Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando desde 2000 a Cultura e História Capixaba

A Voz do Povo – Por Norbertino Bahiense

Festa da Penha, 2018

Nas visitas ao Convento da Penha, nas festas que ali se realizam há séculos, as manifestações do povo se matizam pelas mais diferentes cambiantes. Acentuam-se pela intensidade da fé, destacam-se pelas expansões da alegria, virtuam-se pelas belezas da simplicidade.

Alguns casos devem ser assinalados. No "O Comércio do Espírito Santo" de 10 de janeiro de 1895, pode-se ler o seguinte convite dos nossos humildes remadores de bote:

"N. S. da Penha"

"Os abaixo assinados catraeiros devotos da Excelsa Virgem que se venera em seu tradicional Convento da Penha deste Estado, mandam celebrar no dia 10 do corrente às 8 horas da manhã uma missa em louvor à mesma Virgem . Cientificam, portanto, aos que não se cansam em comparecer a esses atos, que assinalam a grandiosa homenagem que prestar-se pode a nossa imorredoura religião. Vitória, 8 de janeiro de 1895. Cláudio M. Pinto da Conceição — Francisco Pereira do Rosário".

Em nossas peregrinações, buscando documentação bibliográfica para este livro, encontramos uma curiosa maneira de algo se pedir à Santa. Simplesmente isto: um pedido feito em cartão de visita. Não podendo ir ao Convento, o devoto manda, por um terceiro, um cartão a Nossa Senhora da Penha, pedindo-lhe o que quer. Anotamos dois casos destes. Omitimos os nomes, mas transcrevemos os trechos dos cartões. Um, de São Mateus, diz, após o nome impresso da pessoa:

"Fulano de tal pede a Nossa Senhora da Penha sua divina proteção e auxílio".

Outro, de São João da Barra:

"Fulano de tal pede a Nossa Senhora da Penha que o guie na vida, implorando auxílio para si e sua mãe".

Que santa simplicidade...

Para contrabalançar tudo isso, infelizmente também surgiram, em todos os tempos e como acontece em toda parte, os abusos. As grandes romarias ao Convento, desde quando se formavam as cavalhadas do interior, inclusive de Campos e redondezas, de onde vinham até as bandas de música montadas, — traziam também elementos nocivos, jogadores profissionais, que se instalavam nas redondezas do santuário e armavam as suas arapucas ou formavam as suas mesas de cartas às quais atraíam os fracos.

Tais foram os abusos então verificados que, D. Pedro Maria de Lacerda, em 14 de abril de 1879 expediu uma Pastoral proibindo as Festas da Penha fora do templo.

 

Fonte: O Convento da Penha, um templo histórico, tradicional e famoso 1534 a 1951
Autor: Norbertino Bahiense
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2018

Convento da Penha

Esta nossa ilha do alto

Esta nossa ilha do alto

O artigo assinado por J.C. foi publicado em março de 1953 em Vida Capichaba. A narrativa e a foto é de Guilherme Santos Neves

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Frei Pedro Palácios e a Virgem Ss. da Penha - Por Orminda Escobar Gomes

Saltando, do reinol, encontra a porta aberta... E o frei vagando, só, na praia — já deserta — Distante vê, na gruta, o abrigo que buscava

Ver Artigo
A Origem da Capela de Nossa Senhora – Por Maria Stella de Novaes

Crescia a concorrência do povo às horas da prece, na capelinha de São Francisco, o templo cujas ruínas ainda podemos apreciar, na orla do Campinho

Ver Artigo
O Milagre da chuva

Também ouvida, por Gomes Neto, ao Padre Joaquim de Santa Maria Madalena Duarte

Ver Artigo
A Descoberta da Imagem de Nossa Senhora da Penha

Do livro O RELICÁRIO DE UM POVO – Santuário de Nossa Senhora da Penha (1958, 2ª Edição), da autora Maria Stella de Novaes

Ver Artigo
Todos os motivos nos levam à Festa da Penha

Desde 1570 comemoramos a Festa da Penha oito dias após a Páscoa. Ela é a festa cristã pioneira da América

Ver Artigo