Inúmeros são os motivos de beleza que ornamentam a pitoresca baía de Vitória, tornando-a um dos mais encantadores trechos do extenso e variado litoral do Brasil.
Pequeninas curvas, de aspecto sempre novo e diferente, multiplicam-se em um e outro lado do mar, aos olhos do viajante que, extasiado, as contempla no recorte gracioso das ilhas e nas insinuações caprichosas das montanhas esculpidas com buril vigoroso em rochas trabalhadas pacientemente pelo tempo.
Linhas e cores, massa e forma, tudo se combina e se harmoniza numa paisagem em que o arquiteto da natureza parece haver feito a síntese de mil primores.
Sobremaneira, nesse conjunto admirável, destacando-se as montanhas.
São elas o interesse dos urbanistas e a inspiraçao dos poetas. Veja a interpretação de Ciro Vieira da Cunha neste soneto:
Vitória, ao luar...
Noite. Vitória dorme... e dorme descansada
sob um claro dossel tecido de luar...
Ao longe, em verde-azul, a linha serpenteada
de montes namorando a inconstância do mar...
Caratoíra a sorrir... o Moscoso a sonhar...
Santa Clara lá está, a noite enluarada,
como santa feliz, esperando no altar
uma prece de luz de princesa encantada...
Jaburuna distante... ali perto, o Penedo...
Atalaia - o futuro... E São João - o passado -
no silêncio de alguém que guardasse um segredo...
Noite, Vitória dorme. E, ao store da garoa,
eu vejo qual fosse tesouro dourado
que o Moreno vigia e que a Penha abençoa...
Livro: Montanhas de Vitória e Outros Escritos. - 1985.
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