Os primeiros bailes carnavalescos, já no início do século XX, eram realizados na varanda da residência do Dr. Ferreira Coelho. Nesta ocasião fundaram o Grêmio Thalia, porque o Clube Celestial, já existente, funcionava só para teatros, sua sede era na residência do Sr. Pacheco.
O Clube Thalia foi fundado por Anselmo Cruz, Domingos Carneiro, Dr. Ferreira Coelho, Antônio e Agenor Araújo, Manoel Duarte de Freitas e outros.
Mais tarde surgiram outros clubes, como o Clube dos Democráticos, cujos fundadores foram: Miguel Aguiar, Alvino Simões, Joaquim Junqueira, Adolfo e Clementino Barcelos, Francisco e Manoel Leão.
Este clube tinha seu bloco, "Os Bentevis", sua marcha oficial, da qual registramos alguns versos:
"Bentevi, as suas cores preto e amarelo,
tão cheias de vigor,
são as cores que encantam,
a melodia do amor."
Na década de 20 os bailes de Carnaval nos Democráticos eram animados pela banda de música do 3º B.C. Ótimas festas foram ali realizadas, sendo a mais importante o Baile Róseo, no qual todas as moças se apresentaram vestidas de rosa e os rapazes de terno branco. Esta festa contou com a presença do Dr. Aristeu Borges de Aguiar, então Presidente do Estado. As domingueiras eram animadíssimas.
Além dos Democráticos, possuía Vila Velha outros clubes como: União das Flores (seu fundador, Pedro Silva, era um autêntico carnavalesco), Vai Quebrar, Oriente, Recreio das Flores, o Bloco Cartolas e Cartolinhas que só dava bailes no Carnaval.
Em 1933 foi fundado o clube dos Fenianos. Nessa ocasião, a sociedade de Vila Velha não contava com nenhum clube. Os idealizadores e fundadores do Fenianos foram: Saturnino Mauro, Clementino Barcelos, Duarte Carino de Freitas, Ernani Silva, João Pinto da Vitória e outros. Este clube tinha dois animadíssimos blocos: Deixa Falar e Falar é Fôlego, cujos nomes já foram escolhidos com o propósito de criticar o seu rival - o segundo clube dos Democráticos.
O segundo clube dos Democráticos, fundado por Diociécio G. Lima, Edgard Souza, Jair Amorim, Anésio Alvarenga e outros associados dos Fenianos que se desagregaram, tinha também o seu bloco - o Renegados, que era muito animado.
Mais tarde surgiu o segundo Clube Celestial com seu bloco do mesmo nome, cujos componentes vibravam ao cantarem sua marcha oficial, cujo estribilho era:
"É hoje a nossa alegria,
desceu à terra o Celestial
para dar mais harmonia
a esta festa que é o Carnaval."
O Clube Celestial resultou da fusão dos Fenianos e Democráticos numa ocasião em que a sociedade vilavelhense estava dividida e as famílias já quase não se uniam mais. As críticas eram recíprocas e a manutenção dos clubes estava se tornando impossível, pois a cidade era pequena e não comportava duas agremiações do mesmo nível social.
Os blocos, com suas belas fantasias, boa orquestra e bonitas músicas, muito alegravam não só o Carnaval da cidade, mas também o da Capital.
A Bahia nos doou no passado, bons foliões cujos descendentes integraram a vida social e política da nossa cidade: Lúcio Bacelar, Saturnino Rangel Mauro, Domício Mendes e outros. Todos baianos de nascimento, mas verdadeiros vilavelhenses, mais até do que muitos filhos da terra.
Dentre os foliões que mais se destacavam, podemos citar além destes, os senhores: Pedro Silva, Duarte Carino de Freitas, Miguel Aguiar, Gentil Cruz, Ernani Silva (Paisinho), Romeu Silva, Demóstenes Nogueira e outros que contavam com a colaboração indispensável do maior folião de todos os tempos: CLEMENTINO BARCELOS.
Autor: Maria da Glória de Freitas Duarte
Livro: Vila Velha de Outrora - Vitória - 1990
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2012