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A PMES na Guerra do Paraguai: há 150 anos – Gelson Loiola

Guerra do Paraguai - Tríplice Aliança

No dia 11 de novembro de 1864, o presidente do Paraguai, Francisco Solano Lopes, em resposta a intervenção brasileira no Uruguai, determinou o aprisionamento do navio brasileiro “Marques de Olinda”, que navegava no Rio Paraguai, o incorporou a Marinha paraguaia, confiscou todos os bens a bordo e declarou todos os passageiros, prisioneiros de guerra, a qual foi formalmente declarada por Solano Lopes contra o Brasil, em 13.12.1864.

A incursão no ataque pelo Exercito Paraguaio, em 27.12.1864, ao Forte Coimbra que dá nome ao distrito de Corumbá, cidade do atual Estado do Mato Grosso do Sul, o imperador D. Pedro II, baixou o Decreto nº 3371, de 7.01.1865, criando os “Corpos para o serviço de guerra [...], com e denominação de – Voluntários da Pátria [...]”, composto por cidadãos entre 18 e 50 anos de idade, e pelo Decreto n.º 3383, de 21.01.1865, fixou o quantitativo de guardas nacionais a ser fornecido pelas províncias, e o total a ser enviado pelo Espírito Santo, foi de 208 integrantes.

O primeiro efetivo capixaba a ser enviado para a Guerra do Paraguai conforme afirma Daemon (1879), seguiu em 14.02.1865, inclusive relacionou nominalmente onze oficiais, três cadetes, três inferiores e dois médicos, destacando o embarque do cabo capixaba Francisco Araújo (Chico princesa), posteriormente, morto em combate e comissionado no posto de tenente por atos de bravura.

Em 1º de maio de 1865, foi lavrado o Tratado da Tríplice Aliança onde Império do Brasil, a República Argentina e a República do Uruguai se aliaram contra a República do Paraguai. Em 26.05.1865, o presidente, José Joaquim do Carmo informou em seu relatório que mais 273 voluntários se encontravam prontos para seguir em defesa da pátria.

Em 20.04.1866, o presidente Allexandre Rodrigues da S. Chagas, relatou a Assembleia Legislativa, que seu governo, já fornecera 162 integrantes na guerra do Paraguai, e que, somados a gestão anterior, o Espírito Santo já contribuíra com 500 praças, um número relevante em relação à população capixaba.

Devido à necessidade de recompor os contingentes na guerra, em 1868, D. Pedro II determinou o envio dos efetivos dos Corpos de Policia das Províncias brasileiras para o conflito. O primeiro efetivo da Companhia de Polícia capixaba, composto por 33 praças, recebeu a autorização de fornecimento das passagens para o Rio de Janeiro a bordo do vapor Juparanã, conduzidos pelo comandante da Corporação, através do expediente nº 101, de 27.03.1868. O seguimento da tropa ocorreu em 28.03.1868, conforme publicou o Correio da Victória: “Embarque de Tropa. – A bordo do Juparanã, com destino ao theatro da guerra, seguio a companhia de polícia desta Província, comandada pelo Sr. Alferes Aureliano Martins de Azambuja Meirelles” (p.2).

No dia 4.04.1868, conforme expediente nº 174, de 8.05.1868, publicado no Jornal da Victória, retornaram ao Espírito Santo, o alferes Azambuja Meirelles e os soldados Diogo Alves de Souza, Francisco José da Silva, Francisco Pereira da Cruz, João Pinto Ribeiro e Joaquim Felício da Silva julgados incapazes em definitivo para o serviço militar, sendo consequentemente, excluídos do efetivo da Companhia de Polícia, na mesma data, ocorreu o embarque do soldado da Companhia de Polícia, Luiz Rocha Tagarro para o Exército.

O segundo efetivo da Companhia de Polícia capixaba, composto por 15 praças e conduzidos por um alferes, recebeu a autorização por conta do ministro da Guerra para o fornecimento das passagens com destino ao Rio de Janeiro a bordo do vapor Diligente, conforme consta do expediente nº 111, de 9.04.1868., transcrito no Jornal da Victória, em 29.04.1868, p.2.

Apesar do seguimento dos integrantes da Companhia de Polícia da Província do Espirito Santo, em 28 de março, 4  e 9 de abril de 1868, a aprovação para o presidente da Província ES, enviar o efetivo da companhia de Polícia para a guerra, somente foi autorizado pela Assembleia Legislativa Provincial  mediante a aprovação e sanção da Lei nº 3, de 4 de maio de 1868.

Após o fim da Guerra do Paraguai, em abril de 1870, pesquisei em jornais da região sudeste do país que se encontram na Hemeroteca Digital Brasileira, e em diversos documentos capixabas, e dentre os nomes dos 44 policiais militares da Corporação PM que foram enviados ao conflito, e só localizei apenas 18 integrantes vivendo na região, e sobre os demais 26 não obtive informações.

Assim, o efetivo composto por um 1º sargento, um 2º sargento, um furriel, dois cabos e trinta e nove soldados, totalizando 44 praças, é a histórica e heroica contribuição da briosa Policia Militar do Espírito Santo que foi enviada para defender o Brasil na Guerra do Paraguai, e que comemorou em 2018, os 150 anos de sua participação.

 

Fonte: A evolução histórica da PMES no Período Imperial: 1831-1889.
Situação: Conclusa aguardando patrocínio para publicação.
Autor: Gelson Loiola. (Cel RR PMES e membro do IHGES).
1ª publicação resumida: A tribuna Livre, jornal A Tribuna, em 26.06.2018, p.16.
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2018

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