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Colégio Americano Batista de Vitória

Colégio Americano

O Colégio Americano Batista de Vitória surgiu do carinho, do amor e dedicação. Através dele, ou por ele, passaram as mais ilustres figuras representativas de nosso Estado e nosso país, cujo brilho atinge o mundo inteiro. Seus ex-alunos, hoje, são engenheiros, médicos, advogados, pastores, professores, políticos, ministros, químicos, literatos, etc, etc, etc... A vida do Colégio Americano é uma página gloriosa e honrada na história do ensino no Estado do Espírito Santo.

O Colégio Americano nos ensinou a Viver e Conviver. É uma lembrança saudável e inesquecível de nosso tempo juvenil. Faz-nos transportar para o reino da poesia, da música e da saudade como diria a ex-aluna Beatriz Faria Santos Rabelo.

 

Quando transpus o seu portão de ferro,

De novo eu me senti uma estudante!...

E estas lembranças, que no peito encerro,

Eu as revivo agora, neste instante.

 

E deixei que a saudade, docemente,

Daqueles tempos viesse em mim pousar!...

Contemplei-o de longe, longamente,

Mas não tive coragem para entrar!...

 

Sonoroso, doce, suave, terno é o hino do Colégio. O autor da letra e da música foi meu Professor, Rev. Renato Ribeiro dos Santos; culto, inteligente e notável figura humana. Eis a letra:

 

Tem Vitória um luzeiro brilhante

Que de Deus pela fé se acendeu

Esta escola a luzir deslumbrante

Neste solo, onde forte nasceu

Anteviu Loren Reno, gigante

Na visão que o futuro lhe deu,

Esta forja, bendita, possante,

Num alcandor de glória apogeu

 

Salve, Salve o Colégio Americano!...

Pela Glória do Brasil!...

 

Nesta casa onde a luta é gloriosa

Nesta casa onde é santo o labor

Gente moça se torna formosa

Na virtude, cultura e valor

A lutar pela pátria ditosa

E servi-la com férvido amor,

Estudai, mocidade radiosa

Trabalhai, estudai com vigor.

 

No dia 4 de outubro de 1904, desembarcava em Vitória, para trabalhar intensamente pelo povo capixaba, até o dia 5 de Março de 1935, quando faleceu, o notável homem de Deus, Loren Reno. Ao seu lado esteve sempre a sua incansável esposa Alice Reno. Em 1907 iniciou aquele que viria a ser um dos maiores e mais importantes colégios do Estado.

Juntando o ideal evangelístico e de educador, Loren Reno percebeu que poderia iniciar uma grande obra, levando ao povo capixaba a luz da salvação e a luz do saber. Sem parar um dia na importante obra de evangelização, enfrentando dois grandes problemas: as dificuldades da língua portuguesa e a incredulidade do povo transmitida através de perseguições e até violência.

Nascia, portanto, o Colégio Americano Batista de Vitória, nesta cidade sol, neste jardim de hespérides e nesta ilha hospitaleira, O autor destas linhas a descreveu assim:

 

Cidade rica, bela, cristalina

Vitória, azul anil, Vitória amada.

Cidade pura, gesto de menina

E você um dia a trocou por nada.

 

A filosofia do Colégio sempre foi: “O fim principal da educação é o caráter” e na Avenida Schimidt ficou cinco anos. Em 1912, transferiu-se para a Rua General Osório, onde estava sendo construído o monumental templo da Primeira Igreja Batista de Vitória. Em 1915, iniciou-se o regime de internato.

Em 1920, foi adquirida a Chácara do Moscoso, uma grande área num lugar nobre da cidade. Em 1934, dia 7 de Setembro, com a presença do Governador do Estado, foi inaugurado o prédio que até hoje se mantém imponente e em pleno uso, como o prédio principal do complexo do centro. Os recursos, praticamente todos, vieram de irmãos americanos.

Loren Reno desfrutou apenas um ano do belo edifício, No dia 5 de Março de 1935, quando o outono muito breve iria cobrir a terra de folhas suaves como a saudade, o ilustre educador foi chamado aos céus. Era madrugada. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de Santo Antônio – Vitória. Do casal Reno nasceram três filhas: Margarida, Carrie e Etta Fern. O povo da terra capixaba lhe conferiu a justa homenagem, exigindo o seu túmulo onde se encontra gravado o seu nome. É a indelével gratidão ao homem que, com humildade, marcou com seu exemplo as gerações que receberam sua influência na formação de suas vidas. Era um ideal tão profundo que a escola o tinha já um nome cuja legenda ficaria para todo sempre: Colégio Americano Batista. “Americano” em virtude dos métodos de ensino aplicados. “Batista” por ser a sua própria identificação. O seu progresso e a porção de destaque que hoje ocupa no cenário educacional do Brasil é a mais eloquente demonstração de que o ideal de Loren Reno nasceu primeiramente no coração de Deus, pela sua graça, tornando a sua obra o majestoso Império Educacional de Vitória.

Alberto Stange Juniro foi o seu sucessor na grande obra, inaugurando uma segunda fase na vida do seu Educandário, que durou mais de 30 anos, com expansão do Colégio, construção de outros prédios e notável penetração na sociedade. As principais famílias de Vitória tinham seus filhos matriculados no Americano. Cresceu não só no aspecto físico, mas especialmente no seu produto, o ensino, com seus vários cursos Científico, Clássico, Contabilidade, Formação de Professores e vários outros.

