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A Tribuna de Anchieta
07/12/2010

Domingo, 3 de fevereiro de 1889. Nessa data, começou a circular, em Anchieta, um periódico semanal: A Tribuna. Trouxe estampado, na primeira página, o que poderia ser o Manifesto Republicano Capixaba. Tecendo críticas severas a uma Monarquia “sanguessuga, esclerosada e caduca”, defende a implantação de um regime político moderno, democrático e popular: a República Federativa.

O republicanismo ganhou força, no sul do Espírito Santo, à proporção que se configurava a catástrofe da abolição da escravatura. Com a publicação da Lei Áurea, apareceram os republicanos de última hora, fortalecendo o movimento. A Tribuna e O Cachoeirano veicularam uma enérgica propaganda antimonárquica, em 1888 e 1889.

Cachoeiro havia se convertido em uma cidadela republicana. Fundou o primeiro clube republicano, em 1887, e sediou o Primeiro Congresso Republicano Provincial do Espírito Santo, em setembro de 1889. Ali se reuniam os “republicanos históricos”, liderados por Bernardo Horta e Afonso Cláudio, para discutir idéias e estratégias políticas.

Desde maio de 1888, clubes e jornais vinham sendo criados em diversos pontos da província: Alegre, Castelo, Muqui, São José do Calçado, Itapemirim, Vitória, São Mateus, etc. Delineou-se assim a campanha republicana.

Na vida política do Império, todavia, não houve sequer um capixaba de projeção nacional. Éramos uma província economicamente pobre e politicamente periférica. Era natural que a importância do Espírito Santo no processo de derrocada da Monarquia fosse, portanto, secundária, para não dizer nula.

Proclamada a República no Rio de Janeiro, no mesmo dia – 15 de novembro – a notícia chegou a Vitória. Na capital, não ocorreu qualquer tipo de manifestação pública, contra ou a favor. As vilas do interior, uma após outra, pronunciavam, imediatamente, a adesão ao novo regime político, não havendo qualquer tipo de oposição.

Em Cachoeiro, os republicanos promoveram passeatas em comemoração: bandeiras vermelhas foram erguidas e o hino revolucionário francês, A Marselhesa, foi cantado, para dar caráter grandioso ao evento. Era o frenesi revanchista dos fazendeiros contra o imperador que havia abolido a escravatura e que, fora banido do Brasil com toda a família Bragança.

A partir de então, oficialmente o país passou a ser a República Federativa dos Estados Unidos do Brasil.

 Livro: HISTÓRIA DO ESPÍRITO SANTO
De: JOSÉ P. SCHAYDER

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