A Capitania do Espírito Santo não chegou a se constituir numa empresa inviável, conforme se pode inferir dos escritos dos primeiros cronistas da nossa historiografia tradicional. Agricultores, rendeiros, senhores de engenho e comerciantes movimentaram a produção açucareira e o comércio que mantiveram os funcionários – escrivães, tesoureiros, provedores, almoxarifes, juízes e vereadores, entre outros que compunham a máquina administrativa encimada pelo capitão-donatário. A estes juntaram-se desde o início os sacerdotes jesuítas, responsáveis pela catequese e pela educação, atraídos não só pela perspectiva de administração da grande massa indígena mas também pela viabilidade os empreendimentos econômicos que lhes garantisse a sobrevivência, conforme ficará atestado posteriormente com as fazendas de Muribeca, Itapoca, Araçatiba e Carapina; unidades econômicas especializadas na produção em larga escala da pecuária, da farinha de mandioca, do açúcar e da policultura. É dentro desta conjetura que se desenvolverá a obra missionária dos jesuítas, particularmente de Anchieta, contribuindo, destarte, para atenuar e embate entre as duas etnias em conflito – ameríndios e europeus.
Foi graças ao Colégio dos Jesuítas que aqui estiveram inúmeros desses religiosos que deixaram, nas suas cartas, as impressões tão caras à historiografia colonial. A começar pelo próprio pe. Manoel da Nóbrega, em 1560, que, conforme Levy Rocha (1977), não fora menos gentil com o Espírito Santo que os que o precederam, afirmando: “Esta Capitania se tem por a melhor cousa do Brasil depois do Rio de Janeiro..” Entretanto, noutra carta que escrevera anteriormente, consignou: “...Outro pecado nasce também desta infernal raiz, que foi ensinarem os cristãos ao gentio ao furtarem-se a si mesmos e venderem-se por escravos. Este costume, mais que em nenhuma outra capitania, achei no Espírito Santo”.
Fonte: Palácio Anchieta: de colégio à casa de governadoria
Autores: Gabriel Bittencourt e Nádia Alcuri Campos
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