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A Extração da Madeira de Lei - Venda Nova do Imigrante

Madeira em toras - Foto ilustrativa

Com a súbita baixa do café, ocasionada pela crise de 1930, a previsão para o futuro das lavouras era alarmante. Os produtores agrícolas estavam num dilema: ou continuavam na monocultura do café, esperando uma reação dos preços, ou mudavam de sistema, diversificando a produção. A segunda opção se estendeu por vários anos, de 1930 a 1945. Passo a relatar, então, os principais acontecimentos desse angustiante período.

Sob o patrocínio da Secretaria da Agricultura, realizou-se uma experiência com o plantio de trigo que contou com a assistência de engenheiros, agrônomos e técnicos agrícolas, chefiados pelo engenheiro agrônomo, Dr. Joanito Campos. Foram aproveitadas para isso as terras planas e aráveis. Houve uma euforia muito grande a princípio. A produção alcançou bons índices e as tulhas se encheram deste cereal. A primeira colheita, porém, foi totalmente desperdiçada. Não havia base de mercado para a venda do cereal em grãos. O preço não compensava os custos e o produtor não quis encarar maiores despesas com o frete para os moinhos da Capital, Vitória. Houve abundância de pão caseiro, fabricado pelas donas de casa. Os moinhos de fubá de milho trituravam o grão e faziam a farinha, mas o produto final era de cor escura. O pãp, constituído de 100% de trigo, tinha boa aceitação, mas na mesa a preferência mantinha-se firmemente em favor da polenta. A primeira colheita foi consumida dessa forma; boa parte serviu de alimentação das galinhas e suínos.

No ano seguinte, o Governo Estadual instalou um moinho de trigo e fizeram novo plantio. A colheita foi promissora. Coma moagem do trigo no próprio local, o produto final era de ótima qualidade. Entretanto, não encontrando um preço que contrabalançasse as despesas, ninguém mais se interessou pelo cultivo de trigo e o moinho foi retirado.

Fracassando a tentativa de diversificação de culturas, o período entre 1930 e 1955 foi favorável a extração de madeira. Essa atividade concentrou-se numa só espécie, o cedro, abundante em toda região do Alto Castelo que, na época, junto com o jacarandá, foram as espécies comercialmente econômicas. Com a aquisição de mais carros de transporte em Venda Nova do Imigrante pelas famílias Perim, Comarella, Venturim, Briosque e Furnaletto e de meia dúzias de famílias de Conceição do Castelo, a Prefeitura de Castelo se interessou pelo melhoramento da única estrada entre Venda Nova do Imigrante e Castelo. A estrada, cujo traçado seguia de Venda Nova do Imigrante, via Conceição de Castelo, Santo Antônio do Areião e por último Castelo, num percurso superior a 80 quilômetros, não oferecia boas condições de trânsito. Quando tudo corria bem, uma carga levava oito horas para chegar a Castelo.

Em 1935, o Sr. José Maia, empreiteiro da construção da Capela de Venda Nova – recentemente demolida – foi o primeiro a se interessar pela extração e compra de cedro.

Não havia serrarias no local e os caminhões não eram adaptados para o transporte da madeira em toras. As árvores de cedro eram colossais e a solução encontrada foi dividir as grossas toras em pranchas pela serragem manual. A serragem braçal exigia bons músculos e bons conhecimentos, tais como a marcação do desdobro das toras, a divisão em pranchas e em espessura e largura, o cálculo de medidas cúbicas e, principalmente, a arte de construção de estaleiros seguros e práticos.

A folha de serra metálica se consistia em uma Lâmina de aço não superior a um metro e 80 cm de comprimento e 1cm de espessura, despontada com 30cm. Na parte inferior, o cambito (cabo puxador) desmontável. Funcionava perpendicularmente, o mandante na serra em cima do estaleiro e o puxador em baixo, com os pés firmes no chão. Ambos manobravam a serra com pulso firme, atentando para que a lâmina seguisse precisamente o prumo, a linha demarcada. Uma dupla de profissionais experientes serrava uma, média de meio metro cúbico de madeira em pranchas por dia.

O primeiro cedro de minha propriedade a ser dividido em pranchas foi empreitado a sete mil réis o metro cúbico e vendido ao Sr. José Maia a 18 mil réis o metro cúbico, um negócio da China na época. A demanda de profissionais de serragem era muito pequena e grande era a quantidade de árvores de cedro a extrair.

Durante um período ininterrupto de 15 anos, os gigantes das matas iam paulatinamente desaparecendo. Densas matas na propriedade dos irmãos Briosque, o maior reduto de cedros da região, onde o verde avermelhado da folhagem era o maior índice de fertilidade exuberante do solo, foram reduzidas a uma macega de capoeiras. Desapareceu a imponência das árvores colossais, visão que tanto surpreendia os visitantes.

Deixando de lado a tristeza da devastação do cedro de tão majestosa floresta, o ciclo da extração de cedro foi providencial para Venda Nova do Imigrante. Foi a madeira de cedro que ajudou os cafeicultores a superarem a crise do café. As finanças melhoraram e a necessidade da boa comercialização da madeira fez com que se abrissem estradas na área das propriedades, levando-as ao interior das matas.

 

Fonte: Venda Nova do Imigrante – 100 anos da colonização italiana no Sul do Espírito Santo, 1992
Autor: Máximo Zandonadi
Local da Pesquisa: Casa da Memória de Vila Velha, livro doado pela  Família de Almir Agostini,1995
Compilação: Walter de Aguiar Filho,outubro/2011

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