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Jornal Folha Capixaba

Jornal Folha Capixaba

O jornal surgiu quando se encerrava o Estado Novo, Getúlio Vargas deposto e o Partido Comunista na legalidade. Quando circulou pela primeira vez, em 1º de maio de 1945, seus proprietários eram João Calazans e Érico Neves, donos da tipografia onde ele era rodado, mas administração, distribuição e assinaturas ficaram a cargo de membros do Partidão no Espírito Santo.

O jornal dava ênfase aos esportes, ma era na política mesmo que pontificava. No primeiro número, ele era saudado por ninguém menos que Luiz Carlos Prestes, o presidente nacional do partido recém legalizado:

“Ao saudar, neste primeiro número da Folha Capixaba, o povo do Espírito Santo, evoco a memória de Domingos José Martins, herói e mártir de 1817, padrão e guia do Brasil democrático e progressista a que haveremos de chegar. Que Folha Capixaba seja digna dessa tradição e saiba defender com sinceridade e inteireza os superiores interesses do povo espírito-santense e dos Estados vizinhos é o que almeja Luiz Carlos Prestes – 16/04/1945.”

 O jornal se tornou rapidamente o porta voz da classe operária, do povo, que seria seu maior propagandista e comprador de bancas, além de assinante. As manchetes que publicavam dão a exata medida dessa preocupação: “Escolas para o povo”. “Manteiga acima da tabela”, “Ônibus para Colatina”. No que diz respeito à atuação estadual, era um jornal de denúncias.

Isso fez dele um caso único. Não precisava apenas das vendas avulsas ou assinaturas para sobreviver. Fazia isso graças a anúncios, sobretudo de estabelecimentos populares, como padarias, açougues e outros, todos de proprietários da baixa classe média e simpáticos a eles.

Chegou a ser um dos destaques da época em termos de tiragem, concorrendo diretamente com A GAZETA e a TRIBUNA. E fazendo oposição principalmente a essa segunda, considerada por ele como um jornal fascista. De A GAZETA pouco se opunha. Tanto que alguns jornalistas daquela empresa também trabalhavam na Folha ou então figuravam entre os seus colaboradores.

No plano político, o jornal mantinha um relacionamento amistoso com os governantes. Na única vez em que apoiou claramente um candidato, o fez quando Francisco Lacerda de Aguiar, o Chiquinho, sabidamente um populista, foi adversário de Jones dos Santos Neves, em 1960. Até hoje esse apoio é considerado como tendo sido decisivo para a eleição de Lacerda de Aguiar.

A vida da Folha, como era de se esperar, teve fim quando do golpe de Estado de 1964. O jornal foi então fechado e seus exemplares, incendiados. Hoje é muito difícil encontrar registros dele, sendo que o pouco disponível se encontra no Arquivo Público Estadual e, mesmo assim grande parte em péssimo estado.

Mas os antigos jornalistas, que trabalhavam nele muitas vezes sem receber por acreditarem nas causas que defendia, consideravam o matutino do Partidão como “uma escola de democracia”. Isso chegou a ser reconhecido até mesmo por adversário, durante e depois da existência do jornal.

 

Fonte: Revista a'angaba, Ano I - Número 02 - dez/2008, publicação da Associação Espírito Santense de Imprensa (AEI)
Compilação: Walter de Aguiar Filho que pesquisou no Instituto Histórico e Geográfico do ES, do qual é membro - agosto/2011

 

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