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Memórias de um canela-verde

Morro do Moreno - Foto tirada da Pedra da Sereia em 1940

Na Prainha, havia os Caldeira e os Pitanga. Não muito longe dali, os Botelho (Augusto foi desembargador). Na Rua Antônio Ataíde, os Veloso e os Queiroz, da qual saiu Eugênio, prefeito que abriu avenidas.

Na Praia da Costa, a família Mota, que habitava um sítio cheio de cajueiros ao pé do Morro do Moreno, era uma das principais proprietárias da cidade. Eram seus praticamente todos os terrenos da Avenida Champagnat para a Praia da Sereia, assim chamada porque, ao montar um bar ali, o pintor Lúcio Bacellar pintou uma sereia na parede. Alguns anos depois ganhou como vizinho Gastão Roback, que criou na Sereia o Clube dos 40, já desaparecido. A figura mais folclórica da Praia da Costa era João Rita, que bebia regularmente e vivia de donativos.

Mais para o Centro, havia a família Aguiar, proprietária do Morro do Moreno.

Em Itapoã, a família Mascarenhas possuía muita terra que só adquiriu valor mais tarde, quando boa parte foi comprada pela Sociedade Vila da Penha, de Edgar Rocha.

Em Itaparica, os Setúbal. Mais tarde a área do Coqueiral foi comprada por Armando de Oliveira Santos.

Na Toca, proliferou a família Coelho, que aliás deu nome ao bairro. Ao redor da casa, os Coelho criavam gado e produziam leite. Um dos vizinhos eram os Alcântara. Mais para dentro, os Bernardes, família que deu um prefeito, Américo e uma educadora de escola, Anna.

Onde hoje são a Glória e o Soteco, a família Laranja tinha uma fazenda que era quase só areia.

Em Aribiri, os Vereza. Depois de Aribiri, os Ataíde tinham casa.

Na Barra do Jucu, os Valadares (Pedro era sogro de Tuffy Nader, ex-prefeito).

Em Jaburuna, Os Freitas eram donos do morro onde hoje existe um anfiteatro da seita Maranata.

Em Inhoá, os Leal criavam gado até ganharem a vizinhança da Escola de Aprendizes Marinheiros, por volta de 1959.

Tudo mudou em Vila Velha. Mas a mudança maior, talvez, foi junto ao Colégio Marista. Ali ao lado havia um mangue, com duas pontes - a velha e a nova. E havia dois campos de futebol, um do Atlético e outro do Olímpico, onde jogou Max Mauro, ex-governador. Naquela área foi construído o Canal da Costa, que muitos pensam ser um córrego natural. O Canal da Costa, puro esgoto diluído em água da chuva, é construção humana feita para drenar um alagado que um engenheiro da Cesan chamou de " maternidade de pernilongo".

 

Autor: Gedelti Gueiros
Fonte: Publicado em Suplemento Especial do Jornal A Gazeta, 30 de novembro de 1992



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Está certo que nosso site não é nenhum Big Brother, mas publicamos esta carta endereçada ao escritor Walter de Aguiar Filho, autor do livro "Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno", pelas lembranças que nos traz sobre Vila Velha de outrora e pelo alerta sobre a identidade e cultura do canela-verde. Confira!

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