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Grandes e pequenos problemas administrativos - Século XVIII

Rio Marinho - Canal aberto pelos jesuítas (Século XVIII). Na foto de 1956, vê-se ao fundo a Baía de Vitória.

Antes de encetar-se o estudo da fase que se inaugura com a aquisição da capitania pela Coroa, impõe-se uma revista a importantes acontecimentos da segunda década do século XVIII, ainda não citados.

Na ordem e instrução passada a João de Velasco e Molina quando lhe foi, pela segunda vez, confiado o governo da capitania,(47) encontramos admirável roteiro para o conhecimento dos problemas de maior expressão, à época. Diz o governador geral que o Espírito Santo é “um dos dominios de El-Rei que merece todo o cuidado e atenção por a sua barra, e altura, e grandes conveniências, que promete a sua situação”.

Ordena que faça “doutrinar os Soldados e Artilheiros, para que ao menos saibam desembaraçar-se com as armas de fogo, e tirar com elas sem receio”, examinando as ordenanças para “que todas o estejam de armas de fogo,(48) e não com picaria ou armas curtas”, e obrigando a exercício “ao menos uma vez cada mez”. Linhas adiante, diz o missivista: “Sou informado que antigamente havia engenhos(49) de fazer açucar naquela Capitania, e hoje se não faz nenhum, e assim procurará Vossa mercê que esta fábrica se não extinga, antes que se restabeleça e vá em aumento”.

Aos ouvidos do governador geral chegaram informações “de que os padres da Companhia trabalhavam em uma vala com a qual intentavam comunicar o Rio de Juicú à Barra” – obra que aquela autoridade mandou embargar, “de tal modo, que se não comunique [a vala] com o Rio Juicú”.(50)

Ciente da abundância e excelência das madeiras capixabas, autorizou o capitão-mor a entrar em entendimentos com quem pudesse fornecer “tapinhoã, preciosíssima para os forros dos navios, por não entrar o busano ... com preferência a que é mais branca e menos áspera”.

Refere-se, ainda, o governador geral às desordens e parcialidades da capitania, recomendando paz e punição para os que as provocassem, e, por fim, manda pedir o auxílio dos moradores para as obras das fortificações, para cuja construção tinham preferência “as mais próximas à defensa da Barra”.(51)

 

NOTAS

(47) - O marquês de Angeja escreveu a Manuel Correia de Lemos para que entregasse o governo a Velasco e Molina, no dia vinte e oito de agosto de 1716 (DH, LXX, 311).

BRÁS DA COSTA RUBIM informa que a posse teve lugar a treze de setembro de 1716 (Notícia, 341).

(48) - Posteriormente, em 1717, João de Velasco e Molina comunicou ao governador geral “acharem-se armados todos esses moradores e que todos sabem atirar mui bem com suas espingadas” (DH, LXXI, 4).

(49) - No ano anterior, isto é, em 1715, o mesmo governador geral (marquês de Angeja) na Instrução dada ao mestre de campo Domingos Teixeira de Andrade, utilizou-se, mais ou menos, das mesmas palavras quando tratou desta questão dos engenhos que teriam existido, antigamente, na capitania. Referiu-se a cinco deles (DH, LIV, 51-5).

(50) - Atualmente, o rio é denominado Jucu ou Jem (VEIGA CABRAL, Corografia, 379). Sobre a vala, CÉSAR MARQUES escreveu: “Os jesuítas, com intenção de tornar sadias suas margens [do rio Jucu], abriram um canal de oito léguas de comprimento até a baía do Espírito Santo, o qual foi desobstruído no tempo do governador Rubim. Atualmente [1879] por ele se faz o transporte de gêneros para a capital, evitando-se assim a via do mar, muito mais longa e perigosa por ser necessário sair da barra deste Rio, passar por diante dos recifes do mesmo nome, e dobrar o monte Moreno à entrada da baía” (Dicion. ES, 169).

(51) - DH, LIV, 156-61.

– Sobre as obras da vala, ver DH, LXX, 312-4.

– Sobre algumas ocorrências havidas durante o governo de Velasco e Molina, ver DH, LXXIII, 110-4 e 120-4.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, agosto/2017

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