Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

O caçador de Forno Grande – Por Maria Stella de Novaes

Forno Grande, localizado no Município de Castelo

Forno Grande é um Monte, no Município do Castelo.

Diziam, antigamente, que, em tempos remotos, antes de ser o lugar habitado pelas tribos indígenas, o dominavam gênios infernais que, ali, estabeleceram uma comunicação com as entranhas da Terra.

Posteriormente, vieram os puris firmar-se, na região; foram, porém, afastados, pelos bandeirantes mineiros, cobiçosos das famosas minas de ouro e pedras preciosas.

Segundo relatos diversos, na fase inicial do desbravamento, quando chegaram os primeiros povoadores brancos, havia ainda quem fizesse tratos com o demônio, com o saci, o curupira, etc., ou procurasse vencê-los. Por isso, um caçador, desejoso de penetrar nas matas de Forno Grande, e chegar até o lugar encantado, a fim de apoderar-se do ouro e das pedras preciosas, apostou com amigos: Havia de vencer o saci, representante do Príncipe das Trevas, naquele temido lugar. Em caso de vitória, seria eleito chefe do povoado.

Partiu, numa madrugada. Subiu. Venceu cipós e espinheiros. E, quanto mais andava, mais distante se lhe apresentava a cratera fantástica. Passou o dia, andando...

Aproximava-se a tarde e nem sinal de caça, — jacutingas, veados, pacas, etc.

Exausto, sentou-se, numa pedra, junto a uma extensa laje, coberta pela fronde de um mulembá. Repousou; mas, na hora da Ave-Maria, sentiu ligeiro estremecimento da terra. Aprestou a espingarda. — Seria o momento de vencer o mistério? Não. Jamais voltaria ao povoado, sem, ao menos, um saquinho de ouro, no bolso.

Súbito, em saltos característicos, sobre a laje, que se levantara, parcialmente, surge o saci, a fazer-lhe trejeitos. Presa do pavor, o homem larga a espingarda, para fazer um esconjuro e traçar o Sinal da Cruz; ágil, porém, o negrinho descarrega a arma e atira-a distante.

Em disparada, sai o homem, seguido pelo gênio das estradas desertas. Corre, corre... passa correndo, no povoado, onde as luzes já estavam apagadas e os moradores dormiam! Nem uma porta aberta, porque todos receavam o desfecho da aventura e não queriam envolver-se com o saci.

E o homem continua correndo, até hoje. Corre, corre, para que outros possam viver, em paz, salvos do perigo do lugar, ainda chamado Forno Grande, embora extinta a cratera do saci.

 

Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2016

Folclore e Lendas Capixabas

Ilha dos Frades – Por Adelpho Monjardim

Ilha dos Frades – Por Adelpho Monjardim

Nos primeiros dias da Colonização a Ilha dos Frades se chamava Valentim Nunes, doada que fora a esse companheiro de Vasco Fernandes Coutinho

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Festejos de Vila Velha - Por Edward Alcântara

Lembro da “Lapinha” de origem pernambucana, aqui introduzida nos fins do século XIX pelo Desembargador Antonio Ferreira Coelho, grande incentivador dos festejos canela verde de então

Ver Artigo
São Benedito do Divino e de Reis – Por Seu Dedê

Atualmente, em Vila Velha, Leonardo Santos (Mestre Naio) e a Mônica Dantas, conseguiram restabelecer os festejos de São Benedito

Ver Artigo
Festas Juninas – Por Seu Dedê

Vila Velha comemorava as festas de Santo Antônio, São João e São Pedro, respectivamente nos dias 13, 24 e 29 de junho

Ver Artigo
A Festa Do Divino – Por Areobaldo Lellis Horta

Foi na povoação de Jacarandá, município de Viana, hoje Jabaeté, que vi pela primeira vez uma bandeira do Divino Espírito Santo

Ver Artigo
Os Santos Populares – Por Aerobaldo Lellis Horta

Santo Antônio, São João e São Pedro foram sempre considerados santos populares

Ver Artigo