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Privilégios da infantaria

Livro: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição 2008

Novo pedido de soldados, artilharia e munição obteve do governo geral a promessa de pronto atendimento e mais esta recomendação: “Convem que V. M. faça nessa Capitania todas as prevenções que pede assim a vontade que os Hollandezes têm ao Brasil”.(53)

Aliás, as cartas dos governadores gerais dessa quadra, de quando em vez, fazem referências aos holandeses, aconselhando aos responsáveis pela segurança das várias capitanias que se acautelassem contra possíveis ataques.

A infantaria é outro tema constante. Fixado em quarenta soldados(54) o destacamento desta praça, raramente a lotação esteve completa, o que provocava repetidas advertências do governo da Bahia para obrigar os vadios(55) a assentar praça.

É singular a linguagem dos governadores gerais relativamente à maneira por que deviam ser tratados os homens de farda. Enquanto só raramente tocavam nos vencimentos dos funcionários da Justiça e da Fazenda, dos vigários e demais religiosos – sempre atrasados – recomendavam repetidamente o pagamento dos soldados “para que de nenhum modo se queixe a Infantaria”.(56)

Tendo ficado a cargo dos moradores a manutenção da guarnição militar da capitania, escrevia da Bahia o representante d’el-rei à Câmara de Vitória, em 1661: “de qualquer modo é obrigação sua suprir com a fazenda do povo os defeitos da de Sua Majestade”.(57)

Em 1658, na “provisão que se enviou à Capitania do Espírito Santo para os Officiaes da Camara della supprirem o que faltar aos direitos dos vinhos, por contribuição do povo” (desses direitos é que saía o necessário ao pagamento da infantaria), não faltou a ameaça: “E havendo pessoa (o que não creio) que de algum modo duvide, ou perturbe a execução desta ordem; os mesmos Officiaes da Camara, e sendo necessario o Capitão-mor daquella Capitania m’ a remettam presa a bom recado a esta praça com os autos que se farão de sua desobediência para se lhe dar o castigo que o caso merecer”.(58)

Eram privilégios que prejudicavam quase toda a coletividade, para beneficiar elementos de problemática significação para a vida da colônia, em seus primeiros tempos.

 

NOTAS

(53) - DH, V, 37.

(54) - A vinte e seis de agosto de 1649 foi autorizada a elevação para oitenta infantes (DH, IV, 458).

(55) - CAIO PRADO JÚNIOR escreveu bela apreciação sobre “a casta numerosa dos vadios, que nas cidades e no campo é tão numerosa, e de tal forma caracterizada por sua ociosidade e turbulência, que se torna uma das preocupações constantes das autoridades e o Leitmotiv de seus relatórios; e não se ocupam menos dela outros observadores contemporâneos da vida colonial” (Formação, 281).

(56) - DH, V, 244.

(57) - DH, V, 117.

(58) - DH, IV, 83.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, junho/2017

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