Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

As Cruzes da Estrada – Por Adelpho Monjardim

Capa do Livro: O Espírito Santo Na História, Na Lenda e No Folclore

Quem passar pela rodovia que liga Ibatiba, às margens da BR-262, à sede do município de Iuna, notará, não sem espanto, e íntima interrogação, as cruzes que enxameiam à beira da estrada. Cemitério? É a impressão, logo desfeita pela ausência dos requisitos de um Campo Santo. Refeita a mente do primeiro choque, da primeira impressão, compreende-se a razão daquelas cruzes — a vindita, o crime organizado; o braço assassino a soldo para silenciar um importuno. É a violência imperando, tanto no campo como nos grandes centros, desafiando a Lei e a Justiça. É o sindicato do crime, contrafação cabocla da Máfia e da Camorra.

Acobertados pelas trevas noturnas, favorecidos pela cumplicidade do ermo, os sicários executam as nefandas tarefas, dirimindo pela via mais rápida questões de terceiros. Na maioria os casos se prendem a questões de terras, de família ou dívidas.

Pelas estradas as cruzes se vão multiplicando como desmentido à civilização, retorno à barbárie.

Segundo a lei natural de que nada se perde e tudo se transforma, aquelas cruzes, que não foram testemunhas, mas assinalam a consumação de crimes, ingressaram no folclore local.

Curioso! Naquela zona conflagrada, sacudida pela violência, onde matar faz parte do cardápio diário; onde os homens não temem a morte, por coisa alguma os mais bravos se aventuram, às horas mortas, por aquela estrada.

É a voz corrente que, nas caladas da noite, os ali enterrados abandonam as covas e vagueiam pela estrada, aterrorizando mesmo os irracionais.

Contam que certo valentão resolveu tirar a limpo a versão, pois não acreditava em assombração, em almas d'outro mundo e quejandos. Chamava-se Pedro. Foi, é certo, mas não voltou. Nunca mais se soube dele. É o único que não tem cruz ali.

 

Fonte: O Espírito Santo na História, na Lenda e no Folclore, 1983
Autor: Adelpho Poli Monjardim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2016

Folclore e Lendas Capixabas

Os remendos do cágado – Por Maria Stella de Novaes

Os remendos do cágado – Por Maria Stella de Novaes

Certa vez, São Pedro convidou todos os animais alados para uma festa, no Céu, o cágado arranjou uma roupa de baile e dançou à vontade

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Outros tempos – Por Pedro Maia

Por onde andam os tipos populares que em outros tempos enfeitavam de maneira pitoresca  as ruas da cidade?

Ver Artigo
Festejos de Vila Velha - Por Edward Alcântara

Lembro da “Lapinha” de origem pernambucana, aqui introduzida nos fins do século XIX pelo Desembargador Antonio Ferreira Coelho, grande incentivador dos festejos canela verde de então

Ver Artigo
São Benedito do Divino e de Reis – Por Seu Dedê

Atualmente, em Vila Velha, Leonardo Santos (Mestre Naio) e a Mônica Dantas, conseguiram restabelecer os festejos de São Benedito

Ver Artigo
Festas Juninas – Por Seu Dedê

Vila Velha comemorava as festas de Santo Antônio, São João e São Pedro, respectivamente nos dias 13, 24 e 29 de junho

Ver Artigo
A Festa Do Divino – Por Areobaldo Lellis Horta

Foi na povoação de Jacarandá, município de Viana, hoje Jabaeté, que vi pela primeira vez uma bandeira do Divino Espírito Santo

Ver Artigo