Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

A política e o coronelismo em Iconha - Por Luciana Maximo

O coronel Antônio José Duarte

A formação política de Iconha surgiu com o desenvolvimento do comércio, em especial, da Casa Comercial Duarte Beiriz por volta de 1879. O Jornal conversou com Aldieris Braz Amorim Caprini, que cedeu alguns artigos de sua tese de mestrado que descreve com detalhes a história política do município.

Segundo Aldieris, grandes transformações econômicas, políticas e sociais ocorreram em lconha e Piúma, devido ao povoamento do interior, à cultura do café e o desenvolvimento da Casa Comercial Duarte Beiriz, nas duas últimas décadas do século XIX.

Instalado na região e detentor de posses, emergiu como poder político, o coronel Antônio José Duarte, sócio da referida casa comercial, e que através do comércio alcançou e mantém o poder, interferindo no processo de urbanização da vila de lconha a partir das relações comerciais.

Vale ressaltar, que até 1879, quatro ou cinco famílias habitavam a região que hoje compreende Iconha e essas eram tidas como forasteiras, pois todas viviam da agricultura de subsistência. Nesse ano, Antônio José Duarte, imigrante português abriu a casa comercial na referida vila e logo recebeu como sócio o comerciante José Gonçalves da Costa Beiriz, que possuía negócios na vila de Piúma, denominando-se Casa Comercial Duarte e Beiriz.

Como muito bem descreveu Aldieris em sua tese, a Casa Comercial Duarte e Beiriz tornou-se uma das maiores do estado e foi responsável pela transformação de uma região praticamente desabitada em um município com infra-estrutura. Os sócios da firma, especialmente, Antônio José Duarte, tornaram-se grandes chefes políticos locais, tanto é, que tinham o título de coronel. No entanto, esse desenvolvimento comercial não ocorreu por acaso ou sorte, nem as obras públicas realizadas pela firma foram fruto da caridade, bem como, o poder político obtido pelos comerciantes foi resultado de seus méritos espontâneos nas urnas. Se, em 1879 a Região de Iconha era completamente desabitada, os comerciantes tinham um claro objetivo ao investir na abertura da Casa Comercial, pois como observa Aldieris, não era lucrativo na época. Entretanto, Duarte e Beriz focavam o futuro. Terras boas para o plantio era uma boa proposta para quem quisesse investir pelas bandas de cá. O problema era como pagar. Os dois detinham a posse das terras e em 1877 chegaram imigrantes italianos em busca de terra para o plantio do café. Visionários e empreendedores, os comerciantes compraram as terras que hoje compõem o município e dividiram em grandes lotes. Quando os imigrantes chegaram esses lotes eram vendidos com a condição de pagarem através das futuras colheitas de café.

Dependência financeira

Paralelo ao desenvolvimento comercial, o coronel Antônio Duarte foi ganhando espaço político. A vila de lconha pertencia ao município de Piúma, mas com seu crescimento tornou-se a sede do poder municipal e tinha no coronel a sua força maior.

Como já fora dito na matéria relacionada à Casa Comercial, o terreno para que fossem feitas ruas, cemitérios, igrejas e escola, foi doado pelos sócios. Inclusive, o coronel Antônio Duarte fundou a biblioteca municipal. Para dar suporte ao poder público, foi construída a delegacia, prefeitura e posto do correio. Quanto mais se desenvolvesse a vila, a população aumentaria atraída pela infra-estrutura e as possibilidades de trabalho.

"Assim, automaticamente haveria mais compradores para a casa comercial e as obras realizadas na cidade pelo Duarte criavam uma imagem do benfeitor que deveria ser recompensado nas urnas. Desse modo, o coronel conseguia manter-se como o chefe político do clã eleitoral. Seu poder político advinha também da dependência dos imigrantes com a casa comercial, pois quem não estivesse com o coronel não tinha para quem vender a produção e teria as dívidas cobradas. Assim, em época de eleições, a população conduzia seu voto conforme as necessidades econômicas. O poder político era construído a partir das necessidades da sociedade, uma vez que não havia outra alternativa, todos estavam presos ao coronel", salientou Aldieris.

Ressalta o artigo de Aldieris Braz Amorim, que a casa comercial polarizava a vida da vila, "era o vendeiro que, por estar próximo do produtor e ser o único com instrução, estabelecia os vínculos com as pessoas. Ele era o responsável por dar conselhos, ajuda econômica e apadrinhar. Como o comerciante também era o político, arrumava empregos públicos e fazia as leis do município".

O comércio foi o sustentáculo de poder político à medida que através dele o coronel manteve a sociedade atrelada à sua casa comercial e, portanto, deveria retribuir por meio do voto, afirma Caprini no artigo. "A firma financiava as obras que, para a população dominada, era um ato de bondade, mas simbolizava, na verdade, o poder do coronel na região".

A escalada ao poder foi resultado das condições de dependência de imigrantes para com um coronel na aquisição das terras, na falta da ação do governo estadual e federal na construção de obras públicas que deu espaço para o poder privado apropriar-se e torna-se o senhor do município. Isto, sem citar pormenores que mereceriam um estudo aprofundado.

 

Fonte: Jornal Espírito Santo Notícias – 15/07 a 30/07 de 2015 – 2º quinzena, nº 87
Caderno Especial: Iconha – 91 anos de Emancipação Política
Autora: Luciana Maximo/ com base no texto: Comércio, Urbanização e Poder Político em Iconha (1879-1915) /// CAPRINI, Aldieris Braz Amorim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2015

Cidades do ES

Vitória

Vitória

Descrição da cidade de Vitória em 1939:

"Vitória é o porto escoadouro da produção cafeeira dos Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo...

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Grandes latifundiários dominavam a região de Itapemirim

Fazenda Pau Brasil de Francisco Salles Ferreira

Ver Artigo
João Neiva

A região que hoje corresponde ao município de João Neiva recebeu os primeiros imigrantes italianos em 1877. As famílias fundaram os distritos de Acioli de Vasconcelos (1887) e Demétrio Ribeiro (1891).

Ver Artigo
Ano de 1856 – Por Basílio Daemon

É criada neste ano a Colônia de Santa Leopoldina, nas margens do rio Santa Maria e ribeirões que nele deságuam, sendo por aviso do Ministério do Império 

Ver Artigo
Ano de 1847 – Por Basílio Daemon

Fundada em 1847 a Colônia de Santa Isabel, com 163 colonos chegados na sumaca Rodrigues, de propriedade de Antônio Joaquim Rodrigues 

Ver Artigo
Divisão administrativa do município de Vitória, 1937

São os seguintes limites do município de Vitória

Ver Artigo