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Lembrando Carlinhos Oliveira

Carlinhos Oliveira

"José Carlos Oliveira, ensaista, pseudofilósofo existencialista, contista, crítico de literatura e cinema, comportamentos bizarros". Assim o escritor se apresenta no texto de introdução a Domingo 22, romance publicado em 1984. Carlinhos será homenageado em junho em Vitória, com a abertura no dia 16 de uma exposição que inclui fotografias, recortes, livros e objetos pessoais. No dia seguinte será lida sua única peça teatral, Borboleta 14, 15, com a participação de Walmor Chagas. Tudo isso acontecerá no teatro que leva o seu nome e que faz parte do Centro Cultural Carmélia.

Carlinhos Oliveira, ou Precoce, como era conhecido entre seus amigos de Vitória, foi para o Rio muito jovem, depois de se iniciar no jornalismo na cidade em que nasceu em 1934, publicando crônicas que causaram muita polêmica. Aos 18 anos trabalhava como repórter na revista Manchete. Depois transferiu-se para o jornal Diário Carioca, onde fez parte de uma equipe de lendários copy-desks. A partir de 1961 tornou-se cronista do Jornal do Brasil, onde permaneceu por mais de 20 anos. No período, Carlinhos conseguiu projeção nacional, afirmando-se como talentoso escritor e personalidade carismática. Virou uma espécie de símbolo da boemia de Ipanema, numa época em que o bairro ditava a moda e revolucionava os costumes.

Nos anos 80, a saúde começou a debilitá-lo. Durante uma permanência na França, quase morreu, sendo hospitalizado em estado grave. De volta ao Brasil, teve que mudar de vida, parar de beber e fumar.

Em 85 decidiu-se vir para Vitória e aqui desenvolver o projeto Escritor-Residente. Dessa maneira pode trabalhar com estudantes e jovens escritores e dedicar-se a seu novo projeto literário, Bravos Companheiros e Fantasmas e a sua primeira peça teatral, Borboleta 14, 15. A morte, no entanto, foi mais rápida, deixando Carlinhos sem ver sua peça encenada e seu último livro pronto. Mas ele viu as provas e aprovou o layout da capa. Dentre os amigos presentes no seu sepultamento no Cemitério Santo Antônio, estava Walmor Chagas. Naquela manhã de sol, 14 de abril de 86, a ator gaúcho, de quem o escritor recebera algumas sugestões para utilizar no texto de Borboleta 14, 15 declarou:

—"Carlinhos era acima de tudo muito modesto. Dizia que somente agora estava preparado para escrever para o teatro e que se debruçaria sobre esta tarefa de corpo e alma. Mas não teve tempo".

 

Pluft, um supermusical

As crianças terão um programa muito especial em junho: dia 17, sábado, estréia no Teatro Carlos Gomes a superprodução Pluft, o Musical, adaptação da famosa peça Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado, encenada em vários países. A montagem reúne artistas e técnicos capixabas e cariocas, entre eles alguns integrantes da produção que ocupou o Teatro João Caetano, do Rio há dois anos, como o diretor João Brandão, a coreógrafa Beth Martins, a figurinista Silva Sangirardi; o cenógrafo Marcos Flaksman e o diretor musical Caike Botkay.

No papel principal estará a atriz carioca Anna Gallo, conhecida do público principalmente por sua atuação na novela Mandala, em que foi Marluce, a namorada de Tony Carrado. Outro ator convidado vindo do Rio de Janeiro é Neemias Brondi (irmão da Lídia). O elenco capixaba tem a participação de José Augusto Loureiro, Ignácia Freitas, Marcel Cordeiro, Luiz Cláudio Gobbi, Edu Henning, Marlon Cristie e Nina Liebermann.

A montagem inclui ainda um coro de atores-bailarinos-cantores formado por Bianca dos Santos, Dória Clark, Gabriela Silva, Markito, Tize, Rafael, Dida, Elaine Rowena, Marcio Neiiva, Lobão e Tadeu. O diretor João Brandão é professor no Teatro Tablado do Rio de Janeiro, tradicional escola fundada e dirigida por Maria Clara Machado, a mais importante autora de peças infantis do pais. A produção de Pluft, o Musical, que foi adaptada por Geraldo Carneiro e Antonio Pedro, é de Flávia Pretti Morraes.

 

Cursos e oficinas

A programação de cursos e oficinas para maio inclui muitas opções. Em Vitória, uma nova turma do Curso Sistemático de Teatro, que pretende oferecer uma visão das manifestações teatrais em todas as épocas e noções básicas para a formação de atores.

No currículo as matérias Interpretação, História do teatro, Literatura Dramática, Técnica Vocal e Técnica Corporal, são dados pelos professores Erlon Paschoal, Cesar Huapaya, Marcio Neiva e Ana Amália Otoni.

O curso Sistemático de Teatro, que já tem uma turma funcionando desde março no horário da manhã, a partir de maio atenderá também a alunos no horário da noite, com novas turmas, sempre no Centro Cultural Carmélia. As inscrições devem ser feitas até 12 de maio, na Divisão de Teatro do DEC. As únicas exigências são ter o 12 grau completo e a idade mínima de 16 anos.

Ainda em maio acontecerá uma série de oficinas realizadas por integrantes do Grupo III Milênio do Rio de Janeiro. A primeira delas, Confecção de Bonecos, será ministrada por Maurício Quintas, ex-integrante do grupo Quintal. Depois será a vez de José Carlos Albuquerque e Cláudio Gonzaga coordenarem Experiência Teatral, dirigida a professores de 1º grau, oferecendo-lhes subsídios para a prática de teatro nas salas de aula. A terceira, Mergulho Teatral, terá coordenação do diretor Paulo Afonso de Lima, destinada aos atores e diretores profissionais, focalizando temas como A Linguagem Teatral na Sociedade, Técnicas de Montagem e Momento Cultural Brasileiro, além de aspectos ligados a produção local.

Em São Mateus, também em maio haverá um curso de teatro ministrado por Euclides Rampinelli Filho, com início no dia 15 e duração de um mês (60 horas-aula). Euclides é integrante do Grumata e as inscrições podem ser feitas na secretaria do Centro Cultural do Porto de São Mateus.

Escolas vão ao teatro

Dois espetáculos infantis realizados pelo grupo carioca III Milênio, com texto do premiado João Siqueira e direção de Paulo Afonso de Lima, desenvolvem em maio no Teatro José Carlos Oliveira (Centro Cultural Camélia) o projeto Escola Vai ao Teatro aos alunos da rede oficial e particular de ensino. Os espetáculos são Palhaçadas e Chora Rei, Choramingão, que terão apresentações pela manhã (10 horas) e à tarde (14 horas) de 5 a 12 de maio. As escolas que desejarem participar do projeto devem se comunicar com o Centro Cultural Carmélia ou com o DEC.

 

Fonte: Painel – Informativo Cultural, maio-junho/1989, Departamento Estadual de Cultura – Ano III – nº 05
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2016

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