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A Economia no Espírito Santo Imperial – Por João Eurípedes Franklin Leal

Tropa carregada de mercadorias passa pela ponte, em Afonso Cláudio - APEES

O primeiro Presidente da Província, após a proclamação da Independência, ao fazer uma demonstração da situação econômica do Espírito Santo ao Ministro do Império, Marques de Queluz, mostrou ser a mesma altamente deficitária e com ainda grandes dívidas atrasadas. A agricultura não estava produzindo o suficiente para o consumo local, as escolas em abandono, tanto por falta de professores, como por falta de pagamentos a estes. As estradas abertas para o interior da Província estavam invadidas pelo mato e a estrada a beira mar ou Estrada Geral (praias) estava também intransitável por queda de pontes. Informou ainda o Presidente da Província que até o trabalho de "civilização" dos indígenas estava suspenso, devido a falta de meios econômicos para continuar. O grande agravante para que o Espírito Santo atingisse esta situação foi porque, desde 1821 a arrecadação dos impostos de Campos dos Goitacazes deixou de ser feita pela Província do Espírito Santo e justamente quando aumentou-se o número de tropas, assim como de soldados com novos soldos militares. A Província do Espírito Santo foi citada como a mais miserável do Império Brasileiro, sem nenhum comércio ou agricultura.

Era a Província socorrida pecuniariamenente por consignações mensais além de envios extras de ajuda financeira por parte do Governo Imperial. Ao final do Primeiro Império a agricultura no Espírito Santo era praticada rudimentarmente, produzindo cana-de-açúcar, mandioca, milho, feijão, arroz e café, principalmente. Na pecuária o número de cabeças de gados vacum atingia cerca de 8.800 havendo ainda criação de cavalos, cabras, porcos, aves e outras mas sempre em pequena escala. O comércio externo da Província fazia-se principalmente com Rio de Janeiro, Salvador e Recife e o principal produto de exportação era a farinha de mandioca de São Mateus, o açúcar e o algodão. No setor de indústrias destacavam-se as fábricas de açúcar e aguardente, em número de 68 e as olarias em número de 8. A ajuda do Governo Imperial para cobrir parte das despesas era indispensável já que estas eram o dobro da arrecadação. Durante a Fase Regencial perdurou esta situação. Em 1840 já se havia feito alguma exportação para Montevidéu e Portugal. Pouco a pouco foi-se abrindo áreas do interior, com estradas, escolas e aldeamentos para "civilizar" os indígenas mas a estagnação perdurou por todo período. A maior riqueza da Província já na década de 40 continuou ser a produção de farinha de mandioca, em São Mateus. Com a introdução de colonos europeus, novo impulso e novas técnicas passaram a ser empregadas na produção de riquezas influindo diretamente da economia regional. Em 1856 a população atingiu o número de 49.092 habitantes sendo 36.823 livres e 12.269 escravos. A economia do Espírito Santo, no período imperial, foi profundamente e positivamente marcada pela entrada de colonos europeus e pelo cultivo do café, especialmente no centro e no sul da então Província.

Quanto aos outros produtos agrícolas da Província, destacavam-se nesta época o açúcar (produzido principalmente em Itapemirim, Serra, Nova Almeida e Vitória), café (principalmente em ltapemirim e Vitória e Barra de São Mateus), farinha (principal-mente em Barra de São Mateus, São Mateus e Vitória) e aguardente (principalmente em Itapemirim e Vitória). O Rio de Janeiro era o centro intermediário para o comércio, que era feito principalmente através da navegação de cabotagem. Ao final do regime Imperial, a Província do Espírito Santo tinha sua base econômica na produção de café e também açúcar sendo as outras culturas produzidas em pequena escala.

O café, que conservava sempre seu preço elevado, era produzido em todos os municípios da província, mas seu principal centro produtor era Cachoeiro de Itapemirim onde mais da metade da população vivia de seu cultivo. O café foi, aos poucos, substituindo a produção de açúcar, devido ao preço cada vez mais valorizado. No ano de 1858 foram produzidas 151.227 sacas de café e 46.222 de açúcar, em 1861 este total passou para 223.809 e 21.843 respectivamente, o que mostra a importância crescente da lavoura cafeeira.

Ao final do Império o Espírito Santo produzia cerca de 400.000 sacas de café sendo o 4° produtor nacional e possuía sua nobreza do café representada pelos Barões de Itapemirim, Aimorés, Guandu e Timbai. A produção de açúcar, ainda que decadente, era efetuada principalmente em Itapemirim, Serra, Nova Almeida. A farinha de mandioca continuava a ter primazia na produção de São Mateus e Barra de São Mateus.

Outro produto relevante era a extração de madeiras principalmente no sertão de Itabapoana, Guarapari, Benevente (Anchieta), Santa Cruz, Itapemirim e Vitória.

No ano da proclamação da República havia em Vitória firmas importadoras, agentes de companhia de navegação e representantes consulares da Alemanha, França, Holanda e Portugal, ocupava o Espírito Santo o 15° lugar na ordem de importância na receita nacional.

 

Fonte: Espírito Santo: História, realização: Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), ano 2016
Coleção Renato Pacheco nº 4
Autor: João Eurípedes Franklin Leal
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2016

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