Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

As cinzas de Luiz Flores Alves - Por Sérgio Figueira Sarkis

O professor Luiz Flores Alves, na esquerda, com Ana Angélica Cabral e João Paulo Barros, em reunião de trabalho na Universidade Federal do Espírito Santo.

Filósofo, professor, escritor, economista, inventor e caçador, Luiz Flores Alves, dentre todas estas indicações, era, antes de tudo, excelente proseador. Gostava de bater papo, contando suas peripécias como caçador e inventor.

Embora muito erudito, dispunha de uns cacoetes na fala, quase chegando a uma gagueira, obrigando a se expressar muito rápido. Tornava-se, em algumas vezes, incompreensível para o interlocutor.

Não obstante, lecionou Economia durante anos, no curso da Universidade Federal do Espírito Santo, a Ufes, do qual foi fundador e diretor.

Era comum, quando se expressava a um ouvinte, desenvolver com muitos detalhes o tema da conversa. Chegando ao final, questionava: "Concorda comigo?" A pessoa, invariavelmente, dizia sim. E ele retrucava: "Não!"

Aposentado, refugiou-se na Enseada Azul, em Guarapari, onde, juntamente com sua esposa, Wanda, passou os últimos momentos de sua vida, cercado de amigos que se juntavam para jogar conversa fora e tomar vinho.

Foram momentos muito felizes, encerrados com seu falecimento. Por decisão sua, seu corpo foi cremado e as cinzas deveriam ser lançadas no lago existente no Campus Universitário. A viúva Wanda convocou os seus amigos, dentre os quais me incluo, para testemunharem o ato.

Todos presentes, após as manifestações de praxe, Wanda se dispôs a fazer o lançamento. Entretanto, o vento estava muito forte, ameaçando deslocar as cinzas para a borda do lago. Um dos assistentes sugeriu colocar o depósito sobre uma palha de coqueiro, a esta ser empurrada para dentro do lago.

Assim, após alguns minutos, afundaria. Isto feito, todos aguardando, o tempo passava e nada do tão esperado naufrágio. Os presentes muniram-se de pequenas pedras e tentaram acertar a "embarcação", fazendo-a adernar.

Qual o quê! Só depois de uma longa guerra de pedradas em cima das cinzas do Luiz, veio a derradeira, pondo o depósito a pique.

Assim, o que deveria ser uma solenidade de pesar, transformou-se num hilariante momento de descontração. Com certeza, seu principal personagem teria gostado de participar ativamente do mesmo.

 

 

Fonte: No tempo do Hidrolitrol – 2014
Autor: Sérgio Figueira Sarkis
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2019

Literatura e Crônicas

Devaneio

Devaneio

Muito se falou essa semana, em toda mídia, sobre a música Devaneio. Leia a crônica de seu autor, Cariê Lindenberg

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

O Fim - Por Maria Amélia Dalvi

A imagem mais recorrente quando eu pensava nele era: nós dois prendendo as bicicletas com correntes nas calçadas da Rua Sete

Ver Artigo
Vitória, cidade bendita pelo sol de cada dia!

O Cruzeiro se podia subir mais fácil pelo nosso imenso quintal, e, eu estudava muitas vezes, lá em cima, pois tinha maior concentração

Ver Artigo
Eternidade - Jardim ou O Poema Moscoso - Por Gilbert Chaudanne

Onde os homens fluindo nos seus anos idos jogam o baralho do destino, baralho da vida-morte de que roleta russa

Ver Artigo
Vitória, cidade que me fez voltar... - Por Gracinha Neves

Gostaria de usar o sol de Vitória como espelho de grandes realizações para ecoar de norte ao sul, e torná-la a capital da Cultura

Ver Artigo
Cidade sol. E mar, porto, ilha, presépio... - Por Getúlio Neves

Olhar lá para adiante, para os lados da velha Igreja Matriz, demolida e hoje remodelada na Catedral de Nossa Senhora da Vitória

Ver Artigo