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Aspectos gerais - Discriminação Racial

Na foto o autor do livro Cleber Maciel

A escravidão, o apartheid, a segregação, o racismo e a discriminação foram formas através das quais os brancos puseram em prática os seus preconceitos contra os negros.

O preconceito pode ser entendido como uma forma de pensar os negros tendo como princípio ideias apriorísticas que lhes atribuem qualidades negativas. Como essas ideias são apoiadas em teorias que afirmavam existir diferenças de superioridade ou inferioridade entre as raças humanas, então também é chamado de preconceito racial ou racismo. A discriminação pode ser entendida como a ação prática orientada pelo preconceito, mesmo que os que discriminam não tenham plena consciência disso.

O racismo segregacionista pode ser entendido como a junção do preconceito com a discriminação, de forma consciente e/ou institucionalizada, através de práticas sociais, culturais e políticas aceitas pelos costumes e regulamentadas por leis específicas que separam as pessoas por causa da cor ou da raça e garantem privilégios para os brancos e retiram direitos dos não brancos. Quando essas leis são, inclusive, a base do regime constitucional de governo, como na África do Sul, caracteriza-se o apartheid.

Durante o período em havia oficialmente a escravidão, a prática da discriminação racial pôde ser levada a um extremo possível, dadas as condições históricas marcadas pela ambição e cega exploração mercantilista dos europeus sobre os africanos e americanos. O apartheid é a prática do racismo levado ao extremo, marcado pela ambição cega de exploração capitalista de alguns poucos brancos europeus tentando garantir para si mesmos a dominação, os privilégios e o poder total, frente a uma imensa maioria de negros.

A escravidão, enquanto forma violenta de exploração do trabalho dos negros, gerou suas justificativas com base em princípios de uma ilusória superioridade racial dos brancos. O apartheid tornou-se a institucionalização mais radical e violenta da segregação legalizada(89).

Entre esses dois modos extremos de exploração da raça branca sobre a negra, isto é, entre a escravidão e o apartheid, há muitos degraus que exemplificam as práticas discriminatórias sofridas pelas pessoas não brancas frente aos brancos dominantes. Assim, no discurso, para os brancos, quanto mais preta for a cor da pele ou quanto maiores forem as características de negro que uma pessoa carregue, “mais inferior” ela será considerada. Logo, quanto mais branca for a cor da pele ou quanto menores forem as características de negro que uma pessoa carregue, “menos inferior” ela será. Dito em outras palavras, quanto mais negro, mais a pessoa é discriminada.

Como desdobramento da discriminação racial, aparece a ideologia do branqueamento, isto é, para não serem discriminadas, as pessoas são obrigadas a buscar parecer, o máximo possível, com os padrões étnicos e culturais brancos. O fato de muitos mestiços tentarem disfarçar, esquecer ou negar sua negritude e procurar destacar o seu lado branco é uma manifestação dessa ideologia de branqueamento. Outros exemplos de ideologia de branqueamento ocorrem quando muitos negros são obrigados a “diminuir sua negritude”, por exemplo, alisando o cabelo, para ter “boa aparência” e conseguir um emprego, e quando a pessoa negra escolhe casar com uma pessoa branca, não por amor, mas, para gerar filhos mais claros.

 

NOTAS

(89) Mais aspectos e detalhes sobre racismo, discriminação e preconceito podem ser vistos em MACIEL, Cleber da Silva. Discriminações raciais. Negros em Campinas (1888-1921). Campinas. Unicamp. 1988.

 

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Fonte: Negros no Espírito Santo / Cleber Maciel; organização por Osvaldo Martins de Oliveira. –2ª ed. – Vitória, (ES): Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, 2016.
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2022

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