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Rodovia do Sol

Rodovia do Sol - Foto: Acervo Tuffy Nader

Nos idos de 1967, quando Christiano Dias Lopes resolveu comandar uma ação direta e objetiva em favor do desenvolvimento turístico estadual, era criada a EMCATUR, que ensejou o aparecimento das primeiras ações de planejamento, a maioria das quais tivemos a satisfação de conduzir, na qualidade de dirigente da então jovem empresa.

Foi uma tarefa difícil, árdua, cheio de entusiasmo e dedicação. O próprio país, em matéria de turismo, começava a engatinhar, pois a EMBRATUR fora criada um ano antes.

Dois fatos, no entanto, tínhamos como prioridade absoluta: o efeito planejamento turístico, com base na decantada potencialidade estadual, e mais do que tudo, o sonho da Rodovia do Sol, luta que iniciamos pela imprensa em 1960, quando a BR-101 era a única via de acesso aos nossos principais balneários, deixando-os, assim mesmo, a uma distância média de 10 quilômetros, em desafiantes estradas esburacadas e atoladiças.

A melhoria do acesso a Guarapari, a própria fama conquistada por aquele balneário, geravam todos os anos graves problemas urbanos e infra-estruturais, comandando um desordenado e explosivo processo de crescimento que precisava ser contido nos limites do bom senso, fato que mesmo hoje ainda se justificaria.

Sonhamos, então, com a despolarização de Guarapari, passando a defender a saída lógica, cuja principal razão casava-se maravilhosamente com o sonho da Rodovia do Sol, que seria, como agora o é, uma opção litorânea, voltada para a descoberta de outros balneários, promovendo-se, consequentemente, um desenvolvimento integrado, com multiplicidade plástica para os equipamentos, equilibrando-se os investimentos e criando-se, pela efetiva integração da iniciativa privada, ofertas mais evoluídas para um mercado cada vez mais exigente.

Planejamos, ainda, para dar um exemplo concreto, a Cidade Sol. Foi uma tentativa que esperamos pudesse ser assimilada pela iniciativa privada, gerando com efeito multiplicador outros empreendimentos de porte, propiciando a conquista de um estágio de desenvolvimento turístico digno das excelentes condições locacionais do Estado, situado privilegiadamente nos limites da chamada megalópolis centro-leste brasileira, região que detém o maior mercado emissor de turismo interno. Mas, este projeto também não chegou a ser assimilado, em sua plenitude turística e econômica, pelos nossos centros de decisão.

Muita coisa, no entanto, poude ser feita naqueles tempos. Sem encontrar parâmetros, partimos à escoteira para a montagem de dois projetos importantíssimos e pioneiros em termos turísticos nacionais; O Plano de Desenvolvimento da Faixa Radioativa e o Urbo-Agro-Industrial e Turístico da Cidade do Sol, cujos enunciados ainda hoje, com ligeiras correções face ao crescimento estadual, que era necessário despolarizar Guarapari.

As obras foram iniciadas no Governo Dias Lopes num ritmo enérgico e corajoso. O litoral foi invadido pelas máquinas e o barro vermelho revolto deixava à mostra uma estrada moderna, larga, com opção generosa de ampliação, na antevéspera do asfalto.

E, tanto se acreditou na obra que ela avançou muito, tornando-se, praticamente, irreversível em qualquer Governo.

Deve-se ao ex-Governador Élcio Álvares, que mantém estreitos laços sentimentais e administrativos com Guarapari, tornar realidade a pavimentação do trecho mais importante, levando-o de Vila Velha a Guarapari e Meaípe, com duas pistas e moderna iluminação.

A Rodovia do Sol, que sempre entendemos cobrindo o trecho Aracruz-Marataízes, hoje nos transmite uma grande alegria, porque ela está definitivamente plantada sobre a garantia de um contrato assinado pelo Governo do Estado, através do DER-ES, que assegura a construção do segmento Meaípe-Ubú-Anchieta-Iriri-Piuma-Itaipava-Barra de Itapemerim em 240 dias, com investimentos superiores a CR$ 1 bilhão.

O anel rodoviário e turístico do sul estará, com a conclusão desta obra, revelando aos olhos dos turistas um dos mais inesquecíveis panoramas deste Estado.

O DER-ES, no entanto, ainda estará em débito para com o anel rodoviário e turístico do norte, pois falta pavimentar o trecho Nova Almeida-Santa Cruz-Aracruz que, executado, dará corpo e alma à Rodovia do Sol.

 

Autor: Cacau Monjardim, maio de 1982
Fonte: Capixaba, sim (hoje mais do que ontem), Vitória/ES-2006
Compilação: Walter de Aguiar Filho,setembro/2011



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