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A independência do Espírito Santo se chama café

Ilustração: Genildo Ronchi

Todas as câmaras das Vilas do Espírito Santo aderiram imediatamente ao Imperador D. Pedro I. No clima que se instalou, o Espírito Santo retomou São Mateus, região que estava ocupada pela Bahia. As Capitanias passaram a ser Províncias do Império

O movimento pela independência que se manifestava havia já algum tempo, acentuou-se com a partida de D. João VI para Portugal e foi impulsionado pela ação das Cortes Gerais da Nação Portuguesa que tentavam fazer com que o príncipe regente, D. Pedro, voltasse a Portugal.

Em dezembro de 1821, as Cortes apresentavam uma decisão autoritária: o príncipe deveria retomar imediatamente a Lisboa.

O regente declarou que não voltaria naquele célebre pronunciamento: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação diga ao povo que fico".

As pressões das Cortes portuguesas continuaram e, finalmente, em 7 de setembro de 1822, com as notícias recebidas de Lisboa exigindo sua volta imediata, o príncipe deu o brado de "Independência ou Morte".

Estava nascendo a nação liberta do Brasil.

Todas as câmaras das Vilas do Espírito Santo aderiram imediatamente, sem reservas, ao Imperador D. Pedro I.

Foi também, por esse tempo, que São Mateus, subordinado à Bahia, se reintegrou plenamente ao Espírito Santo. Desde que, em 1764, Tomé Couceiro atravessou a divisa da Capitania para fundar a Vila de São Mateus, que ficou, se não de direito, pelo menos de fato, subordinada à Capitania da Bahia.

Chegaria a hora da restituição daquela próspera vila ao seu verdadeiro meio.

A junta do Governo Provisório mandou imediatamente uma força para ocupar São Mateus e levar até lá a notícia da Proclamação da Independência. O governo da Bahia, sob o domínio do general Inácio Luis Madeira de Melo, não aceitava e, conseqüentemente, não reconhecia a independência do Brasil.

São Mateus não foi ocupada militarmente, não foi tomada, não foi submetida. São Mateus aclamou entusiasticamente a força que a reintegrava no Espírito Santo e a integrava no Brasil Independente.

O período de agitação que precedeu a independência continuou, como era previsível, em todo o País e também no Espírito Santo, após a emancipação brasileira.

O Brasil passou a ser uma monarquia e D. Pedro aclamado Imperador. As Capitanias passaram a ser Províncias do Império, motivo pelo qual o Período Monárquico é também chamado Período Provincial.

O Período Monárquico teve início com a Independência e terminou com a Proclamação da República em 1889, quando as Províncias passaram a ser chamadas de Estados.

O primeiro presidente da Província do Espírito Santo foi Acióli de Vasconcellos. A situação estava difícil, a receita, estimada em 46:231$852, tinha, como contrapartida, despesas de 46:312$647, com a tropa, e 12: 862$933, com os civis e eclesiásticos. A lavoura já não produzia farinha suficiente. Enfim, a situação era de verdadeira insolvência. As ruas esburacadas e mal iluminadas. O transporte era feito em carros de bois.

O café chega para trazer o progresso e marca para sempre a economia do Espírito Santo.

A população da Província do Espírito Santo crescera e atingia, em 1824, a casa dos 35.000 habitantes, dos quais 16.000 eram livres e, desses, 8.000 eram brancos.

A agricultura progredia. Prosperavam a cana, a mandioca, o algodão, o milho, o feijão, o arroz e o café.

Em 1826, já o Espírito Santo tinha uma exportação importante para a época, no valor de 195:500$000.

A farinha tinha superado largamente o açúcar. Contribuía para aquele total com 119:700$000 e vinha quase toda de São Mateus, recém-restituída à sua Província de origem. Mas a grande cultura que se desenvolvia era o café. A cana, a mandioca, o algodão, o milho, o feijão e o arroz eram culturas de baixada, não podiam subir a montanha que se aproximava do litoral em toda a zona do Rio Doce para o Sul. O Norte estivera ocupado pela Bahia. desde 58 anos antes da independência. Para desenvolver o café era necessário penetrar pelo sertão. Mas só depois do Auto de 1800, estabelecendo os limites, colonizar o interior deixou de ser crime capital, o Café, que em 1826 mal aparecia na relação dos produtos exportáveis, em 1852 já era a produção de maior valor da Província do Espírito Santo.

Com o café, foram ultrapassadas as "quatro léguas de Saint-Hilaire", que demarcavam os estreitos limites do Estado.

 

Fonte: Jornal A Gazeta, A Saga do Espírito Santo – Das Caravelas ao século XXI – 23/09/1999
Pesquisa e texto: Neida Lúcia Moraes
Edição e revisão: José Irmo Goring
Projeto Gráfico: Edson Maltez Heringer
Diagramação: Sebastião Vargas
Supervisão de arte: Ivan Alves
Ilustrações: Genildo Ronchi
Digitação: Joana D’Arc Cruz    
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2016

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Cine São Luiz

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O acervo documental referente a "História da Exibição Cinematográfica no Espírito Santo" iniciou no curso de Especialização Lato Sensu, do Departamento de História da UFES no ano de 2000, desdobrada na pesquisa de dissertação no Mestrado em História Social da Relações Políticas da UFES e que resultou no livro No Escurinho dos Cinemas

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