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Conversão dos indígenas

Índios sendo catequizados

"Ele foi o primeiro Pregador e Anunciador do Santo Evangelho, que tiveram os gentios desta Capitania, na qual ele só - por muitos anos - foi o maior instrumento da conversão de muitos, não só para a mais fixa e verdadeira amizade com os portugueses: porque, suposto que já quando no ano de 1558, chegou ao Espírito Santo Fr. Pedro, tinham nesta vila uma Residência os padres Jesuítas desde o ano de 1551, e nela Religiosos de assistência, havendo alguns sete anos, ainda não haviam até este tempo dado princípio à conversão do gentio.

"Não é discurso este da nossa vontade: é expressão de duas testemunhas que assim o expõem com esta explicação no instrumento jurídico que já disse, mas se tirou na mesma vila (Processo preliminar de beatificação de Frei Pedro, ano de 1616). É a primeira, Amador de Freitas, capitão da Aldeia de Reritiba, e morador em Vila Velha, de idade de sessenta anos: 'Disse que conhecera ao Padre Fr. Pedro, Religioso Leigo da Ordem de São Francisco, haverá cinqüenta anos, nesta Capitania. o qual era tido de todos como Varão Santo e de muito exemplar vida, andando pelas Aldeias desta Capitania, aonde ainda então não residia Padre da Companhia, e batizava e doutrinava aos índios, ensinando outrossim a doutrina Cristã pelas ruas, etc.'

"A segunda é Nuno Rodrigues, morador na Vila do Espírito Santo, homem de idade de cento e dois anos, e, adverte a leitura do tal instrumento, que, tendo toda esta idade, estava em seu juízo perfeito, e andava pelas ruas por seus pés, e bem disposto, indo todos os dias ouvir Missa, e tratando com quem lhe convinha: 'Disse que conheceu aqui na Vila do Espírito Santo o Padre Fr. Pedro, Religioso Leigo da Ordem de São Francisco, haverá cinqüenta anos, ao qual tratou particularmente, e lhe disse que era Castelhano de nação, natural de Medina do Rio Seco, perto de Salamanca, e o viu ordinariamente andar pelas ruas, ensinando a doutrina Cristã, aos meninos e a todos, e o mesmo ia fazer pelas Aldeias dos índios, aonde havia não residiam Religiosos da Companhia, senão aqui na Vila, e lá nas ditas Aldeias batizava aos Índios, que se convertiam à Fé Católica, e era mui zeloso da salvação das almas. [Crônica, in Correio da Vitória, n. 73, de 2 de julho de 1872]

 

Fonte: História Popular do Convento da Penha, 3ª edição 2008
Autor: Guilherme Santos Neves
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2016

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