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Ano de 1856 – Por Basílio Daemon

Rancho onde o Imperador jantou em Santa Leopoldina. Foto: Victor Fround, 1860

1856. É nomeado por carta imperial de 8 de fevereiro deste ano presidente desta província o bacharel José Maurício Fernandes Pereira de Barros, que prestou juramento e entrou em exercício a 8 de março do mesmo ano, sendo exonerado a 24 de março do ano seguinte.608

Idem. É criada neste ano a Colônia de Santa Leopoldina, nas margens do rio Santa Maria e ribeirões que nele deságuam, sendo por aviso do Ministério do Império datado de 27 de fevereiro, autorizado ao presidente da província a conceder, demarcar e medir os terrenos para esse fim;609 principiou a mesma colônia com o número de cento e quarenta colonos, quase todos suíços, sendo no ano seguinte principiadas com afinco as ditas medições, sob a direção do nosso finado amigo o engenheiro civil Amélio Pralon, antigo oficial do nosso exército. De ano a ano foi aquela colônia prosperando com a vinda de outros colonos, como adiante se verá, até chegar ao grau de prosperidade em que hoje se acha; podendo de há muito ter sido emancipada, pois já dos antigos colonos há prósperos agricultores.

Idem. Por decreto deste ano é nomeado juiz de direito da comarca de Itapemirim o bacharel João da Costa Lima e Castro, que prestou juramento a 6 de março e entrou em exercício na mesma data.

Idem. Por decreto de 22 de março deste ano é nomeado chefe de Polícia desta província o bacharel Tristão de Alencar Araripe, que prestou juramento e entrou em exercício a 15 de julho do mesmo ano, sendo removido para igual cargo a 11 de abril de 1859, na província de Pernambuco.

Idem. Tendo no ano antecedente sido determinado pela Assembleia Provincial o dia definitivo de sua instalação, é a mesma instalada em sua 1ª sessão da 11ª legislatura concernente ao biênio de 1856 a 1857, a 23 de maio, dia esse em que se comemora a chegada a esta então capitania de seu primeiro donatário Vasco Fernandes Coutinho; foi esta presente legislatura composta dos deputados provinciais: capitão Francisco Rodrigues de Barcelos Freire, Dr. Manoel Gomes Bittencourt, capitão João Crisóstomo de Carvalho, Francisco Gomes Bittencourt, coronel Dionísio Álvaro Resendo, padre Dr. Inácio Rodrigues Bermude, coronel José Francisco de Andrade e Almeida Monjardim, Manoel do Couto Teixeira, José Barbosa Meireles, capitão Venceslau da Costa Vidigal, tenente-coronel Torquato Martins de Araújo Malta, padre Manoel Antônio dos Santos Ribeiro, padre Mieceslau Ferreira Lopes Wanzeller, capitão Manoel Ferreira de Paiva, Manoel Francisco da Silva, capitão Francisco Ladislau Pereira, bacharel Antônio Joaquim Rodrigues, Manoel Ferreira das Neves, padre Joaquim de Santa Maria Madalena Duarte, capitão José Marcelino Pereira de Vasconcelos.610 Na sessão do primeiro ano da legislatura foi composta a mesa: presidente padre Dr. Inácio Rodrigues Bermude, 1º secretário capitão Manoel Ferreira de Paiva, 2º secretário capitão Francisco Rodrigues de Barcelos Freire. No segundo ano foi composta a mesa: presidente padre Inácio Rodrigues Bermude, 1º secretário capitão José Marcelino Pereira de Vasconcelos, 2º secretário capitão Venceslau da Costa Vidigal.

Idem. É explorada, demarcada e principiada, na cidade de São Mateus, uma estrada que, partindo dessa cidade fosse a Filadélfia, na Colônia do Mucuri, na província da Bahia. Fez essa exploração, a mandado do governo, o engenheiro francês Charles Bernard, sendo acompanhado e coadjuvado pelo fazendeiro daquela comarca, tenente-coronel Mateus Antônio dos Santos;611 não teve, porém, o êxito que se esperava, conquanto ainda em 1872 fosse autorizado à presidência da província com uma quantia para conclusão daquela estrada, o que também não teve execução.

Idem. São neste ano, pela lei provincial nº 9, de 16 de julho, marcadas as divisas dos municípios da Vitória e da Serra pelo litoral, ficando até hoje reconhecidas e respeitadas as mesmas divisas, sem alteração.612

Idem. São neste ano criadas definitivamente duas colônias na província, a do Rio Novo, pelo major Caetano Dias da Silva, principiada no ano antecedente, como dissemos, tornando-se de propriedade de uma associação, com o nome de Associação Colonial do Rio Novo; 613 e a Colônia da Transilvânia, no Rio Doce, contratada com o Dr. França Leite.614

Idem. É elevada à categoria de freguesia pela lei provincial nº 11,615 de 16 de julho deste ano, a povoação do Cachoeiro, sob o título de paróquia de São Pedro do Cachoeiro.616

Idem. A 17 de julho deste ano sai à luz da publicidade o primeiro número de um periódico sob o título O Capixaba, sendo o mesmo político e noticioso.617

Idem. É organizada neste ano pelo tenente de engenheiros João José de Sepúlveda e Vasconcelos uma carta geográfica em que são demarcados os limites desta província com as confrontantes.618

Idem. É criado por decreto [de] 30 de julho deste ano, na vila de Nova Almeida, um colégio eleitoral.

Idem. Declara-se em fins deste ano, com intensidade, a epidemia do cholera-morbus na vila de Nova Almeida, fazendo muitíssimas vítimas, sendo nomeada uma comissão para acudir ao flagelo,619 a qual foi composta do vigário da freguesia, do presidente da Câmara e do subdelegado de Polícia da mesma vila.

