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Calendário mostra evolução de Vitória

Fonte: Jornal A GAZETA de 06/03/2005

Desde o início do século Vitória reúne, em seu território de ilha, contrastes surpreendentes: ao mesmo tempo em que a capital do início do século encanta os visitantes com sua arquitetura de estilo colonial muito bem definido, mais da metade da população morava em cortiços ou favelas. Detalhes históricos como estes foram resgatados através de uma pesquisa iconográfica do historiador Dário Nogueira Júnior, e podem ser conhecidos através do calendário anual de 1995 que a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo da Prefeitura de Vitória lança – mesmo que tardiamente – nesta terça-feira, às 18h30m, na Fafi.

O calendário da cidade optou por resgatar a memória de Vitória antiga, temperando fotos e comentários históricos com datas de festejos populares, como relata o secretário de cultura, Jorge Alencar. Ao final  do ano, os privilegiados ganhadores de um dos dois mil exemplares impressos pela Prefeitura de Vitória poderão destacar a faixa que mostra os meses – e terão um livrinho com fotos, verdadeiras preciosidades com informações que resgatam o processo de desenvolvimento e urbano da cidade. Todo o trabalho, coordenado pelo historiador Dário Nogueira Júnior, teve a participação da artista plástica Érica Poltronieri. 

A Igreja do Rosário e uma vista parcial da cidade, no ano de 1905, abrem o calendário que, apesar de não pretender ser um trabalho historiográfico, é um alerta para o resgate da memória da cidade – garantem os idealizadores do projeto. Neste trabalho a dupla preferiu privilegiar imagens de lugares em que os capixabas pudessem se localizar com facilidade. A Praia do Suá de 1906, era quase deserta e freqüentada por pescadores e pelo povo em geral. Mais facilmente identificada como a “Praça da Assembléia Legislativa” ou do “ Palácio Anchieta”, a Praça João Clímaco fotografada em 1911, mostra a proximidade do mar antes da existência do Porto de Vitória.

O atual Parque Moscoso já foi o aristocrático bairro de Campinho, que serviu de residência para os famosos fazendeiros do café. A foto de 1914 mostra a evolução urbana implementada por Jerônimo Monteiro com objetivo de transformar Vitória numa cidade mais moderna, que tornava-se importante pelo aspecto comercial da produção cafeeira. Nesta época, em menos de quatro anos, uma cidade que não possuía água encanada ou luz elétrica edifica um bairro nobre, com característica neoclássica onde cabia até mesmo um lago artificial. A Praça 8, que já foi Praça Santos Dumont, em 1912, fazia parte do cotidiano da cidade e era ponto de parada do bondinho que ligava a Rua do Comércio ao Forte São João. Em 1910, o Colégio e Convento do Carmo foi fotografado após reforma que o tornou uma das maiores construções da capital. Também o café foi o impulsionador das melhorias que o Governo Jerônimo Monteiro realizou no Porto, principal via de exportação do produto.

A reformulação econômica ocasionada pela crise de 1929 mudou também o perfil de Vitória, que teve seu desenvolvimento urbano ligado a exportação do café, iniciava outro processo de urbanização, agora voltado para o crescimento comercial, que era de interesse da burguesia induutrial e comercial emergente. Em 1952, a Avenida Jerônimo Montero, conhecida como Rua da Alfândega, abrigava os principais armazéns de café e importadoras e era a principal avenidada comercial da capital.

A Esplanada Capixaba mostra, em 1953, o início dos aterros que dariam uma nova conformidade à cidade. Em 1954, a vista aérea da Ilha do Príncipe mostra que os moredores tinham ao alcance dos olhos a beleza do mar e a vista privilegiada da cidade. A Baía de Vitória de 1954 exibia um quebra mar. Com o aterro da área que hoje é Bento Ferreira, a cidade conquistou uma área de 96 mil metros quadrados destinados a vias públicas e a novas edificações. Uma tradição que ainda hoje é cartão postal, uma regata na Baía de Vitória, aparece numa foto do início do século aos pés do Penedo, fechando o mês de dezembro e as memórias de mais um ano que passa, mas deixa um importante registro do que foi a cidade.

 

Fonte: Jornal A GAZETA de 06/03/1995 - Arquivo da Casa da Memória
Foto: Érica e Dário foto de Nestor Muller
Compilação: Walter de Aguiar Filho em 14/05/2011

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