Dr. Alberto Stange Junior era uma inteligência polifórmica. Foi Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Membro da Academia Espírito Santense de Letras, Professor, Advogado, Ex-Deputado Estadual e Ex-Presidente da Assembléia Legislativa, Membro de várias entidades culturais do Estado e do país. Era amigo inseparável. Podemos afirmar que era Um Homem Bom. Particularmente devo meus estudos a ele. Com muito orgulho e humildade ocupo sua cadeira na Ala (Academia de Letras e Artes), de Lisboa, Portugal, atualmente. Ele soube honrar nosso Estado. Discípulo de Loren Reno, homem dinâmico, conhecedor dos mais elevados moldes de ensino.

Em 1936, ajudado pelo missionário A. J. Terry, Dr. Stange consolidou a estrutura jurídica do Colégio. Em 1941, construiu o Refeitório, a Biblioteca e uma grande área de cimento armado.

Em 1945 – Depois de vários cursos em funcionamento e grande número de matrículas, foi preciso construir novas salas de aulas e em pouco tempo foram inauguradas 11 salas no grande edifício Alice Reno.

Em 1955 a propriedade ao lado do Colégio foi instalado o jardim de Infância. Havia 1500 alunos e 60 professores.

Sua obra estendeu-se de tal maneira que o Colégio foi classificado em 1º lugar no inquérito promovido pela Sociedade Informativa da Imprensa Interamericana.

Além destas atividades, ainda funcionava o Curso Bíblico sob a direção do Pr. Carlos Leimann.

A administração Alberto Stange Junior foi marcada pelo crescimento técnico-científico da entidade.

Em 1967, o Dr. Stange passava a direção ao educador Nelson Rangel, cuja administração se estenderia até 1982. Atenção especial foi dada aos cursos profissionalizantes, tais como: Patologia Clínica, Desenhista e Projetista, Técnico de Química, Administração, Secretariado, Tradutor e Intérprete.

As atividades do Colégio têm sido intensas: Festas – Dia dos Pais, do Estudante, da Criança, do Professor, do Aniversário do Colégio, assim como as diversas formaturas, etc...

Em continuidade, são intensificadas as sessões Cívico-Sociais, Religiosas em Assembléias semanais, Mostras de Trabalho, Feira de Plantas, Cursos de Aperfeiçoamento na área de esportes; têm sido realizados campeonatos inter-classes de futebol de salão e basquete com intercâmbio com outros Colégios. Conservando o lema deixado por Loren Reno, no firme propósito de que “O fim principal da Educação é o Caráter”, o Colégio Americano Batista “Ampliou suas tendas e estendeu suas habitações”.

O fortalecimento da orientação educacional foi outro destaque com implantação do Conselho de Classe, Semana Pedagógica, Conselho Técnico Administrativo, etc...

A orientação espiritual foi outro ponto de relevância, com programação religiosa, voltada para alunos e seus familiares. Neste tempo nasceu o Instituto Tecnológico, o embrião do atual Seminário, Outra virtude do Colégio é a seleção de seus Professores. Os melhores, os mais selecionados ou capacitados, intelectuais, honrados e os mais ilustres. Apontar os melhores cairia em erros. O Colégio Americano Batista continua sendo uma notável força na Educação do Estado do Espírito Santo, como milhares de alunos de todos os segmentos sociais, que se unem como autêntica família.

Atualmente dirige o Colégio Americano o Prof. Derli Baiense Moreira, com invejável currículo e indiscutível capacidade administrativa, que devolveu ao Colégio os melhores dias de sua história. Tomou posse em 11 de outubro de 1984 e assentava-se na famosa cadeira de Loren Reno. O novo Diretor abriu o Livro Sagrado (A Bíblia) e encontrou as palavras do Profeta Ageu: - “Esforçai-vos e trabalhai; porque Eu sou convosco – Diz o Senhor dos Exércitos” Ageu 2:4.

O Colégio Americano já atingiu, no ponto mais alto da sua história, 4270 alunos matriculados. Mede-se a competência e visão de um administrador pelos auxiliares que reúne ao seu lado. A Administração do Prof. Dr. Derli Baiense vem sendo também marcada pela competente equipe que montou. Para somar às desafiadoras exigências de uma administração fecunda, especialmente com a expressiva expansão, o Colégio foi buscar na experiência e na invejável folha de serviço à denominação, o Pastor Doutros Orivaldo Pimentel Lopes, para ocupar o cargo de diretor administrativo,completando assim a constelação diretiva do Colégio, cujo clarão brilha nos céus desta terra de Domingos José Martins. O Pastor Orivaldo Pimentel Lopes é intelectual, ex-aluno (sou muito do seu gosto), meu colega de turma para meu orgulho pessoal e atualmente membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo.

Na direção Derli Baiense o progresso é sentido diariamente, o Colégio caminha vitorioso, marcado por expressivo crescimento patrimonial, numérico, educacional e espiritual.

Loren Reno, depois de morto, ainda fala “Com o desejo de servir ao povo capixaba, fundei o Colégio Americano”!

Enfim o nome de Deus tem sido glorificado através da chama que permanecerá acesa, imortalizando a Obra Evangelística e Educacional do seu eminente fundador.

Agradecemos a Deus o privilégio de apresentar ao povo capixaba, nas comemorações da Cidade de Vitória a História do Colégio Americano, tenho certeza que o ideal de Loren Reno se tornou uma luz que não se apagará.

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Nº 44, 1994
José Paulo de Souza Filho
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2012 



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