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Giovanni Modenesi

Seu Joaninho recebendo o título de Cidadão Aracruzense - Acervo: Artêmio Modenesi (filho de Joaninho)

“Seu Joaninho” nasceu na localidade de Taquara-Açu (Ibiraçu), em 29/5/1901, filho de um casal de imigrantes italianos. Aí viveu muito tempo, trabalhando na lavoura, ao lado de seus pais. Quando se transferiram para Demétrio Ribeiro (ainda em Ibiraçu), Giovanni se dedicou à profissão de celeiro mas também trabalhou como motorista, mecânico de automóveis, marceneiro, carpinteiro, pedreiro, sapateiro, contratista, pilador de café, e, finalmente, industrial d emadeira e aguardente, já em Aracruz.

Em princípios do ano de 1922, casou-se na Igreja de Ibiraçu, com Tereza Dal Piero Modenesi, também filha de italianos imigrantes. O casamento gerou sete homens e uma mulher.

Em fins de 1943, a família de Giovanni/ Tereza se transferiu para o povoado de Sauaçu (hoje cidade de Aracruz). Contava ele que “havia umas quatro ou cinco casas espalhadas e o resto era tudo sapezal”.

Giovanni logo tratou de adquirir propriedades na pequena localidade, principalmente na região ao final d Rua Professor Lobo, nas proximidades do escritório da Aracruz Florestal. Ali ele construiu a casa onde sua família passou a residir e, progressivamente, seus filhos também foram construindo à medida que casavam. Ali Giovanni viveu até seus últimos dias, tendo falecido durante a madrugada de 21/4/83, vítima de enfarte.

Ele contava que trabalhou durante toda sua vida ativa, acordando com o dia ainda escuro e se estendendo até altas horas da noite. Como não teve muitas chances de se aprimorar nos estudos, uma das afirmações que ele mais gostava de fazer era uma explicação para o sucesso de seus empreendimentos: “O que sei aprendi em casa mesmo, nunca fui à escola.”

Giovanni também tinha participação ativa nas entidades de caráter comunitário que iam surgindo na cidade, tendo sido diretor da comissão formada pelo Monsenhor Guilherme para reiniciar as obras da Igreja Católica, em 1955. O terreno da igreja, por sinal, foi doado por ele, incluindo a área onde hoje está o Crefes (na época, Posto de Saúde).

No ano seguinte à chegada a Sauaçu (1944), Giovanni se associou a César Sarcinelli (que entrou com a caldeira a vapor) e Eugênio Antônio Bitti (que entrou com o capital), para montarem a Serraria São João, cujo nome era uma homenagem ao padroeiro da localidade.

Ela fica na esquina das ruas Venâncio Flores e Lídio Flores, pouco depois do trevo de chegada á cidade. Está hoje desativada, mas suas construções continuam de pé, em meio ao mato, destacando-se duas torres, que formam uma espécie de referência de chegada à cidade.

Uma das mais esforçadas pessoas a trabalhar na construção e operação do complexo beneficiador de madeira foi o filho mais velho de Giovanni, Artêmio Modenesi. Artêmio acabaria por se tornar uma espécie de gerente-administrador do empreendimento, que foi a fonte de renda de pelo menos quatro dos irmãos até por volta de 1970, quando a serraria encerrou as atividades.

Segundo Giovanni, não foram poucas as dificuldades para a construção da serraria, pois a região não contava com muitos dos recursos tecnológicos da época. Com efeito, mesmo assim ela se tornou a mais moderna e ativa dentre as 21 indústrias de madeira com que Aracruz chegou a contar, por volta dos anos 60.

A montagem da serraria exigiu muitas viagens a Ibiraçu e a Vitória num antigo caminhão adquirido pela sociedade, através de estradas péssimas (via Grapuama ou Santa Rosa), verdadeiras picadas, que ficavam intransitáveis em tempo de chuva.

Quando a serraria ficou pronta, deu vida nova ao lugar, inclusive lhe fornecendo energia elétrica. Foi feita a adaptação de um alternador á caldeira, que assim funcionava como gerador de energia para as casas do povoado (este alternador ainda existia até 1976, guardado no depósito da serraria).

Desta forma, a Serraria São João gerou o primeiro sistema de iluminação pública que o povoado de Sauaçu teve e que era desligado por volta das 23 horas. O sistema funcionou eficazmente por cerca de seis a sete anos, até que a elevação do povoado á categoria de sede, no final dos anos 40, trouxe a instalação de geradores exclusivos e independentes, na Rua Quintino Loureiro.

Em 1957, o complexo industrial de madeira foi enriquecido com a construção da Fábrica de Aguardente Estrela do Norte, se tornando famosa entre os apreciadores e uma espécie de suvenir para os visitantes. Deixou de funcionar quando o restante do complexo foi desativado.

 

 

Fonte: Faça-se Aracruz! (Subsídios para estudos sobre o município), 1997
Organizador: Maurilen de Paulo Cruz
Acervo: Casa da Memória de Vila Velha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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