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A grande enxova - Por Sérgio Figueira Sarkis

Imagem antiga da fachada da Confeitaria Colombo, no Centro de. de Janeiro, local em que eu e meu pai miamos encontrar os amigos dele

Papai Michel era uma pessoa com grande número de amigos. Estes, conhecedores dos tiques dele, viviam criando situações inusitadas para gozá-lo. A mais famosa ocorreu quando um grupo resolveu fazer uma viagem ao Rio de Janeiro.

A maior parte — Adamastor Bonfim, Doutor Beleza, Mário Pretti e Políbio Andrade — iria de automóvel. Papai, de avião, levando-me para tratamento de dentes com o doutor Dario Derenzi. Combinaram encontrar-se em frente à Confeitaria Colombo, no Centro da Cidade Maravilhosa.

Durante o voo, papai conversava comigo, sobre como teria sido a viagem dos amigos no carro. As estradas não eram pavimentadas e a falta de assistência, praticamente total: poucos postos para abastecimento, conserto de pneus etc. A expectativa de papai era muito grande. Estava doido para chegar e saber das novidades.

Este comportamento já era conhecido por todos em ocasiões parecidas com essa. Perguntava tudo. Que horas saíram? Como foi a viagem? Quantas vezes abasteceram o carro? Quanto tempo durou? E assim por diante...

Pousamos no Aeroporto Santos Dumont já anoitecendo e fomos direto para o hotel, na Cinelândia. Tomamos banho, descemos e saímos para jantar num dos muitos restaurantes existentes nas proximidades. Voltamos para dormir e, no dia seguinte, por volta das 10 horas, irmos ao encontro com o grupo de amigos.

A ansiedade de papai era enorme. Não parava de falar sobre o assunto, criando, inclusive, novas questões a serem submetidas a eles. Às 10 em ponto, chegamos à Colombo. E lá estavam todos aguardando a gente. Cumprimentos de praxe, papai inicia a conversa perguntando:

— E aí, como foi a viagem?

Imediatamente, doutor Beleza tira do bolso do paletó um envelope grosso e o passa para ele.

— O que é isso? — pergunta.

Doutor Beleza esclarece que, ao chegarem, sabedores da ansiedade de papai em relação a fatos como aquele, resolveram escrever tudo o que ele iria perguntar e colocaram as devidas respostas:

— Saímos a tal hora; a viagem foi muito boa; paramos duas vezes para abastecer; não furou pneu, chegamos... E assim foram respondendo todos os questionamentos, possíveis e imaginários que você poderia fazer. Agora, pega e lê tudo, do início ao fim.

Frustração total. Papai murchou. Mesmo assim, não se conteve e tentou perguntar algumas coisas. Ouvia como resposta para procurar na lista. Lá estava a resposta. Foi a maior enxovalhada que ele recebeu em toda sua vida.

 

Fonte: No tempo do Hidrolitrol – 2014
Autor: Sérgio Figueira Sarkis
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2019

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