treinava na Rua Santo André, na Vila Rubim. A rua era de barro. Ele calçava a sapatilha de couro com pregos de ferro e ficava dando aquelas arrancadas pra lá e pra cá. O Wilson fazia o mesmo na pista de atletismo da Escola Técnica. Tenho uma impressão: se tivesse sido estimulado, poderia ter sido um corredor competitivo. Nas disputas de corrida no bairro, ganhei algumas vezes.

Mas o gosto pela ginástica veio com o serviço militar. Durante um ano, aprendi a tirar prazer do exercício físico. Corridas com coturno e calça verde-oliva, sob um sol de 30 graus, deixam qualquer um com preparo. Deste tempo até hoje nunca mais deixei de correr, participando, inclusive, de algumas corridas de rua. Uma outra paixão tem sido o ciclismo. Com estes dois esportes, me disciplino, harmonizando meu corpo e minha mente — um ensinamento que aprendi cedo na Escola Técnica Federal e que só fui utilizar quando já era adulto.

Para quem nunca foi um grande esportista, vi-me, de uma hora para outra, secretário de Cultura e Esporte de Vitória. Lembro-me bem que no primeiro contato com as lideranças esportivas da nossa cidade fui logo explicando que nunca tinha sido um atleta, um jogador de futebol, basquete, vôlei..., mas que procuraria não decepcioná-los, elevando cada vez mais o esporte em Vitória. E, como uma das primeiras iniciativas, criamos as Escolinhas de Futebol, em São Pedro e de Atletismo. Todas reunindo crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social. Levamos o mundo dos esportes e da educação, uma vez que as crianças têm de estar estudando para participar das aulas esportivas. Uma das condições para as crianças participarem é a de estarem matriculadas nas Escolas da Rede Municipal de Ensino.

Estes Escritos de Vitória revelam traços de figuras instigantes da história esportiva de Vitória — de desportistas, na sua maioria, e não de literatos. Eles reservam momentos de saudosismo e humor, escritos como depoimentos de um tempo.

 

JORGE ALENCAR, Secretário Municipal de Cultura e Turismo

 

Escritos de Vitória - Uma publicação da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Vitória-ES.

Prefeito Municipal: Paulo Hartung

Secretário Municipal de Cultura e Turismo: Jorge Alencar

Diretor do Departamento de Cultura: Rogério Borges de Oliveira

Coordenadora do Projeto: Silvia Helena Selvátici

Conselho Editorial: Lígia Maria Mello Nagato, Elizete Terezinha Caser Rocha, Lourdes Badke Ferreira

Revisão: Reinaldo Santos Neves e Miguel Marvilla

Capa: Remadores do barco Oito do Álvares Cabral, comemorando a vitória.
Baía de Vitória - 1992

Foto: Chico Guedes

Editoração Eletrônica: Edson Maltez Heringer Impressão: Gráfica Ita

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