No Espírito Santo, o movimento de redemocratização coincidiu com o observado em nível nacional. Em janeiro de 1943, o interventor João Punaro Bley foi demitido do posto e substituído por Jones Santos Neves. Este era um político espírito-santense ligado aos grandes cafeicultores e com profundos laços de lealdade a Vargas.
O interventor Jones Neves foi o articulador político, no Estado, do processo de transição para a democracia. Durante o seu governo, as legendas partidárias começaram a ser formadas.
Como era de se esperar, o pluripartidarismo instalado no país por Getúlio Vargas reproduziu-se no Espírito Santo. Cinco grandes forças partidárias aglutinaram os diversos segmentos sociais, representando seus respectivos interesses:
O PSD – Partido Social Democrático – era dominado pelos “coronéis” das grandes famílias proprietárias de terras, especialmente os cafeicultores.
O PTB – Partido Trabalhista Brasileiro – reuniu os líderes sindicais da nascente classe operária urbana de Vitória, os pequenos empresários e os comerciantes.
A UDN – União Democrática Nacional – era controlada por profissionais liberais: médicos, advogados e jornalistas. Agregou alguns grandes proprietários rurais não-getulistas.
O PRP – Partido da Representação Popular – agrupou os pequenos e médios proprietários de terras, especialmente das terras da colonização italiana e alemã onde foram fortes os remanescentes do integralismo.
O PSP – Partido Social Progressista – incorporou os dissidentes do PSD e da UDN.
Outros partidos de menor expressão política, também foram criados. É o caso do Partido Democrático Cristão (PDC), apoiado pela Igreja Católica, do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Partido Republicano (PR). Vale mencionar, por último, a Esquerda Democrática (ED) que, com o tempo converteu sua sigla para PSB – Partido Socialista Brasileiro.
Com a queda de Getúlio Vargas do poder, caiu também o interventor Jones Neves.
No nível federal, foi mantida a data das eleições para preenchimento dos cargos políticos. No nível estadual, todavia, o calendário foi alterado: as eleições para governador e deputados foram adiadas para 1947, quando estaria elaborada a Constituição Federal e, portanto, definido o cenário político nacional.
Isso posto, entende-se por que de 1945 a 1947 houve uma instabilidade política no governo capixaba. De uma data à outra, quatro interventores administraram o Estado. Tratando-se de administrações transitórias, não fizeram grandes realizações ou mudanças.
Em março de 1947, eleito por voto direto, Carlos Fernando Monteiro Lindemberg, do PSD, foi empossado como governador do Espírito Santo. Abria-se um novo período da história republicana no Estado, marcada pela continuidade do predomínio de forças econômicas e políticas ligadas à agricultura. O “monteirismo”, ou seja, o “coronelismo” renascia das cinzas com todo força.
Fonte: HISTÓRIA DO ESPÍRITO SANTO – UMA ABORDAGEM DIDÁTICA E ATUALIZADA 1535 – 2002
AUTOR: JOSÉ P. SCHAYDER