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A história da fundação de Linhares

Francisco Alberto Rubim - Fonte da Foto: Paulo Stuck

Na época em que Tovar fundou a Povoação de Linhares, vinha também com a missão de povoar a região, a pedido de D. Rodrigo, que não desanimava de transformar o “Nilo Brasiliense” em um instrumento do progresso. Se não tomou as providências, que ele mesmo sugerira, necessárias à navegação, pelo menos as fez no sentido de povoar as proximidades da foz do rio.

Para isto, convidou para lá os lavradores que quisessem se estabelecer.

João Filipe Du Pin Almeida Calmon foi o único que atendeu ao convite. Este colono empreendedor vendeu as terras que possuía entre Itapemirim e Benevente – hoje Anchieta -, e veio para Linhares com a família em “novembro de 1809”. As peripécias de sua viagem, narradas por Saint-Hilaire, teriam sido de desanimar alguém menos determinado.

Estando o rio Doce no período das cheias, “foi preciso trazer através de Campos do Riacho e por florestas impenetráveis todas as provisões necessárias. João Filipe foi atacado de febres, e outros de sua família também, mas nada o desencorajou”.

Escolheu, para se fixar, as terras que ficavam diante do Povoado de Linhares, do outro lado do rio – onde hoje é a Estação Experimental da Emcapa -, dando-lhe o nome de “fazenda Bom Jardim”. Instalando-se , iniciou os trabalhos que não devem ter sido fáceis: desmatamento da floresta densa e construção de abrigos para a família e escravos.

Trabalhando arduamente, em menos de 10 anos já produzia farinha e açúcar; experimentou a cultura do linho e do trigo e, mais tarde, construiu barcos para transportar, barra a fora, os produtos de sua sesmaria. Montou também uma olaria para telhas e tijolos.

Os experimentos com linho e trigo foram realizados na época de Francisco Alberto Rubim que, com a saída de Tovar em 1811, assumiu no ano seguinte o Governo da Capitania.

Rubim, homem empreendedor, preocupou-se entre outras coisas com o povoamento de Linhares, inteiramente ao abandono, marcado apenas pela presença de João Filipe; a navegação reduzia-se a canoas que subiam e desciam o rio, conduzindo soldados, armas e munições. Na povoação de Linhares, nem farinha de mandioca se produziam devido a ordens anteriores de Silva Pontes e Tovar, no sentido de que a população não o fizesse para não chamar a atenção dos botocudos e evitar seus ataques. Coisa, aliás, que, evidentemente, de nada deve ter adiantado, levando apenas todos da região a uma grande inércia.

Tratou Rubim de mudar estas disposições, determinando não só que plantassem a mandioca, mas que esta atividade fosse desenvolvida também pelos soldados que estivessem de folga. Ainda em benefício de Linhares enviou à povoação, em 1813, 34 camponeses espanhóis”, vindos de uma das ilhas Canárias e que haviam chegado junto a outros, em Vitória, na embarcação Santo gostinho Palafox. Remeteu-os a João Filipe Calmon, habitante “mais poderoso do lugar”, para que os acolhesse e distribuísse entre as demais colônias da região; mas ele os recebeu e deu trabalho a todos em sua própria fazenda. Data dessa época o envio das sementes de linho e trigo a que já nos referimos. Mandou, ainda Rubim, vir outras pessoas de Minas, perfazendo um total de 62 novos habitantes de ambos os sexos.

Preocupou-se também pelo fato de ali não haver “igreja e nem um pároco que lhe administrasse os sacramentos”, o que considerava grande vexame. Por isso, o zeloso Governador elevou o povoado a Paróquia em 1810 e, em 1813, por indicação de um bispo que esteve em Linhares, foi mandado o Padre Pedro do Rosário Ferreira, que logo faleceu. Em setembro de 1817, Rubim veio a Linhares pessoalmente lançar a pedra fundamental para a construção da Igreja Matriz.

No ano seguinte, 1818, PE levantada, por sua ordem, “uma vista e perspectiva da então Povoação de Linhares, em a qual foram demonstrados os edifícios, terrenos adjacentes, estradas e o majestoso rio Doce”; e a 19 de agosto de 1819, remeteu ao Príncipe Regente D. João, no Rio de Janeiro, “a planta topográfica da povoação de Linhares, assim como a estatística de sua população e o mapa do Corpo de Pedestres ali existente para defesa de seus moradores; acompanhando ainda a relação das diversas obras ali feitas, como fosse as de estradas e Matriz.”

Além disto, “o Governo, em janeiro de 1814, é autorizado a conceder sesmarias”; só nas margens da lagoa Juparanã foram concedidas 82, mas alguns anos depois não estavam confirmadas, isto é, nem medidas, nem cultivadas.

Mas não apenas nas margens da Juparanã foram concedidas sesmarias. Documento que anexamos comprova que uma sesmaria foi concedida por Francisco Alberto Rubim, próxima ao povoado de Linhares, em 1818. No verso da ilustração do documento fornecemos informações sobre o mesmo.

Acreditamos que muitas das sesmarias doadas nessa época acabaram passando, como essa, a terceiros.

 

Fonte: Panorama Histórico de Linhares, 1982
Autora: Maria Lúcia Grossi Zunti
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2012 

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