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Maurício de Oliveira

Quem nunca viu um violão rir, cantar, chorar, lamentar-se, dançar ou meramente conversar, não viu o músico Maurício de Oliveira acariciar as cordas de seu Takamine, o violão utilizado por ele em suas apresentações. Nas mãos do mestre, este objeto inanimado de madeira com seis cordas se transforma. Cria vida e é capaz de arrancar suspiros involuntários da platéia, seja ela composta por duas ou duas mil pessoas. Como amante atencioso, Maurício de Oliveira conhece bem cada som de seu instrumento, e vê-lo tocar é um ato de profundo amor".
(Revista Som & Arte n0 01 - Setembro de 1996, pág. 05)

Morreu na tarde desta terça-feira (1/09/2009), o violonista capixaba Maurício de Oliveira, de 84 anos vítima de enfarto.

Qualquer historiador ou mesmo um curioso pela história de nossa cultura fatalmente irá deparar-se com Maurício de Oliveira. Coincidência? certamente que não. Maurício de Oliveira com seus quase setenta anos de canções tomou-se o principal músico do Espírito Santo, uma referência como valor de nossa terra e como incentivador do rompimento das barreiras postas à música local.

Maurício de Oliveira nasceu no dia 19 de julho de 1925 (na verdade, em 1924, pois seu pai lhe registrou um ano depois do nascimento) numa residência humilde ao lado do Forte São João (atual Saldanha da Gama), no antigo Porto das Pedreiras. Filho e neto de pescadores, alguns de seus parentes mais próximos já despontavam para a música. Porém, a má fama de boêmio dos músicos capixabas e a condição financeira da família fez com que seu pai, Sebastiao Rodrigues de Oliveira, lhe impedisse ainda criança de aprender o violão. Maurício recorda esse momento - "Quando eu resolvi ser músico, meu pai não gostou porque já havia um caso na família de um violonista tio meu (José Inácio Oliveira) que morreu de tanto beber. Se eu não quisesse ser pescador, eu teria que escolher outra profissão, menos músico".

Passou a infância na Praia do Suá, onde garoto aprendeu a tocar cavaquinho e depois passou para o violão. Na adolescência, formou dupla com o irmão José – os Irmãos Oliveira. O desejo de ser músico se consolidou ainda mais com as apresentações na Rádio Espírito Santo.

O primeiro disco, um compacto simples, saiu pelo selo da Continental em 1952. Depois vieram outros, por gravadoras diferentes, como também as viagens para apresentações pelo país e no exterior, onde recebeu prêmios e honrarias. Sua biografia musical registra ainda a passagem pela big band do consagrado Hélio Mendes, onde tocou guitarra.

Maurício de Oliveira adquiriu prestígio dentro e fora do Brasil ainda nos anos 50. Suas amplas possibilidades ao violão o levaram para Varsóvia (Polônia) em 1955, local onde ocorreu o Festival Internacional do Violão para a juventude e onde ele conquistou o honroso segundo lugar com a interpretação de sua música mais famosa: "Canção da Paz". Como não bastasse sua produção musical, o cargo de Diretor Artístico da Rádio Espírito Santo lhe propiciou diversas apresentações,tanto em Vitória como no Rio de Janeiro, com músicos consagrados na MPB, onde podemos citar como exemplo Orlando Silva, Dominguinhos, Luis Gonzaga, Altemar Dutra, Artur Moreira Lima e Grande Otelo.

Maurício de Oliveira deixa uma vida dedicada à família e à música. Grande intérprete de Villa-Lobos, sua discografia é marcante, como também eram suas calças e seus sapatos brancos, sempre impecáveis. Sua paixão pelos instrumentos inspirou seu filho Tião, os netos Geraldo e Lucas (os três violonistas) e a neta pianista Antônia. Ou seja, a música tornou-se marca registrada da família Oliveira. Sua vida rendeu ainda o livro O Pescador de Sons, de autoria do jornalista e escritor Marien Calixte.

Discografia

* Compacto simples com as músicas Ardiloso e Esplanada - 1952 - 1ª obra gravada por um capixaba 
* Maurício de Oliveira e seu violão - 1960 - Musiplay 
* Um violão e novas emoções - 1960 - Musiplay 
* Hélio Mendes/ Weekend no Rio - 1961 - Gravado no Rio de Janeiro 
* Hélio Mendes/ Weekend em Guarapari - 1961 - Ganhou o Prêmio Euterpe, recebido do governador Carlos Lacerda, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro 
* Hélio Mendes e seu Trio Vagalume - 1963 
* Hélio Mendes, seu piano e seu conjunto - 1964 arranjos musicais 
* Hélio Mendes, seu piano e seu conjunto - 1966 arranjos de Maurício 
* Villa-Lobos e o violão/ volume 1 - gravadora London 
* Villa-Lobos e o violão/ volume 2 - gravadora London 
* Violão em tempo de valsa - 1968 - gravadora London 
* O Concerto de violão de Villa-Lobos - 1970 - 
* Maurício de Oliveira interpreta Dilermando Reis - 1971 - gravadora London 
* Canção da Paz - 1972 - gravadora London 
* Maurício de Oliveira interpreta Ernesto Nazareth ao violão - 1980 - Lançado em homenagem aos 50 anos da Fundação Jônice Tristão 
* Maurcício de Oliveira Erudito e Popular - 1985 
* Encontro/ Maurício de Oliveira e Ernesto Nazareth - 2000 - Disco promocional 
Biografias 
* O Pescador de Sons, vida e a obra do violonista capixaba Maurício de Oliveira; Marien Calixte (jornalista e escritor).
* Maurício de Capixaba Oliveira Pescador de Sons, filme de Cloves Mendes.

Fonte: Folha Vitória e http://www.taru.art.br/enciclopedia/mauriciodeoliveira/monografiarabello/introducao.htm

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