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Parque dos Amores - Por Deny Gomes

Os irmãos jogam gude ou brincam no lago

No Centro, o Parque.

Em frente, atrás, ao lado,

eu e os meus amores.

 

Nas aléias imensas e ensombradas,

os irmãos jogam gude

ou saltam pelos galhos,

diminutos Tarzans de matinê.

 

Na poesia da memória, gravado o Politeama

e ao som das redondas sementes

que espocam, os meninos se rendem

gritando um "Calombau!"

bem traduzido.

 

Na pinguela, cimento feito árvore

oferece passagem e proteção

e, lá em baixo,

gansos esfomeados engolem pão

e esperam pra bicar

as crianças teimosas que atravessam

— correndo —

sem mãe e sem babá.

 

Na imobilidade verde do lago,

o sapo esguicha alegria

e não avisa os peixinhos

pra fugir das peneiras infantis

que o fiscal insiste em confiscar.

 

Na verde casa de podados galhos,

estala um beijo.

Roubado?.. É... Talvez...

Acho que não...

Ai arrepios e assanhamentos

que muito longe vão!

 

Que longe vão, também, carrinhos de bebê,

as outras menininhas e bonecas

emergindo das ilhas, das aléias,

do Parque Infantil,

da Concha Acústica,

do Coreto, suspenso na lembrança!

 

Vem da Praia do Canto, agora, um menino

no rio caudaloso

do trânsito que esmaga

vidas, sonhos, saudades...

 

Vem pro "Parque Gostoso"...

e refaz

o círculo do amor,

a ciranda das mãos familiares,

a rodear — em frente, ao lado, atrás —

o Parque dos Amores.

 

Seu sorriso dissolve em luz as grades,

apaixona e liberta toda a fauna,

todas estas paixões, as nossas dores.

Nele, esplende o cristal do tempo

na limpidez deste encantamento.

 

Fonte: Escritos de Vitória nº 6 - Parque Moscoso, PMV e Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo, 1994
Autor do texto: Deny Gomes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2019

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