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Ano de 1779 - Por Basílio Daemon

Trapiche da Barra de Itapemirim, inaugurado em 8 de setembro de 1885

1779. São sujeitos a pregão e praça na povoação de Itapemirim, os escravos Henrique e Joana, pertencentes a órfãos, em frente à casa do reverendo vigário da mesma freguesia, padre Antônio Ramos de Macedo, onde se achava hospedado o juiz ordinário e de órfãos Domingos da Costa Porto com o escrivão de seu cargo Antônio Coutinho de Queiroz. Sendo apregoados e afrontados os ditos escravos pelo alcaide da vila, José do Vale Coutinho, foram os mesmos arrematados pelo vigário da freguesia pelo preço de 102$200, sendo-lhe entregues tantos escravos como o ramo, com a condição de ficar a mesma quantia na mão do arrematante por tempo de um ano e correndo o juro, sendo fiador do dito vigário Macedo que os arrematara um Domingos de Souza Bueno Caxanga, morador no sítio do Caxanga. Possuindo nós este original assinado, provamos ser o padre Antônio Ramos de Macedo o primeiro vigário daquela freguesia e não o padre Oliveira Fontoura, como muitos julgam, e que o nome de Caxanga, dado primeiramente ao Itapemirim, já era antigo e proveniente dos possuidores do terreno que ainda hoje tem esse nome, e derivado do chefe dessa família, Domingos de Freitas Bueno Caxanga, e não do aparecimento de um boi bravio nas matas dessa localidade e que tinha esse nome.

Idem. Por documento que existe em nosso poder, e que consta também de um livro de registros da Câmara Municipal desta cidade, neste ano estava no governo interino da capitania do Espírito Santo o capitão-mor Anastácio Joaquim Moita Furtado, isto a 11 de novembro deste mesmo ano, passando o governo da capitania a Raimundo da Costa Vieira, que o passou também a João Ramos dos Santos, parecendo-nos terem todos servido interinamente, visto que em 1781 tomou posse do cargo de capitão-mor, governador subalterno da Bahia, Álvaro Correia de Morais.

Idem. É comissionado, em 6 de novembro deste ano, juiz de órfãos Domingos Fernandes Barbosa pelo ouvidor geral do Rio de Janeiro, para ir à vila de Nova Almeida obstar um motim e abrir devassa sobre as reuniões promovidas por Manoel Antunes e Manoel da Costa, que vieram de Porto Seguro a revolucionar o povo daquela vila, não sabendo-se qual o resultado desta diligência.

Idem. Neste ano oficia em uma festividade na vila de Guarapari, e pela primeira vez, o padre Jerônimo Pereira, natural dessa vila, possuindo por seu patrimônio os terrenos vazios ali existentes no lugar chamado Tapera. Mais tarde o padre Jerônimo Pereira foi nomeado vigário colado de uma freguesia de São João da Barra, ou rio de São João, como chamavam os antigos, sendo depois nomeado cônego. Ainda nesta província, no Cachoeiro de Itapemirim, existe o Sr. Joaquim José Pereira Gonçalves que fora por ele batizado. Faleceu em sua vigararia bastante velho, tendo sido íntimo amigo do visconde de Sepetiba e acérrimo membro do partido liberal.

 

Nota: 1ª edição do livro foi publicada em 1879
Fonte: Província do Espírito Santo - 2ª edição, SECULT/2010
Autor: Basílio Carvalho Daemon
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2019

 

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