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A Origem da palavra Capichaba

Dr. Antônio Francisco de Athayde

Capixaba do mais puro quilate, capixaba quatrocentão, poderíamos dizer, orgulhoso e envaidecido da terra que o viu nascer, e que o agasalhou na serenidade daquele sono, de que não se acorda, Antônio Athayde publicou, no volume IX da Revista deste Instituto, alentado estudo, verdadeira monografia, que intitulou — A semântica do vocábulo indígena — CAPICHABA.

E dedica, aos espírito-santenses, tão notável trabalho, com as seguintes e carinhosas palavras — "Lede com patriotismo as desataviadas páginas desta Memória... e, orgulhai-vos, pois, de vos chamarem Capichabas".

Em o estudo, ora referido, Antônio Athayde tudo investiga, e cita mestres, e debate o problema da grafia da palavra capichaba, quando escreve:

"incontestavelmente, o diagrama CH se pronuncia em alguns idiomas como se fosse — X —; porém, para o nosso caso, a grafia Capichaba com CH, conforme já expusemos, é etimologicamente certa. É, portanto errado, escrever Capichaba com X, como errado é pronunciar Anchieta de origem espanhola, dando ao grupo CH o valor sônico de K, que só é permitido nos vocábulos de origem grega. Conforme já ficou provado, o vocábulo Capichaba, tem o valor semântico de lavoura de milho em plena floração. Foi o plantio consecutivo do milho pelos índios mansos, entre o forte de S. João e a ladeira Pernambuco na vila nova de Vitória, que apelidou esse bairro de Capichaba e, mais tarde transmitido este nome aos próprios indígenas ali aldeiados cognominou a tribo dos "Capichabas". esse nome foi uma bandeira de combate, foi o orgulho dos nossos maiores. Foi do heroísmo desta destemerosa gente da vila de Vitória, resistindo à tirania dos primeiros invasores da ilha e posteriormente amparada pelos missionários, que se começaram a contar as glórias da nossa terra. Foi o marco inicial do nosso provincialismo, isto é, a manifestação do nosso regionalismo, o primeiro amor ao torrão natal".

 

Longe de mim a convicção, a certeza de ter prestado, a Antônio Francisco de Athayde homenagem à altura de seus méritos, à altura de sua pujança intelectual, à altura do muito que ele serviu ao Espírito Santo, do muito que ele fez pela sua gente, pela sua gleba, como Capichaba de escol.

E por tudo isso repito-lhe, uma vez mais, o conceito lapidar, pleno de sabedoria: — "não se pode bem avaliar a relevância dos serviços prestados por um homem, senão depois da sua morte".

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Nº 21 – ano, 1961
Autor: Professor Nelson Abel de Almeida
Solenidade:  Sessão solene de 22 de setembro de 1960, no IHGES em homenagem ao Centenário de Antônio Francisco de Athayde
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2015
Nota: veja o discurso na íntegra no site em (Centenário do Dr. Antonio Athayde - Parte I e Parte II)

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