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Literatura no ES - Conclusões

Capa do livro de Francisco Aurélio Ribeiro

A literatura produzida no Espírito Santo pode ser considerada “marginal” ou “periférica” por dois motivos: geográfica ou culturalmente. Do século XVI ao XX, toda a literatura feita por capixabas ou no Espírito Santo tinha como modelos os centros europeus – Lisboa, Madri ou Paris – ou nacionais – Salvador, Rio de Janeiro ou São Paulo, vivendo à margem desses centros, geográfica ou culturalmente, por pretender copiar ou imitar aqueles modelos.

No século XVI, a literatura brasileira apenas se iniciava, com a literatura jesuítica (catequética ou informativa) ou a literatura informativa sobre o Brasil. O Espírito Santo esteve no centro dessa produção, enquanto capitania promissora, “a mais fértil e a mais provida de todos os mantimentos da terra”, “a terra mais abastada e melhor de toda a costa”, “a melhor e mais fértil do Brasil”, segundo depoimento de Gandavo, Pe. Antônio Pires ou Pe. Afonso Brás.

No entanto, com a descoberta do ouro nas Minas Gerais, o Espírito Santo perdeu grande parte de suas terras e quase todos os habitantes. Durante duzentos anos, tornou-se uma província fantasma, terra de mulheres, índios, crianças, funcionários públicos e escravos, uma barreira natural de florestas e rios para proteger as minas de ouro. Sua literatura nos séculos XVII e XVIII é proporcional à sua riqueza: nula. No século XIX, surgiram os primeiros escritores realmente capixabas que, no entanto, reproduziram os modelos pequeno-burgueses do romantismo nacionalista, imperial e escravocrata. O Pe. Marcelino Duarte e o Dr. Muniz Freire são os protótipos dos intelectuais e políticos capixabas da 1ª e 2ª metades do século passado.

O século XX custou a chegar, no Espírito Santo. O modernismo, através de sua versão antropofágica, poderia ter chegado através de Garcia de Resende, João Calazans, Atílio Vivacqua e Vieira da Cunha, em 1929, num Congresso de Antropofagia que não houve. Carta de Garcia de Resende à Revista de Antropofagia, de 12/06/1929, assim dizia: “Nós aqui somos poucos mas bons. O Espírito Santo tem a vantagem de não estragar talentos com manifestações de amor às letras. Nunca teve literatura. Agora é que estamos formando o pessoal. E tem gente de muito boa brasilidade”.

A literatura do Espírito Santo continua à margem da produzida nos grandes centros do país, à periferia do Rio, São Paulo, Belo Horizonte ou Brasília, assim como a produção cultural de todos os outros estados brasileiros. No entanto, não mais depende cultural, intelectual e economicamente para existir. Ela criou mecanismos para sobreviver.

Podemos, agora, parafrasear/ parodiar Garcia de Resende, afirmando a respeito da literatura feita no Espírito Santo, nos últimos vinte anos: “Nós aqui somos muitos e bons. Temos a vantagem de esbanjar talentos até com manifestações de amor às letras. Temos, agora, literatura. Continuamos formando e divulgando o pessoal. Boa brasilidade é conhecer, também o que fazemos aqui”.

 

Fonte: A Literatura do Espírito Santo – uma marginalidade periférica, 1996
Autor: Francisco Aurélio Ribeiro
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2012 

 

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