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O Tesouro da Ilha da Trindade - Por Adelpho Monjardim

Foto do livro - A Fantástica Ilha da Trindade, 2010 - Autor: Willis de Faria

Em todas as épocas, e em todo o mundo, as histórias de tesouros ocultos foram sempre motivo para grandes aventuras.

Há, por certo, muita mentira, muita fantasia e exagero da fértil imaginação popular: mas também há verdade. O povo exagera, mas não inventa. Onde há fumaça há fogo.

Aqui mesmo, a mil e tantas milhas marítimas da costa, na altura da Barra de Vitória, a solitária Trindade oculta real tesouro, até agora escapo à perspicácia dos pesquisadores. Ingleses, americanos e mesmo brasileiros, tentaram a aventura, não poucos perecendo no árduo labor.

Em 1883, Dr. F. Knight, famoso advogado londrino, formou uma expedição, com treze amigos, e foi à ilha em busca do tesouro. Embora fracassando em seu intento, voltou convencido da sua existência, culpando o malogro aos meios materiais para encontrá-lo.

O tesouro ali oculto foi roubado às ricas igrejas de Lima pelos espanhóis, durante as Guerras da Independência, quando sentiram perdidas as suas Colônias Sul-Americanas. Segundo consta é simplesmente fabuloso.

O galeão espanhol «San Juan», ao sair de Callao, com o rico butim, foi abordado por um barco pirata, que passou a tripulação pelas armas, incendiando-o em seguida. De posse da rica presa os piratas buscaram distante e quase inacessível ilha para ocultá-la. E que melhor que a Trindade, fora das rotas de navegação? Assim dobraram o Cabo Horn e entraram no Atlântico.

Oculto o tesouro rumaram os piratas para as Antilhas. Aprisionados em Cuba, pelos espanhóis, foram todos enforcados, salvo um jovem russo. Muitos anos depois, esse russo, ao morrer, em um hospital de Bombaim, revelou a um capitão inglês a existência do tesouro, dando-lhe o roteiro. A bordo do veleiro «John» ele foi à ilha. Devido ao mar grosso ele não pôde saltar, o que fez o filho, alcançando a terra a nado. Durante a noite, atacado pelos caranguejos gigantes, não conseguiu dormir. Seguindo o roteiro, a certa altura um desmoronamento de rochas cortou-lhe o fio da meada e ele perdeu-se. Todos os que se seguiram esbarraram com o mesmo obstáculo.

A Trindade zela e guarda avaramente o seu tesouro. 

 

Fonte: O Espírito Santo na História, na Lenda e no Folclore, 1983
Autor: Adelpho Poli Monjardim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2016

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