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Proclamação da República

Na gravura, a cena da Proclamação da República Brasileira, em 15 de novembro de 1889. ( Litografia de Nicola A. Facchinetti)

Embora as idéias republicanas já fossem agitadas no Brasil desde o período colonial e o primeiro reinado (conjurações: mineira e baiana, Revolução de 1817 e Confederação do Equador), sua propaganda ganhou força apenas na segunda metade do séc. XIX, com a fundação do Partido Republicano, após a Convenção Republicana de Itu (1870). Através de clubes, manifestos, jornais, congressos e conferências, o partido divulgou sua doutrina-federalista, presidencialista e liberal – no contexto da luta abolicionista, que, juntamente com as questões militares e religiosas, muito contribuiu para a formação de uma conjuntura de enfraquecimento da monarquia. Outro fator da decisiva importância nesse processo foi a ideologia positivista, que, embora defendesse uma ditadura científica, representava um liberalismo amplo e aberto, contando com grande aceitação sobretudo nos círculos militares, onde era divulgada por Benjamin Constant.

Os acontecimentos precipitaram-se no ano de 1899. Em junho desse ano, o Gabinete João Alfredo foi substituído pelo Gabinete Ouro Preto. Floriano Peixoto tornou-se ajudante-general, o mais alto posto da hierarquia do exército. Em outubro, Benjamin Constant, sabendo da situação favorável a suas idéias, ousou culpar o governo pelas questões militares em discurso pronunciado diante de oficiais estrangeiros. A homenagem prestada por essa ocasião a Benjamin Constant, momentos depois do discurso, mostra que os seus alunos da Escola Superior de Guerra estavam bastante receptivos à causa republicana. Ainda nesse mês, Benjamin Constant procuraria convencer Deodoro da Fonseca, um militar e político destacado, da necessidade de se proclamar a República, Deodoro aderiu ao movimento.

Benjamin Constant obteve, após conferência no Clube Naval, o apoio do almirante Wandenkolk para derrubar a monarquia. Ouro Preto, o chefe do Gabinete, tentou, com a ajuda de Floriano, articular a resistência, mas as tropas sublevadas cercaram o quartel-general e Ouro Preto telegrafou ao imperador, renunciando. Entretanto, Deodoro que assumira o comando das tropas trazidas de São Cristovão por Benjamin Constant, declarou dissolvido o Gabinete e prendeu Ouro Preto, soltando-o em seguida. Em conferência com o imperador no palácio, Ouro Preto propôs Silveira Martins para substituí-lo, mas, após uma reunião em casa de Aristides Lobo, formou-se um governo provisório. Silveira Martins, que não estava no Rio de Janeiro, foi exilado para a Europa, ao chegar, dias depois.

No dia 15 de novembro à noite, o Conselho de Estado reuniu-se com Dom Pedro II, a princesa Isabel e o conde d’Eu. Decidiu-se formar um novo Ministério encabeçado pelo conselheiro Saraiva, o qual escreveu a Deodoro procurando entendimento. Deodoro rejeitou a proposta: o movimento decidira-se pela República. O governo provisório enviou mensagem a Dom Pedro II, exigindo a retirada da família imperial do Brasil no prazo de vinte e quatro horas. Dom Pedro II declarou-se disposto a abandonar o Brasil. A República era o novo modelo político da sociedade brasileira.

 

Fonte: Enciclopédia Universo, 1973 Vol. IX Editora Delta – Editora Três
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2014



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