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Rua Coronel Monjardim (ex-rua da Capelinha) - Por Elmo Elton

Rua Coronel Monjardim, 1928

Chamou-se, a princípio, Rua da Capelinha, visto que, ali, se erguia a capela da Ordem Terceira do Carmo. Era estreito caminho que, do pé da ladeira do Convento de São Francisco, ia ter à Fonte Grande. Foi nivelada e calçada em 1889, quando intendente o coronel Joaquim Corrêa de Lyrio. Nesse antigo caminho, já por volta de 1760, existia um amado Palácio dos Capitães-mores ou Casa das Portas Vermelhas, uma parte dando para o Pelames, a outra para a Rua da Capelinha, construção demolida no primeiro meado deste século. No referido imóvel residiram vários capitães-mores e, mais tarde, o coronel José Francisco de Andrade e Almeida Monjardim, cujo nome veio a ser dado ao logradouro, por decisão da Câmara, a 27 de fevereiro de 1881. Sabe-se que Monjardim é corruptela, ou melhor, forma aportuguesada do nome de família Mongeardino, de origem italiana, sendo que o coronel Inácio João Mongeardino, pai do atual patrono da rua, foi capitão-mor-governador do Espírito Santo, empossado no cargo em 1782.

Inaugurou-se, nessa artéria, a 16 de dezembro de 1877, o Café do Carmo, localizado em meio a pequeno parque, aliás o primeiro da cidade. "ponto de reunião elegante das famílias vitorienses".

O prefeito Moacyr Avidos providenciou, no final da década de 20, novo recuo da Cel. Monjardim, assim como já o fizera, na mesma ocasião, com outros logradouros centrais da cidade.

A 13 de fevereiro de 1930, na Praça do Carmo (atual Praça Irmã Josepha Hozanah), que fica defronte da Coronel Monjardim, registrou-se grande tiroteio, quando ali se realizava um comício promovido pela Aliança Liberal. Na ocasião, ficaram feridas várias pessoas, com alguns mortos, inclusive o ajudante de ordens do Secretário da justiça, que, recostado ao portão de sua casa, na Coronel Monjardim, fora atingido por um balaço.

Residiram, aí, pessoas de destaque na vida social e cultural de Vitória, tais como: — Dr. Antônio Francisco de Athayde, engenheiro, político, administrador e fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Drs. Afonso Schwab e Dório Silva, médicos conceituadíssimos, Demócrito Silva, a parteira Augusta Mendes, o poeta Hilário Soneghet, Fernando Osório de Miranda, os Neves, os Calhaus, os Serrat, a historiadora Maria Stella de Novaes, no número 53, onde mantinha precioso orquidário, depois vendido ao Estado.

O coronel José Francisco de Andrade e Almeida Monjardim, falecido a 24 de janeiro de 1884, teve vida inteiramente consagrada ao Espíritos Santo. Membro da Junta do Governo Provisório, representou a província na coroação do imperador D. Pedro I, sendo sua figura focalizada no célebre quadro de Debret. Colaborou na fundação de Viana. Comandante da Guarda Nacional, foi vice-presidente da província, em períodos diversos.

 

Fonte: Logradouros antigos de Vitória, 1999 – EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2017

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