 

608 “Tendo tido a honra de ser nomeado presidente desta província por carta imperial de 8 de fevereiro do corrente ano, e havendo tomado posse e entrado no exercício de sua administração em 8 de março próximo...” [Relatório do Exm. Snr. presidente da província do Espírito Santo o Doutor José Mauricio Fernandes Pereira de Barros, apresentou..., 23 de Maio de 1856, p. 3]

609 (a) “Por ofício de 15 de dezembro de 1855, o conselheiro Luís Pedreira do Couto Ferraz, então ministro do Interior do Império, comunicava ao presidente da província do Espírito Santo, José Maurício Fernandes Pereira de Barros, a resolução de fundar, na região da cachoeira do rio Santa Maria, uma colônia de estrangeiros. Entrementes, o tenente João José Sepúlveda de Vasconcelos recebia a incumbência de fazer o levantamento do terreno e medição de quatro léguas quadradas à margem daquele rio, local situado entre a cachoeira Grande e a cachoeira de José Cláudio. Dividiu-a em lotes iguais, de 62.500 braças quadradas cada um, e nela demarcou uma área de 500 braças quadradas para o estabelecimento da povoação. Os lotes urbanos mediam 10 braças de frente e 25 de fundo.” [Rocha, Viagem, p.121] (b) “Reunindo os terrenos vizinhos ao rio Santa Maria, entre a cachoeira Grande e a de José Cláudio, circunstâncias muito favoráveis ao estabelecimento de uma colônia agrícola, e desejando o governo imperial atrair a imigração pela fundação de fortes e prósperos núcleos de colonos, determinou por aviso de 27 de fevereiro do corrente ano que nesses terrenos se medisse e demarcasse uma extensão...” [Relatório do Exm. Snr. presidente da província do Espírito Santo o Doutor José Mauricio Fernandes Pereira de Barros apresentou..., 23 de maio de 1856, Colônia de Santa Maria , p. 28]

610 Lista de deputados eleitos para a 11º legislatura da Assembleia Legislativa Provincial. 23 de maio de 1856 [Pena, História da província, 2. ed., p. 100]

611 “Foi aberta uma picada partindo da cidade de São Mateus com a direção a Santa Clara, e não posso deixar de consignar aqui o nome do tenente coronel Mateus Antônio dos Santos, cujos esforços se deve principalmente a exploração desta importante estrada, em cujos trabalhos foi guiado pelo engenheiro da companhia Mucuri, o Sr. Charles Bernard.” [Relatório com que o Exm. Snr. barão de Itapemirim, 1º vice-presidente da província do Espírito Santo apresentou..., 25 de maio de 1857, Estrada de São Mateus, p. 23-4]

612 (a) Lei provincial nº 9, de 16 de julho de 1856, Art. 1º: Ficam demarcadas as divisas dos municípios de Vitória e Serra pelo litoral. (b) “As divisões deste município [Serra] com o da Vitória constam da lei nº 9 de 1856.” [Vasconcelos, Compilação, p. 131] (c) “[O município de Vitória] Ficou dividido com a vila da Serra no litoral pelo rio Manguinhos, de onde em linha reta seguirá à malha branca do Mestre Álvaro, e daí ao porto de Una, seguindo depois o rio Tangui até sua barra no de Santa Maria.” [Idem, p. 137]

613 “Em 1855 tinha o nome de Associação Colonial do Rio Novo. Depois passou ao Estado em 7 de outubro de 1861 já com o nome de Imperial Colônia do Rio Novo, sendo dividida em cinco territórios.” [Busatto, Imigração Italiana, p. 22]

614 “No Rio Doce também começa o Dr. Nicolau Rodrigues dos Santos França Leite a fundar alguns estabelecimentos coloniais, que muito prometem.” [Relatório com que o Exm. Snr. barão de Itapemirim, 1º vice-presidente da província do Espírito Santo entregou..., 8 de março de 1856, Colonização, p. 11]

615 Lei provincial nº 11, de 16 de julho de 1855. Art. 1º: É elevada a freguesia a povoação de Cachoeiro, com o nome de paróquia de São Pedro do Cachoeiro. [p. 53]

616 “Foi criada neste distrito uma freguesia com a denominação de São Pedro do Cachoeiro e com os limites do distrito de pás [sic]. Lei nº 11 de 1856.” [Vasconcelos, Compilação, p. 19]

617 “O Capixaba, Tip. Capitaniense. Periódico político e noticioso, como órgão das ideias de um dos lados da Assembleia Provincial (minoria) e para combater pela eleição de um espírito-santense patriota e ilustrado como deputado pela província à Câmara temporária. [...] O número 13 (último) circulou aos 23 de outubro.” [Pereira, Imprensa, p. 33]

618 Vasconcelos, J. J. de S., Carta da província do Espírito Santo: com parte da província de Minas que lhe está adjacente.

619 (a) “Cabe-me a satisfação de poder asseverar a V. Ex., que a epidemia do chorela-morbus se acha extinta nesta capital, continuando apenas nas freguesias de Viana, e Cariacica com alguma intensidade.” [Relatório com que o Exm. Snr. barão de Itapemirim primeiro vice-presidente da província do Espírito Santo entregou, 8 de março de 1856, Saúde pública, p. 4-5] (b) Ofício de Assembléia Legislativa: Elogio ao desempenho da sociedade filantrópica [Santa Casa da Misericórdia] durante a epidemia de cholera-morbus. 22 de julho de 1856. 

 

Nota: 1ª edição do livro foi publicada em 1879
Fonte: Província do Espírito Santo - 2ª edição, SECULT/2010
Autor: Basílio Carvalho Daemon
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2018

 

 

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