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Construção de Igrejas pelos Jesuítas no ES

Igreja da Misericórdia, local onde supostamente foi enterrado Vasco Fernandes Coutinho

As Igrejas: No seu trabalho de catequese, os jesuítas cogitaram de tudo que pudesse desenvolver a sua missão apostólica.

Duas foram as providências que tomaram ou incentivaram de início mesmo porque era impossível difundir a religião, pelo menos na então vila de Vitória, porque no interior já estavam cuidando das residências e missões, inclusive dos meios de abastecimento delas e do Colégio de Vitória com a organização de suas fazendas, onde colhiam todos os produtos agrícolas de que careciam, com abundância.

Não foi exclusivamente obra deles a construção de todas as igrejas e matrizes, no decorrer da catequese, levantadas em Vitória, Mas há necessidade de relacioná-las, para aquilatar-se do desprezo a que foram relegados os templos da sede da Capitania.

Nós sabemos que a primeira igreja erguida na Capitania foi a de N. S. do Rosário, em Vila Velha, onde muitos historiadores afirmam, na sua maioria, foi erigida pelo próprio Vasco Fernandes Coutinho, ao aportar em Vila Velha em 1535, para cumprimento da missão que indispensável fosse começada por um templo católico, para adoração dos fiéis.

Foi na igreja da Misericórdia que foram inumados os restos mortais de Vasco Fernandes Coutinho. É o que se deduz da seguinte nota (Mário Freire, Capitania do Espírito Santo, p. 82): “Aqui mandou V. S. dar sepultamento decente aos ossos do primeiro donatário Vasco Fernandes Coutinho que, soterrados em uma arca ainda se conservam relíquias dele”. Data esta nota do ano de 1682. A imagem de N. S. Mãe dos Homens, padroeira da igreja da Misericórdia, depois da demolição do seu templo, em 1907, foi levada para a igreja de Vila Rubim segundo ainda informa o mesmo Mário Freire.

A igreja de N. S. da Conceição da Prainha, então situada onde a rua Graciano das Neves faz confluência com a praça Costa Pereira, obteve provisão episcopal para a sua construção a 23 de janeiro de 1755, já existindo em Vitória “matriz espaçosa e bem construída” que “na série das igrejas coladas teve um lugar antes de 1748”.

A catedral de Vitória parece datar do tempo do ouvidor Barros Freire, ou seja, em 1786, quando nela foram introduzidas profundas reformas com madeiramento vindo de Nova Almeida, tirado das matas pelos índios por instâncias daquele ouvidor. Em 1848, no governo do presidente Pedreira (visconde do Bom retiro) foi novamente reformada, tomando nova aparência com a construção da belíssima torre que ostentava do lado sul, além de outras modificações internas e externas.

Foi demolida como toda a igreja em 1918, quando era bispo D. Benedito Paulo Alves de Souza, iniciando-se a construção (segunda) na atual catedral. Alguns historiadores informam ter sido o primitivo templo, retificado no ano de 1789, no mesmo local onde está, conforme se observa nos antigos prospectos da então vila de Vitória, um deles de 1805, de autoria de Joaquim Pantaleão Pereira da Costa (Teixeira de Oliveira, História do Espírito Santo, p. 226-227) em que aparece com um frontispício diferente, sem a torre referida linhas atrás. Tinha a matriz como sufragâneas oito capelas: Santa Luzia, Nossa Senhora da Conceição da Prainha, Senhor do Bom Jesus (Jacuí), Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora de Belém, São Gonçalo, Nossa Senhora do Carmo e Itapoca. Havia uma capelania curada em Viana, isto no tempo de Rubim, por decreto episcopal do bispo D. José Caetano da Silva Coutinho, datado da igreja de Belém, no ano de 1819, quando esteve ali hospedado. Por Decreto Régio, o curato de Viana foi elevado a Paróquia, em data de 25 de março de 1820, pelo mesmo bispo D. José Caetano da Silva Coitinho, dando-se-lhe por termo os rios Itaqui, Santo Agostinho, Jucu, até o rio Itacibá, que ficava a uma e meia légua para o interior do Porto. Assim alude Pizarro no seu livro “Memórias Históricas do Rio de Janeiro” (Livro 5, cap. III, p. 18-20), referindo-se à provisão baixada pelo bispo.

Havia dois conventos: o de São Francisco, fundado em 1591 pelos padres Antônio dos Mártires e Antônio das Chagas; e o do Carmo, fundado em meados do século XVIII, depois de aumentado o seu patrimônio com a doação da fazenda Piranema, pelo capitão Manoel Torres de Sá a 04 de março de 1696. O último prior da Ordem Carmelita em Vitória, foi o Frei Antônio de Nossa Senhora das Neves, falecido a 05 de maio de 1871 em Vitória.

Daí em diante, desaparecem os Carmelitas e o convento passou a ser um Quartel Militar, até 1897, quando foi entregue ao antigo Bispado, que nele instalou o Colégio do Carmo, em 1900. Merece especial menção aqui o convento de São Francisco e a igreja do Rosário por causa das festas de São Benedito que ambos disputaram, até quando o bispo D. Fernando de Souza Monteiro proibiu a sua realização dando fim a tantas rivalidades existentes entre os dois grupos – CARAMURU E PEROÁ – as quais sempre terminavam em brigas odiosas, tanto em terra como no mar, obrigando a polícia a restaurar a ordem, sempre que eram realizadas. Foram iniciadas no dia 27 de dezembro de 1832. Cada grupo possuía sua banda de música que abrilhantavam os festejos de Vitória e adjacências – as bandas do Rosário e São Francisco que o autor deste livro conheceu, animando as festas de Viana, quando a banda local estava em crise, e no Convento da Penha, numa festa ali ocorrida no ano de 1925.

Como os dois conventos acima descritos, também não eram sufragâneos da matriz de Vitória, as igrejas de São Tiago e a da Misericórdia.

Justificando os comentários que temos feito contra a destruição das nossas tradições históricas, das igrejas aqui relacionadas, só existem as de Santa Luzia, Nossa Senhora do Rosário e São Gonçalo de Vitória, e as ruínas da igreja de Nossa Senhora de Belém, na margem da BR-101, no lugar denominado Fazenda Jucu, em Viana, apresentando somente muralhas da nave da capela, sem mais a sacristia, destruída quando da construção da estrada, pelos fuçadores de dinheiro enterrado.

 

Fonte: A Obra dos Jesuítas no Espírito Santo, 2012
Autor: Heribaldo L. balestrero
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2012 



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