A história do Colégio Marista - 2ª Parte

Editor: Roberto Abreu - publicada: 06/11/2013

Colégio Marista de Vila Velha, ES

Segunda Parte

Mas quem eram os Maristas, Champagnat, FTD, e a UBEE (União Brasileira de Educação e Ensino). O entendimento disso facilita nossa história.

Maristas - Essa congregação de professores religiosos católicos foi fundada na França pelo Padre Champagnat, e a dedicação deles com o ensino, mesmo que particular, passou a ter grande sucesso e crescimento tanto no país natal, como em boa parte da Europa. Logo se espalhou para diversas partes do mundo. Os Maristas são semelhantes aos membros da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs, os lassalistas, fundada por La Salle, também francês, que tem colégios em diversas cidades do Brasil e no mundo.

Champagnat fundou a congregação em 1817 em La Valla na França com apenas dois jovens irmãos que recrutara. Objetivava uma pequena comunidade religiosa, que tinha como lema "A Jesus por Maria", e que levasse ensino fundamental de cunho religioso católico romano às crianças e aos jovens do interior, em regiões que não existiam escolas. Champagnat, hoje canonizado Santo pela Igreja Católica, era um Padre que vivenciou a época da revolução francesa e idealizou que a Igreja Católica deveria ter em todas as dioceses colégios dirigidos por professores religiosos que transmitiriam sadia doutrina cristã para os jovens, algo que o poder público não fazia. Assim criou o Instituto dos Irmãos Maristas, colocando a obra sob a proteção da Virgem Maria, daí o nome Maristas, e assim desenvolvem toda uma mística religiosa em torno dessa personagem cultuada pela Igreja Católica.

É bom frisar que nunca veio ao Brasil, e sequer saiu da França. Padre Champagnat obteve sucesso com seu ideal, e muitos bispos queriam as escolas fundadas por ele, em paralelo do que faziam os Irmãos das Escolas Cristãs. Champagnat morreu quando o Brasil ia ficando independente, e suas escolas espalharam pela Europa, a seguir para o resto do mundo inclusive em áreas de difíceis territórios de missões.

Na unidade e na diversidade, a Igreja Católica tem e teve centenas de ordens religiosas, algumas extintas ao longo de sua história. Muitas sobrevivem por séculos até hoje. Hoje a sede geral, mundial, dos maristas fica em Roma. Os seguidores de Champagnat reuniram seus escritos num livro chamado Guia das Escolas, e dão instruções como deve funcionar uma escola marista, ainda que numa ótica do pensamento do início do século XIX. Tenho um exemplar impresso em 1932, que era de meu pai, antigo marista. O núcleo original e maior dos Maristas não são padres, não tem a ordem sacerdotal (não consagram a eucaristia e nem recebem confissão), porem são religiosos, com votos temporários ou perpétuos, sendo que nas últimas décadas surgiram ramificações como irmãs religiosas Maristas e mesmo Padres Maristas. Nem todos são professores.

O primeiro grupo de Irmãos Maristas veio para o Brasil em 1897 já na república, desembarcaram em Santos e foram para Congonhas do Campo em Minas Gerais, onde abriram uma escola. Então aqui em Vila Velha no início dos anos 50 chegando grupos de irmãos maristas, todos de batina com uma espécie de "babador branco" (depois abolido) no peito, criaram um impacto na opinião pública local, que logo apelidou o empreendimento que tocavam de Colégio dos Padres. Acredito que muito poucos entendem a distinção de sacerdotes de irmãos de uma ordem religiosa.

Passado um tempo, alguém divulgou que muitos colégios Maristas pelo Brasil a fora tem logradouro em sua frente com a denominação de Champagnat. Então a municipalidade seccionou a Avenida Jerônimo Monteiro em Vila Velha ES, onde passou a existir o Colégio Marista local, e inaugurou placa (fui testemunha) com essa nova denominação de logradouro em dia de comemoração de 23 de maio - data magna da cidade - denominando trecho do cruzamento da rua Luciano das Neves até a Praia da Costa, como Av. Champagnat. O trecho que ficou para traz do logradouro continuou como Av. Jerônimo Monteiro, que vai até Paul (chamando-se a partir de certo ponto de estrada Jerônimo Monteiro).

Daí surgiu uma questão, pois os terrenos eram registrados em cartório como pertencentes à Av. Jerônimo Monteiro, e essa mudança de nome complicou na certa a vida de proprietários. Com o passar do tempo, com a ocupação urbana entre os Maristas até a Praia da Costa, que intensificou nos anos 70 do século XX, passou ter "status" dizer que tinha alguma coisa na Av. Champagnat, e assim muitos ocupantes da remanescente Jerônimo Monteiro no Centro da cidade, passaram a dizer que ficavam na Av. Champagnat. Até hoje para o cidadão comum a confusão continua, pois poucos sabem onde inicia uma denominação e termina outra. Coisa inclusive que veio a generalizar-se na Capital com seccionamento de logradouros com mudança de nome, por razões políticas.

Ao longo da história o ideal Marista não foi fácil em lugar nenhum em ser cumprido, e mesmo porque passou por fase de pouco ingresso de novos membros. Na região central do Brasil tiveram de fechar até colégio, como o de Varginha em MG, porém, reaberto recentemente. Tiveram de vender a editora deles, a famosa FTD, que agora é uma Sociedade Anônima. A FTD teve esse nome tirado das iniciais de Frère Thóphane Durand que fora um diretor que incentivou muito a publicação de livros pelos maristas. Essas publicações famosas da FTD, no Brasil eram na maioria traduzidas do francês pelos irmãos, a baixo custo e fez muito sucesso como continua até hoje. Por questão de ser necessário ter um setor que cuidassem da atividade meio, os irmãos fundaram há muitas décadas a UBEE, União Brasileira de Educação e Ensino, que é uma organização não governamental (uma "ONG" - o que o é para efeitos fiscais tudo que não é fundado pelo governo). Então a UBEE é reconhecida como entidade de utilidade pública, e é a mantenedora dos empreendimentos dos Maristas, administrando seus imóveis, contratos, convênios, empreendimentos e o funcionamento das escolas nos seus vários aspectos, cuidando de funcionários, etc. Conseguem uma economia de escala para a causa marista, embora para o cidadão comum fique difícil entender, compreender a substituição de representação. Por conta disso a Lei municipal que cedeu aos Irmãos Maristas o terreno que a Prefeitura adquiriu para ali surgir uma escola, cita a UBEE.

 
Colégio Marista de Vila Velha em construção (1950)
Acervo - Edward Athayde D'Alcântara

 
Colégio Marista de Vila Velha em construção (1950)
Acervo - Edward Athayde D'Alcântara

 
Lançamento da Pedra Fundamental do Colégio Marista de Vila Velha ES (1949)
Domício Ferreira Mendes - Prefeito de Vila Velha
Acervo - Edward Athayde D'Alcântara

 
Lançamento da Pedra Fundamental do Colégio Marista de Vila Velha ES (1949)
Professor Ernane Souza- Vereador
Frei Anacleto
Governador Carlos Lindenberg
Domício Ferreira Mendes - Prefeito de Vila Velha
Desembargador Hernesto Guimarães - de óculos
Acervo - Edward Athayde D'Alcântara


Por: Eng° Civil Roberto Brochado Abreu. Fundador e membro da diretoria da Casa da Memória de Vila Velha. (01/03/2010)

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