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Memória de Guarapari

Guarapari conserva ainda alguns imóveis históricos. Subindo o Morro da Igreja encontra-se o templo dedicado a Santa Maria de Guaraparim, erguido pelos jesuítas em 1585, com sua torre única lateral. Durante muitos anos os jesuítas desenvolveram suas atividades junto aos índios, que moravam em cabanas próximas.

Ali também funcionou, no anexo hoje destruído, o colégio-residência, onde se hospedaram os primeiros padres formados no Espírito Santo e no Brasil, Diogo Fernandes, discípulo de Anchieta e seus companheiros Antônio Dias, Domingos Garcia, Manuel Dias e Jerônimo Rodrigues. Em 1760, com a expulsão dos jesuítas do Brasil, a primeira igreja de Guarapari ficou abandonada, já que os índios catequizados não a freqüentavam mais. O prédio entrou em decadência servindo até de cemitério, registra o Catálogo de Bens Tombados no Espírito Santo.

Restauração

Com o retorno dos jesuítas ao Brasil, por volta de 1840, a situação da igreja começou a mudar. Em 1880 o templo recebeu sua primeira restauração, perdendo um pouco suas características originais, principalmente o teto que era de frisos, atualmente formado de gesso. Os restos mortais dos que foram ali sepultados permanecem no local. O altar-mor, depois de restaurado, mantém o estilo. A imagem de Cristo que fica na entrada do altar-mor, veio da França.

Há ainda as ruínas da Igreja Nossa Senhora da Conceição, construída em 1677 pelo donatário Gil Araújo. O templo nunca chegou a ser concluído. Da igreja restam apenas frontispício todo esburacado e o campanário, que foi construído em 1817.

Descendo a ladeira do cemitério encontra-se o antigo Cemitério de São João Batista. Sua irônica história serviu de inspiração ao escritor Dias Gomes para criar o personagem Odorico Paraguaçu, da novela global O Bem Amado. É que não se inaugurava o cemitério por falta de defunto. A média de vida da população era de 80 a 100 anos. O executivo então precisou apelar, pedindo um defunto emprestado da vizinha Anchieta.

Subindo a ladeira Dom João Cavati pode-se visitar a “Grutinha”, construída em 1944 por Joaquim Gonçalves, popular “Papai do Céu”. Feita de pedras, em seu interior há um quadro de Sant’Ana e Nossa Senhora Menina, além de um nicho com a imagem de Nossa Senhora de Lourdes.

Fonte: Edição Especial de A GAZETA – Municípios do ES
Vitória, segunda-feira, 26 de setembro de 1994.
 

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