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Nazi-Fascismo no ES

Comício da Aliança Nacional Libertadora

A radicalização política e ideológica marcou os anos 30 do século XX. Na Europa, o nazi-facismo de Hitler e Mussolini lutava contra o comunismo de Stalin. No Brasil, representando esses dois campos doutrinários, digladiavam-se a Ação Integralista Brasileira – AIB – de Plínio Salgado e a Aliança Nacional Libertadora – ANL – de Luís Carlos Prestes. No Espírito Santo, o integralismo vai conquistar milhares de adeptos, apesar de não terem surgido, na mesma proporção, seguidores do comunismo que devessem ser combatidos.

A aceitação do integralismo no Estado foi tamanha que o primeiro congresso da AIB foi realizado em Vitória, em 1934. Em razão de sua oposição ao comunismo, o integralismo contou, para sua difusão, com o apoio de membros do clero católico. O colaboracionismo dos padres deu credibilidade ao movimento, especialmente para comunidades de descendentes de italianos e alemães, onde a adesão ocorreu em massa.

Os principais centros de divulgação do integralismo no Espírito Santo, foram Castelo, Ibiraçu, Venda Nova, Santa Tereza, Santa Leopoldina, Domingos Martins e Cachoeiro de Itapemirim. Ou seja: regiões colonizadas por italianos e alemães. Por quê?

O historiador Agostino Lázaro sugere um leque de respostas. Em primeiro plano, ele destaca o anticomunismo do integralismo: os descendentes de imigrantes não queriam correr o risco de perder as terras que a duras penas foram conquistadas por seus pais. A propriedade privada, para os integralistas, era um bem sagrado e inviolável. Sagrados também eram, para eles, “Deus, Pátria e Família”. Os comunistas podiam afirmar a mesma coisa?

A simpatia pela versão brasileira do fascismo europeu também pode ser explicada, de acordo com o já citado historiador capixaba, pelo carisma de Plínio Salgado, por seus discursos inflamados e empolgantes. Pelo rádio, o líder comunicava-se com seus discípulos. Chegou a visitar Castelo, onde esteve em contato direto com os fãs. Muitos choravam ao ouvi-lo ou vê-lo discursando.

O que também transformou o integralismo em algo sedutor foi o seu ritual político: as concentrações integralistas eram um espetáculo à parte. As mensagens eram dirigidas aos trabalhadores, às crianças, aos pais, às mães, à juventude – ninguém era esquecido. O uniforme – as “camisas verdes” – chamava a atenção. Os desfiles eram disciplinados. Havia, também, as bandeiras, os distintivos, as flâmulas, o símbolo sigma (“soma” em grego) e a saudação “Anauê!” (“você é meu irmão”, em tupi-guarani). O fascismo era para seus adeptos, uma verdadeira e divertida festa.

Ainda de acordo com Agostinho Lázaro, a grande maioria que se inscreveu da AIB nem sequer tinha consciência de que estava se submetendo a uma ideologia política: simplesmente engrossava fileiras.

Havia um certo fanatismo político. Em Venda Nova, por exemplo, 90% da população atendeu ao apelo integralista. Como escreveu o vendanovense Máximo Zandonadi, ele próprio um jovem líder integralista na época, “os poucos alheios ao movimento eram menosprezados, odiados, tachados de comunistas e ateus”. Em Santa Tereza e em Domingos Martins, onde foram eleitos prefeitos integralistas, marchas cívicas demonstravam o poder da ideologia. Jornais circulavam escritos em alemão e italiano, divulgando a doutrina fascista.

Nessas localidades, fazia-se o culto à personalidade de Plínio Salgado, mas, indiretamente, também reverenciavam-se os mentores internacionais da causa fascista: o fuhrer alemão, Adolf Hitler, e o duce italiano, Benito Mussolini. Como a maioria dos fascistóides capixabas descendia de italianos e alemães, talvez fosse uma forma de manter os vínculos com a pátria original de seus ancestrais.

Nota do Site: FASCISMO - membro do PNF Partito Nazionale Fascista fundado por Benito Mussolini na Itália em 1919 . O termo deriva de fascio, o símbolo romano dos magistrados representado por um machado rodeado de varas. Simbolizava a unidade do povo (as varas unidas) e o poder da justiça do Império (o machado). É também usado de forma negativa, indicando um individuo radical, forte e intransigente.

 


Fonte: História do Espírito Santo – Uma Abordagem Didática e Atualizada 1535 – 2002 
Autor: José P. Schayder
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2012
 



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